23.9.04

Motivo da rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando em mim.

E por perder-me é que me vão lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles, Mar absoluto (Antologia Poética, 2002)

1 comentário :

Paulo Araújo disse...

APÓCRIFO DE R.R.

Esvoaçam, Lídia, da rosa as pétalas
Porque, no chegado Outono,
É delas próprio o soltarem-se.

Também de nós foge o já vivido tempo:
Enlacemos as mãos, enquanto tarda
O temeroso Inverno, nosso fim.