15.10.04

Paineira ou sumaúma?

Jardim Botânico

O nome científico desta árvore, que até há pouco era Chorisia speciosa, tem dado azo a algumas confusões. O género Chorisia foi incorporado no género Ceiba, mas alguém com autoridade no assunto decretou erradamente que duas espécies antes diferenciadas, C. speciosa e C. insignis, seriam apenas variedades da mesma espécie (que ficaria a chamar-se Ceiba insignis). Esse erro acabou por ser corrigido, mas deixou marcas nalgumas placas dos nossos jardins botânicos. A Ceiba speciosa é uma espécie brasileira, com grandes flores rosadas, folhas compostas digitadas, tronco espinhento verde (nos espécimes jovens) ou cinzento (nos adultos); a Ceiba insignis, proveniente do Perú e Equador, é em tudo semelhante, com a diferença de que tem flores amarelas. Enquanto não há floração é difícil distinguir as duas espécies; por isso temos de esperar alguns anos para decidir se as jovens Ceibas do Jardim Botânico do Porto, plantadas em redor de um lago com nenúfares e no canteiro das suculentas, são speciosas ou insignis.

Jardim das Virtudes

Quanto à árvore adulta no Jardim das Virtudes, no Porto, as flores não deixam dúvida de que se trata de uma C. speciosa. Desta vez floresceu um pouco mais cedo do que em anos anteriores, mas o clima da nossa cidade não lhe é muito favorável: a floração é sempre escassa e não há produção de frutos, que seriam grandes cápsulas recheadas de paina (espécie de rama branca). No Brasil o nome da árvore é justamente paineira ou paineira-rosa. Uma outra árvore do mesmo género, a Ceiba pentandra, também brasileira, conhecida vulgarmente por sumaúma (em inglês kapok), fornece rama de melhor qualidade, antes muito usada para recheio de colchões, coletes salva-vidas, etc. Em alguns jardins públicos portugueses (por exemplo em Angra e em Lisboa), e até em algumas publicações, atribui-se erradamente à Ceiba speciosa o nome de sumaúma, mas não nos consta que exista alguma verdadeira sumaúma em Portugal.

Fotos: pva/ mdlr

5 comentários :

Anónimo disse...

desculpem a mensagem que não tem nada a ver com este post mas tinha que partilhar convosco a foto desta árvore que me maravilhou há pouco menos de um ano

http://lmc-tanzania.weblog.com.pt/arquivo/140628.html

vitorsilva

Paulo Araújo disse...

Obrigado pela indicação: as fotos são excelentes. E até vêm muito a propósito, pois os baobás (Adansonia digitata) são as árvores mais ilustres da família das bombacáceas, a que também pertence a nossa Ceiba.

Anónimo disse...

em fortaleza ceará brasil (acredita-se que as unicas em todo o estado do ceará)há duas arvores de baobá belissimas.
ricardomontenegro.
na serra de guaramiranga foram encontradas algumas arvores de barriguda branca de cerca de 20m que no momento estão perdendo sua flores brancas. os frutos ainda estão verdes. como proceder para reproduzi-las visando reflorestamento?
ricardo montenegro

Gilson Leal disse...

Saudações Ricardo Montenegro !
Temos sítio ha muitos anos em Guaramiranga e temos certa experiência quanto os nossos Pau D´arcos, Barrigudas e Acácias Rosas, etc.
Mande-me e-mail para futuros contatos e plantios na nossa Serra.
Cordialmente,
Gilson Leal
gilsonleal@gmail.com

Anónimo disse...

Ótimo post!
Aqui em minha cidade (Lagoa Seca, Paraíba, Brasil) há duas paineiras-brancas, ou barrigudas como também são chamadas, enormes, elas passam os 25m!
Colhi delas, cerca dumas 300 sementes (ou mais) e estou preparando mudas para ajudar no reflorestamento de algumas áreas por aqui.
Já em uma cidade próxima, onde reside meu sogro, há uma mais larga ainda, com cerca de 20m, ela era tão larga que terminou rachando-se e se abrindo (tb dizem q foi atingida por um raio...).

Marcílio Diniz
Inté!