18.7.04

Retratos da família

«Uma árvore! Pintar a grande macieira do meu quintal!... Mas só eu que a adoro e que às vezes, sozinho, a abraço, é que, se soubesse, a poderia pintar. A minha macieira é uma pessoa: tem a sua feição, carácter: de Inverno, nua e trágica, conversa com estas ásperas ventanias do mar largo; na Primavera, cheiinha de flor, tem galhos que enternecem. E às vezes no Inverno, de tonta, acontece (se é tão velha!) deitar um ramo, um único, onde as flores pousam de leve como borboletas - e todas as crianças que passam ao pé do muro se põem a rir para ela!...»

Raul Brandão, In Revista d'Hoje, 1895

1 comentário :

Anónimo disse...

deve ser bom ser árvore.