11.7.04

Metamorfoses

«Na campina deserta e silenciosa havia
Uma árvore só. (...)
Tinha um século já. (...)

Uma vez encontrei - surgia a madrugada
No horizonte inflamado - a árvore derrubada.
(...)Ela que resistira
Ao frio, à chuva, ao sol, aos vendavais, caíra
Aos golpes do machado em ímpeto leonino...
(...)

Hoje, quem sabe lá que vento ou que destino
Te levou pelo mundo em frágil desatino,
Saudoso do lar, dos bosques, do arvoredo?
Sozinho, abandonado à noite dum degredo,
Quem sabe se tu és, ó roble destruído,
A tábua a que se chega o náufago perdido,
Um berço, um cadafalso, um túmulo, um altar,
Ou se andas pelo céu no fumo dalgum lar?...
»

António Feijó, Poesias Completas

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