31.7.04

"Arde o fogo segundo a lenha do bosque"

31 de Julho 2003 - 2004 = Na sequência de um simpático comentário ao provérbio em epígrafe (dia 26/7) fui ver com mais atenção o album Serra da Peneda e percebi melhor o alcance da observação do autor que não quis exprimir apenas a eventual afinidade que sentiu com as fotografias e textos dos Dias com Árvores. O que o preocupava também era a tragédia que assola o nosso país periodicamente.

Com efeito em 31 de Julho de 2003, leram bem, 2003, Carlos Romão escreveu «Miserável esta terra que se deixa arder e a ficar a ver. É difícil contemplar estas imagens sem lembrar: -que nos últimos dez anos ardeu um milhão de hectares de floresta. -que interesses económicos Verão após Verão continuam alegremente a provocar o fogo nas matas. -que tal como o Natal ou o Carnaval, existe uma época de fogos instituída no calendário. -que nestes dias quentes o centro do pais está transformado num braseiro gigantesco. -Afinal, quem somos nós portugueses?»

E passada uma semana, em 8 de Agosto do ano passado acrescentou: «O autor deste álbum sentir-se-ia mal com a sua consciência se continuasse a celebrar a beleza deste local, quando ao mesmo tempo o fogo destrói em Portugal florestas, matas, gentes e aldeias. (...) No futuro talvez vivamos todos no litoral, em subúrbios desumanizados, sem memória do campo nem da cidade, porque esta também tem vindo a ser asfixiada na sua génese, pela sempre crescente especulação imobiliária. 7.08.2003»

Este ano é já o que se vê! Uma "catástrofe ambiental e socio-económica". No entanto, estou absolutamente convicta que, apesar da consciência e do coração pesados, não podemos deixar de celebrar a beleza destes sítios! Mesmo que o fogo e a incúria humana os tenha destruído.
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Plátano lunar

Além dos astronautas, há hoje na Terra outros seres vivos que viajaram até à Lua: árvores que o astronauta Stuart Roosa da missão Apollo 14 (Janeiro de 1971) transportou num saquinho como relíquia. A cada astronauta era permitido levar um pequeno número de objectos pessoais: Al Sheppard levou bolas de golfe; John Young preferiu uma sanduíche; Roosa escolheu centenas de sementes de várias espécies de árvores: liquidâmbares, pseudotsugas, pinheiros (Pinus taeda), sequóias (Sequoia sempervirens) e plátanos bebés que viveram alguns dias sem a acção da gravidade. De volta à Terra, cresceram e são hoje homenageadas em inúmeras placas, como aquela onde se lê «Este plátano cresceu de uma semente que viajou até à Lua. Que ele possa suscitar a vossa atenção para a importância passada e futura das árvores e dos recursos florestais.»

O entusiasmo de Roosa pelas árvores começou na sua juventude, como bombeiro de fogos florestais. Uma dezena de anos mais tarde é convidado pela NASA para o programa espacial. A algumas das árvores que carinhosamente transportou será talvez permitido viverem milhares de anos; serão nessa altura os únicos testemunhos vivos das primeiras missões tripuladas à Lua.

Fotos e mais detalhes aqui e aqui.

30.7.04

Cancioneiro popular

«Meu coração é um tanque
Cheio de água, mete medo:
Abre-te meu coração
Vai regar o arvoredo.»

29.7.04

Plátano - Monchique




Plátano - Barranco dos Pisões - Monchique
Árvore centenária, classificada de interesse público em 08-05-1947

De longe assisto à tragédia. No Algarve tenho muitos amigos, humanos e vegetais também.
Alguns centenários, como este Plátano. Terá sobrevivido? O sobreiral junto à casa onde morei, esse, eu sei que ardeu.

Provérbio -2

«Quem a boa árvore se chega boa sombra o cobre.»

28.7.04

Jardim do Marquês- Porto

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Imagem do passado

Foto: mdlramos- Jardim do Marquês (Porto) no Outono de 2000

Ler: Nem pela sombra as poupam

(Adenda: Saudades do Marquês - 9.6.05)
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Nem pela sombra as perdoam

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É quase inevitável perguntarmo-nos se os arquitectos que planeiam os "requalificados" espaços públicos do Porto ainda circulam a pé pela cidade, ou se a sua vida decorre, entre casa, carro e escritório, só em ambientes artificializados. Porque, nos dias de maior calor, atravessar a extensão granítica de uma praça escaldante é, à escala reduzida, um feito comparável à travessia de um deserto: na praça, como no deserto, não há vegetação que dê sombra ou permita repousar a vista.

Olhemos para Campanhã: havia, no largo da estação, um soberbo plátano, sobrevivente da primeira fase das obras do Metro, que era a única sombra num lugar de resto desgracioso; agora só lá temos as superfícies lisas e envidraçadas da novíssima gare intermodal. E, em frente do Hospital de Santo António, o mesmo arquitecto que criou os granitões dos Leões, de Parada Leitão e do largo da Cadeia da Relação repetiu a sua obsessiva receita com mais um larguíssimo passeio de granito, onde não deixou sequer lugar para uma flor.

Espaços como estes, por serem hostis à permanência de pessoas, matam o convívio na cidade. Um castigo merecido, ainda assim suave, para quem os planeia, seria obrigá-los a ficar de pé nesses lugares, sem a protecção de uma sombra, durante uma tarde de calor.

Os outros, os que não tiveram culpa e sofrem a cidade que os burocratas lhes impuseram, ainda se vão podendo abrigar à sombra das árvores que foram poupadas. Quando posso, escolho um plátano: árvore robusta e de sombra fiel, uma benção que a cidade tudo tem feito para desmerecer. Da minha janela vejo dois plátanos, ambos ameaçados por obras (presentes ou futuras), mas cumprindo até ao fim o seu nobre destino.

E, por falar em plátanos, leiam aqui sobre as heróicas árvores da Praça do Marquês de Pombal, no Porto.
(Adenda: Saudades do Marquês - 9.6.05)

Loureiro - Cancioneiro Popular

«Loureiro, verde loureiro,
Quem te dispôs no caminho?
Todos que passam e te vêem
Todos tiram seu raminho.»

«Eu subi ao loureiro,
Ao mais alto ramalhete;
Se cair, apegarei-me
Ao cordão do meu colete.»

«Já o loureiro tem baga,
Já se pode armar aos tordos;
Diga-me, ó minha menina,
Como vai de amores novos?»

27.7.04

Pão com rosmaninho

«Arrábida, Junho de 1545
Na encosta da serra da Arrábida, no convento dominicano de Santa Maria da Piedade, os religiosos atravessavam o claustro interior, a caminho do refeitório.
Gaspar contemplou os pequenos barcos de pesca, pontinhos coloridos que se moviam no oceano que rebrilhava na luz matinal (...) e, como todas as manhãs, pensou que, com uma vista daquelas, pouco custava louvar o senhor ao despontar de cada novo dia.
Como fazia todas as manhãs. Gaspar louvou ao mesmo tempo frei António, que lhe dera a ideia, verificando com satisfação que, aparentemente, o espinheiro-alvar, se contentava com o orvalho para crescer e desviou-se ligeiramente para a direita, para apanhar um ramo de rosmaninho, que esfregou entre o polegar e o indicador, deixando as folhinhas deslizar-lhe para o bolso, onde se foram juntar ao tomilho, à murta, aos oregãos, ao louro... Depois passou, esfregando, os dedos por baixo do nariz.
Ele solucionara o problema do eterno pedaço de pão seco que constituía o pequeno-almoço logo a partir do primeiro ano de noviciado: ao pedaço de pão conventual, alimentício mas magro de fantasia, que comia com a boca, juntava o seu nariz uma pitada de aroma de ervas aromáticas. Naquele dia, portanto, iria ser rosmaninho.»
In A China de Gaspar, de Magda van den Akker (Editorial Caminho, 1992)

A Arrábida - Herculano

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Foto: mdlramos 0202- Convento da Arrábida

A Arrábida
I
Salve, ó vale do sul, saudoso e belo!
Salve, ó pátria da paz, deserto santo,
Onde não ruge a grande voz das turbas!
Solo sagrado a Deus, pudesse ao mundo
O poeta fugir, cingir-se ao ermo,
Qual ao freixo robusto a frágil hera,
E a romagem do túmulo cumprindo,
Só conhecer, ao despertar na morte,
Essa vida sem mal, sem dor, sem termo,
Que íntima voz contínuo nos promete
No trânsito chamado o viver do homem.
II
Suspira o vento no álamo frondoso;
As aves soltam matutino canto;
Late o lebréu na encosta, e o mar sussurra
Dos alcantis na base carcomida:
Eis o ruído de ermo! Ao longe o negro,
Insondado oceano, e o céu cerúleo
Se abraçam no horizonte. Imensa imagem
Da eternidade e do infinito, salve!
III
Oh, como surge majestosa e bela,
Com viço da criação, a natureza
No solitário vale! E o leve insecto
E a relva e os matos e a fragrância pura
Das boninas da encosta estão cantando
Mil saudades de Deus, que os há lançado,
Com mão profusa, no regaço ameno
Da solidão, onde se esconde o justo.
(...)
Sobre esta cena o sol verte em torrentes
Da manhã o fulgor; a brisa esvai-se
Pelos rosmaninhais, e inclina os topos
Do zimbro e alecrineiro, ao rés sentados
Desses tronos de fragas sobrepostas,
Que alpestres matas de medronhos vestem;
(...)
X
É aqui neste vale, ao qual não chega
Humana voz e o tumultuar das turbas,
Onde o nada da vida sonda livre
O coração, que busca ir abrigar-se
No futuro, e debaixo do amplo manto
Da piedade de Deus: aqui serena
Vem a imagem da campa, como a imagem
Da pátria ao desterrado; aqui, solene,
Brada a montanha, memorando a morte.
Essas penhas, que, lá no alto das serras
Nuas, crestadas, solitárias dormem,
Parecem imitar da sepultura
O aspecto melancólico e o repouso
Tão desejado do que em Deus confia.
Bem semelhante à paz que se há sentado
Por séculos, ali, nas cordilheiras
É o silêncio do adro, onde reúnem
Os ciprestes e a Cruz, o Céu e a Terra.
(...)
Eremitério antigo, oh, se pudesses
Dos anos que lá vão contar a história;
Se ora, à voz do cantor, possível fosse
Transudar desse chão, gelado e mudo,
O mudo pranto, em noites dolorosas,
Por náufragos do mundo derramado
Sobre ele, e aos pés da Cruz!...
Se vós pudésseis,
Broncas pedras, falar, o que diríeis!
(...) A Harpa do Crente (1837) , Alexandre Herculano
(versão integral aqui)
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26.7.04

Provérbio 1

"Arde o fogo segundo a lenha do bosque."

Depois do fogo


De Silves a Monchique (agosto 2003)

Esperando o fogo


foto: manueladlramos - Jovem plantação de pinheiros mansos em Odeleite (Agosto de 2003).

Foi com verdadeiro receio que atravessei esta extensa zona de plantações de pinheiro manso, no pino do verão do ano passado, enquanto o fogo lavrava no concelho vizinho. Não se via ninguém! Ninguém, mas mesmo ninguém!
Mas quem esperava eu ver? Nem sei bem... talvez alguém com um certo ar de quem estivesse a vigiar, por mera precaução. Sei lá! Também o mato já tinha invadido tudo... Não é preciso ser adivinh@, ou grande especialista para prever que todos estes jovens pinheiros foram ou irão ser pasto das chamas!

25.7.04

Fogo em Monchique


Na estrada de Alferce
O fogo voltou à serra! De Monchique e de muitas outras por Portugal fora. Vivi quatro anos nessa serra, longe de todas as "comunidades" de um apartamento na cidade (como dizia a minha querida vizinha Srª Maria), mas perto de outros bens mais preciosos. Nesses tempos os meus sonhos eram serranos!
E a serra está a arder outra vez! (ver notícia) E incontrolavelmente! Não é de admirar pois está desprezada, devido aos proprietários ausentes, ao descuido dos presentes, por falta de mão de obra, envelhecimento das populações, má gestão das autoridades (in)competentes, etc., etc., etc..
Por entre o "mato" que cresce por todo o lado destacam-se as acácias que se vêem, na fotografia, a "abafar" um sobreiro. Estavam e estão por todo o lado, mesmo perto dos caminhos e das casas. Em baixo, a fotografia não retrata um qualquer canto escuso na serra! Foi tirada, entre os dois grandes fogos do Verão passado, do parque de estacionamento das Caldas de Monchique! O que se vê? Acácias!
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fotos: mdlramos 0308
...Caldas de Monchique - Acácias invasoras
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Dong - Este


O sol a nascer por entre as árvores  
in Fun with chinese characters (Singapore: Federal Publications, 1980) 
Anteriores : Ben - Raiz , Xiu - Descanso , Mo - Extremidade

24.7.04

O nascer do sol

«A casa em que nasci, Marianinha,
está voltada a Su-sueste
e tem à frente um cipreste
de atalaia à seara e vinha.   
(...)  
Manhã cedo, rompe a cantata,
nas árvores de fruto e pela mata.
- Sol, Sol !- trauteiam os pardais,
tordas, melros e verdiais.
- Sol, Sol!- pede o tuinho na balsa
e o auricu que apagou o candil na salsa.
 
E o Sol ergue-se por detrás dos montes,
e lá vem, sem olhar a vias nem pontes,
triunfal, contente como um ás,
com sua capa de arcebispo primaz.
 
Quem não ouve decerto sente
que vem salvando: --- Olá, boa gente,
pássaros a voar e no ninho
fonte, e tu a ladrar, cãozinho,
para que abram e nos deixem entrar.
 
Olá, meu amigo carvalho,
à minha espera no festo da colina,
e, no almarge, o carneiro do chocalho,
o cabrito, a cabrinha e até o chibo,
ronda-vos o lobo, mas sopro a neblina,
e vai mais longe buscar o cibo.
Salve, amigos, haja fartura e alegria!
 
Rompe logo um coro em tom maior:
---Viva lá o magnífico senhor
Bem haja quem nos traz tão bom dia!-
soltam pintassilgo, pisco, cotovia,
no seu voo alto corvo e açor,
na horta chasco, pisco e tralhão,
pelos restolhais o perdigão,
no pinhal rola e cavalinho,
e associa-se o mágico do cuquinho, 
cu-cu, cu-cu, cu-cu, cu-cu.
 
O mundo fica doirado como um pagode,
despem árvores e arbustos
os véus de noite mal justos,
e não soam mais de frios queixais.
  (...)»

Aquilino Ribeiro in O livro de Marianinha (1967)
Bertrand Editora, Lisboa, 1993 (2ª edição)

23.7.04

Sâmara - time

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22.7.04

Salix viminalis


In Flora von Deutschland Österreich und der Schweiz -Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé . Gera, Germany, 1885 © 1999, Kurt Stuber

21.7.04

Salgueiro - Cancioneiro Popular

«O salgueiro pega de estaca
O amieiro de raiz
Não te gabes que me deixaste;
Fui eu que te não quis.»

Salix in Vigier



«Espécies.
Há de várias espécies, de grandes que se chamam Salgueiros & de pequenos chamados Vimes.

Descrip. & Lugar.
São comuns em todas as ribeiras e lugares húmidos.

Virtd.
A casca, as folhas, a semente são adstringentes e refrigerantes, dá-se o cozimento em bebida para mitigar os ardores de vénus e as hemorragia: também faz-se lavatório para conciliar o sono e nas febres ardentes. O cozimento da semente ou fruto é bom para os que escarram sangue; a casca tem a mesma propriedade. O fungus salicis seco a calor lento reduzido em pó tomado em caldo de goma muito ralo repetidas vezes ou quotidianamente ao peso de uma oitava, é simgular remédio para os hécticos» (grafia actualizada)

Salix in Historia das plantas da Europa e das mais uzadas que vem de Asia, Africa & America - Joaon Vigier (1718)






(foto: manueladlramos- exemplardo do fundo antigo da biblioteca do departamento de Botânica da UP))

20.7.04

"Agricultor Instruído" 1

«Das enfirmadades das arvores, e seus remedios
Se as arvores enfermarem por terem demaziado fruto (diz Escocio famoso Ortelaõ Grego) que faraõ huma capella de avêa com suas raizes, e a poraõ à roda do tronco da arvore, ou tomeraõ caranguejos do mar, e os poraõ no contorno do tronco; e os apertaraõ com uma pasta de chumbo.
Se as flores, e folhas cahirem da arvore, lhes lançareis nas raizes, cavada primeiro mui bem a terra, palha de faveiras desfeita com agua.
Se alguma arvore estiver enferma, lhe regareis as raizes com borras de azeite misturadas com agua partes iguaes, ou com borras de vinho velho, ou agua cozida com tremoços.
Guardareis as arvores de qualquer damno, que lhes póde sobrevir, regando-lhe as raizes com fel de boi, e tornando-as a cobrir, ou tomando palha de favas, e outros legumes, misturada com a de trigo, se fará o que assima fica dito.
Guardareis as arvores da pulilha, bichos ou lagartos, plantando cebolas albarrans em contorno das ditas arvores, e pondo-lhes da mesma sorte raminhos de pinho, cahiraõ os bichos, ou untareis com fel de boi a raiz da arvore.»

In Agricultor instruido com as prevençoens necessarias para os annos futuros, recupilado de graves autores e dividido em tres partes - Fr. Theobaldo de Jesu Maria. Lisboa : por Pedro Ferreira 1730. p.111-112

Numa altura em que a C.M. do Porto anda a abater as árvores da cidade que, segundo o estudo fitossanitário feito pela UTAD, se encontram doentes e maltratadas, fica aqui esta sugestão de um tratamento alternativo ao abate sistemático.
Eu vou já solicitar no café da esquina que me guardem a água de cozer os tremoços e nas férias que se avizinham já está na minha lista de prioridades "colher bolbos de cebolas-albarrãs (Urginea maritima)"!

Para quando o acesso a esse tão importante e inovador estudo fitossanitário sobre as árvores do Porto? Porque desprezar por completo a opinião pública e não anunciar devidamente os abates de árvores previstos? Mais cortesias do progresso...

19.7.04

Cortesias do progresso

«Leça era noutro tempo uma terra à parte no mundo, de ingleses velhos, de poetas e de marítimos. Tinha um velho forte transformado em hotel, ruas misteriosas e casas com degraus de pedra para os grandes portões vermelhos, que nunca se abriam, e um fio de rio - o mais feliz do mundo - onde a água corria devagar entre salgueiros, parando, cismando, reflectindo a camada de folhas, umas verdes, outras de oiro. Vinha de cima dos pinheirais isolados e acarretava folhas; vinha dos campos de milho e cheirava a bravio; vinha dos açudes onde as lavadeiras cantam e trazia consigo o eco das risadas. Embalava o barco do Montalvão, que, no fundo da caverna, sonhava, de barriga para o ar, a mais bela obra do mundo. (...) Descia, estremecia (...), parava entre as árvores que se fechavam em cima formando uma abóbada, e acabava em fim por fazer mover o velho moinho de ao pé da ponte. (...) E sentia-se que o rio tinha pena de acabar. Estava cheio de versos, de cantigas, de silêncio, entontecido e quase humanizado. (...)
Hoje quase tudo isto desapareceu: por Leça passou um terramoto. O rio, sem o Montalvão e sem as árvores, perdeu todo o encanto. Tenho medo de lá tornar, como tenho medo de ir à Foz: por toda a parte vejo fantasmas. (...) Só o mar inalterável conserva a mesma beleza e a mesma tragédia.»


Raul Brandão, In Livros e Escritores, 1923, e Seara Nova, 1928

Abraçando a árvore


Abraçando um Prunus cerasifera
no Jardim da Escola Superior de Belas-Artes (Porto)

18.7.04

Retratos da família

«Uma árvore! Pintar a grande macieira do meu quintal!... Mas só eu que a adoro e que às vezes, sozinho, a abraço, é que, se soubesse, a poderia pintar. A minha macieira é uma pessoa: tem a sua feição, carácter: de Inverno, nua e trágica, conversa com estas ásperas ventanias do mar largo; na Primavera, cheiinha de flor, tem galhos que enternecem. E às vezes no Inverno, de tonta, acontece (se é tão velha!) deitar um ramo, um único, onde as flores pousam de leve como borboletas - e todas as crianças que passam ao pé do muro se põem a rir para ela!...»

Raul Brandão, In Revista d'Hoje, 1895

No dicionário - Epítetos para árvores

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Selecção da rubrica "Árvore" do Dicionário da Academia, 1793 (grafia actualizada)
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Agreste. Agricultada. Alegre. Alta. Altiva. Anosa. Antiga. Aprazível. Aromática. Assombrada. Baixa. Basta. Bela. Boa. Bravia. Carregada com frutos. Carregada de pomos. Cavernosa. Cheirosa. Copada. Copiosa de ramos. Crescida. Decotada. Deleitável à vista. Deleitosa. Delgada. Deliciosa. Desramada. Destroncada de ramos. Doméstica. Eminente. Engraçada. Erguida. Espessa. Espinhosa. Estendida. Estéril. Estranha. Excelente. Extraordinária. Fecunda. Fértil. Florida. Fogosa. Formosa. Forte. Fresca. Frondífera. Frondosa. Fructífera. Fructuosa. Generosa. Graciosa. Grande. Grossa. Humilde. Inculta. Infructífera. Infructuosa. Lindíssima. Má. Mal assombrada. Mansa. Mimosa. Montezinha. Murcha. Nova. Odorífera. Opaca. Pequena. Peregrina. Poderosa. Pomposa. Preciosa. Proveitosa. Ramada. Ramalhada. Ramosa. Robusta. Rústica. Salutífera. Saudável. Saudosa. Seca. Segura. Selvática. Serôdia. Silvestre. Solitária. Sombria. Subida. Tardia.Temporã. Tenra. Velha. Verde. Vestida de folhas e flores.
Vetusta. Viçosa. Vistosa. Vital. Umbrosa.
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17.7.04

Mo - Extremidade, fim

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Mo - tip, end
in Fun with chinese characters (Singapore: Federal Publications, 1980)
Anteriores: Ben - Raiz , Xiu - Descanso
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16.7.04

«I willingly confess to so great a partiality for trees as tempts me to respect a man in exact proportion to his respect for them.» - James Russell Lowell

Mata da Pasteleira

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Foto: © manuela dl ramos julho 2004- Mata da Pasteleira

Apetece perguntar "where are all the people?" ou, presumindo que está tudo a trabalhar, perguntar então "onde estão as crianças" ?
Não é muito difícil imaginar como se poderia encontrar esta cuidada mata, em algumas outras cidades. Aqui parece "abandonada" (como diz uma amiga) pelas pessoas. Terão ido todos para a praia?
Pinheiros, sobreiros, jovens tulipeiros (...) e até uma figueira ao pé do lago! Ao todo são cerca de mil, as árvores deste espaço, como informou um grupo que encontrei-constituido por dois monitores (da Divisão de Parques e Jardins da CMP) e três jovens- e que fez recentemente essa inventariação, no âmbito de um programa de ocupação dos tempos livres do Instituto Português da Juventude.
(Estranhei serem tão poucos... Parece ter sido uma questão de verbas. Mas isso é outra história. Ou não será? Ou terá no fundo também a ver com a deserção da maioria dos jardins e parques?)

. Foto: © manuela dl ramos julho 2004- Mata da Pasteleira

15.7.04

"Boosco Deleitoso"

«Este livro é chamado Boosco Deleitoso porque, assi como o boosco é lugar apartado das gentes e áspero e êrmo, e vivem enele animálias espantosas, assi eneste livro se conteem muitos falamentos da vida solitária e muitos dizeres, ásperos e de grande temor pera os pecadores duros de converter. Otrossi, em no boosco há muitas ervas e árvores e froles de muitas maneiras, que som vertuosas pera a saúde dos corpos e graciosas aos sentidos corporaes.
E outrossi há i fontes e rios de limpas e craras águas, e aves, que cantam docemente, e caças pera mantimento do corpo.»

in Boosco Deleitoso (1515) (Edição crítica de Augusto Magne, Rio de Janeiro : Instituto Nacional do Livro, 1950)

14.7.04

O nosso jardim de Sophia

...

Foto: mdlr 0203 -Rapariga de bronze - Botânico (Porto)
Dizem que esta graciosa estatueta, no Botânico do Porto, terá inspirado "o rapaz de bronze" a Sophia de Mello Breyner Andresen que em criança brincou nestes jardins da então Quinta do Campo Alegre.
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«Era uma vez um jardim maravilhoso, cheio de grandes tílias, bétulas, carvalhos, magnólias e plátanos. Havia nele roseirais, jardins de buxo e pomares. E ruas muito compridas, entre muros de camélias talhadas.(...)»
in O Rapaz de Bronze, 1958
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Hoje é o "nosso" jardim de Sophia. Felizmente acessível para passeios encantados.
Pena é o ruído da estrada construída «no campo com trigo e papoilas, e (...) pinhal onde entre mimosas e pinheiros cresciam urzes e fetos»!
Efeito do "avassalador avanço ... do chão asfaltado", como diz Gonçalo Ribeiro Telles temendo pela paisagem que se avista do jardim da poetisa, em Lisboa! (Ver transcrição aqui).

13.7.04

Pinheiro do Paraná #1

Fotografia: S. Miguel de Seide > - Famalicão
A araucária-do-Brasil (A. angustifolia) não é tão frequente em Portugal como a sua congénere Araucaria-de-Norfolk (A. heterophylla) , mas vai-se encontrando em algumas quintas e jardins, sobretudo no Norte.
A designação actual da espécie, que já foi denominada A. brasiliensis, deve-se ao facto das suas folhas serem estreitas ("angusti" em lat.).

No Brasil, onde aparece nada menos do que na bandeira de um estado (Paraná) e de sete municípios (Araucária , Curitiba, Ibaporã , Irati , Pinhalão , S. José dos pinhais ), são muito variadas as suas denominações, podendo citar-se entre outras: curi, curiúva, pinheiro-araucária, pinheiro-são-josé; os nomes mais correntes em Portugal são araucária do Brasil, pinheiro-brasileiro e pinho ou pinheiro do Paraná.
O nome da capital deste estado, Curitiba, deriva justamente da expressão em língua tupi: "curi" (pinheiro ) e "tiba" (muito, abundante).

Enquanto que a nossa preocupação pelos exemplares que vão resistindo à urbanização e destruição dos jardins pode ser considerada um tanto ou quanto diletante, no Brasil o assunto é bem mais sério e prende-se com a sobrevivência das florestas originais.
Ver por exemplo: S.O.S Araucárias
......................................................................................................................................
"Paraná" - Através do Brasil ; "O maior e mais belo exemplar ..." (em Portugal)

Araucária-do-Brasil sobrevivendo


Araucária-do-Brasil - rua do Barão de S. Cosme (Porto)

No jardim e casa desertados este belo pinheiro-do-Paraná (um dos outros nomes da Araucaria angustifolia) não tem os seus dias assegurados.
Ao longe, entrevê-se a ramagem de um cedro do jardim da Escola Superior das Belas-Artes.

Ver: "O maior e mais belo exemplar ..." (em Portugal)

12.7.04

Araucárias - Cedofeita

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foto: manueladlramos 0404
A dona morreu, as árvores ficaram.
Bem apetece entrar para melhor apreciar as araucárias centenárias (e outras árvores) do antigo jardim da Baronesa do Seixo, na rua de Cedofeita (Porto).
Ao fundo uma araucária da Austrália (Araucaria bidwillii) e em segundo plano uma araucária de Norfolk (Araucaria heterophylla).
Além das araucárias, há lá o maior metrosídero do Porto: uma árvore fabulosa, com múltiplos troncos que se desenvolveram a partir de raízes aéreas; um jacarandá monumental e um conjunto de gingkos verdadeiramente original.
O jardim, agora parte de um condomínio privado e por isso inacessível ao público, data da década de 1870, e foi um dos jardins particulares desenhados pelo alemão Emílio David, autor dos jardins da Cordoaria e do Palácio de Cristal.
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Figueira - Cancioneiro Popular

Da figueira nasce o figo,
Do figo nasce a ciência;
No bom pano cai a nódoa,
Caíu em mim: paciência.
(Faro)

Mais valia ser figueira,
Enxertada num valado,
Que rapariga solteira
Empregada num soldado.
(Mexilhoeira Grande)

Nunca vi figueira negra
Dar figos pela raiz.
Nunca vi rapaz solteiro
Cumprir as falas que diz.
(Espiche)

Muito fumo, pouca chama
Faz a raiz da figueira:
Vens cantar com presunção,
Daqui não levas bandeira!
(Castro Verde)

in VASCONCELOS, José Leite de - Cancioneiro Popular Português.Coimbra : Universidade (Acta Universitatis Conimbrigensis, 1975.

Figueira - Arrábida


Figueira no Inverno - Arrábida
A dona morreu, figueira ficou...

11.7.04

À figueira da Quinta de S. Pedro, pedindo à sua dona que nunca a deixe morrer

«Na profusão dos gestos, a presença: a figueira.
Merecia ir à piscina tomar banho, a figueira.
Merecia mais que muita gente,
que, semovente,
passarinheira,
não passa afinal de estar à beira.

Com seus braços,
nadaria, ao mesmo tempo, em todos os sentidos,
seria a presença inteira
(...)

- Generosa figueira,
quando estiveres doente quem te deita?»

Alexandre O´Neill, Coração acordeão (1973)

Metamorfoses

«Na campina deserta e silenciosa havia
Uma árvore só. (...)
Tinha um século já. (...)

Uma vez encontrei - surgia a madrugada
No horizonte inflamado - a árvore derrubada.
(...)Ela que resistira
Ao frio, à chuva, ao sol, aos vendavais, caíra
Aos golpes do machado em ímpeto leonino...
(...)

Hoje, quem sabe lá que vento ou que destino
Te levou pelo mundo em frágil desatino,
Saudoso do lar, dos bosques, do arvoredo?
Sozinho, abandonado à noite dum degredo,
Quem sabe se tu és, ó roble destruído,
A tábua a que se chega o náufago perdido,
Um berço, um cadafalso, um túmulo, um altar,
Ou se andas pelo céu no fumo dalgum lar?...
»

António Feijó, Poesias Completas

O carvalho viajante

«As folhosas exóticas vieram para a Nova Zelândia com os primeiros colonos europeus, saudosos do aconchego do conhecido numa paisagem marcadamente diferente da de Inglaterra. O carvalho-comum, Quercus robur, foi um dos primeiros a chegar, com os missionários por vezes empacotando um pequeno saco de bolotas juntamente com bíblias e outros artigos de necessidade. O mais velho sobrevivente desses carvalhos pioneiros é um espécime soberbo, vegetando orgulhosamente num prado perto de Waimate North. Segundo os registos, esse carvalho foi plantado, como bolota, a 15 de Fevereiro de 1824, pelo Reverendo Richard Davis, perto da sua casa de missão em Pahia. Quando uma noite a casa se incendiou, o reverendo terá concentrado os seus esforços no salvamento do seu precioso carvalho, cobrindo-o com mantas molhadas. A casa foi destruída. Quando Davis foi transferido para Waimate North em 1831, o carvalho foi cuidadosamente transplantado para o local onde hoje se encontra.»

Do prefácio de Julian Matthews ao livro The trees in New Zealand - Exotic trees: the broadleaves de J. T. Salmon (Reed Books, 1999)

********

O livro inclui uma foto desse histórico carvalho, no meio de um prado, com amplo espaço para expandir a sua vastíssima copa. Em Portugal, onde o Quercus robur é espontâneo, não temos árvores assim tão felizes: ora as trucidamos com podas, ora as sufocamos com asfalto ou cimento, ora lhes negamos espaço para se desenvolverem.

Já pensaram? Também as nossas árvores precisam de emigrar para se mostrarem em todo o seu esplendor.

A canção do carvalho

SONG OF THE OAK

The druids waved their golden knifes
And danced around the Oak
When they sacrificed a man;
But though the learned search and scan
No single modern person can
Entirely see the joke.
But though they cut the throats of men
They cut not down the tree,
And from the blood the saplings sprang
Of oak-woods yet to be.
But Ivywood, Lord Ivywood,
He rots the tree as ivy would,
He clings and crawls as ivy would
About the sacred tree.

Great Collingwood walked down the glade
And flung the acorns free,
That oaks might still be in the grove
As oaken as the beams above,
When the great Lover sailors love
Was kissed by death at sea.
But though for him the oak-trees fell
To build the oaken ships,
The woodman worshipped what he smote
And honoured even the chips.
But Ivywood, Lord Ivywood,
He hates the tree as ivy would,
As the dragon of the ivy would
That has us in his grips.

G. K. Chesterton (1874-1936)

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(Dedicado a todos os fautores do nosso progresso)

Padre António Vieira - Analogia com a Árvore

Sobre como há-de ser um sermão:
«Um sermão há-de ser de uma só cor, há-de ter um só objecto, um só assunto, uma só matéria. [...] Não nego nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedades de discursos, mas esses hão-de nascer todos da mesma matéria, e continuar e acabar nela.

Quereis ver tudo isto com os olhos? Ora vêde. Uma árvore tem raízes, tem troncos, tem ramas, tem folhas, tem varas, tem flores, tem frutos. Assim há-de ser o sermão: há-de ter raízes fortes e sólidas, porque há-de ser fundado no Evangelho; há-de ter um tronco, porque há-de ter um só assunto e tratar uma só matéria. Deste tronco hão-de nascer diversos ramos, que são diversos discursos, mas nascidos da mesma matéria, e continuados nela. Estes ramos não hão-de ser secos, senão cobertos de folhas, porque os discursos hão-de ser vestidos e ornados de palavras. Há-de ter esta árvore varas, que são a repreensão dos vícios; há-de ter flores, que são as sentenças, e por remate de tudo há-de ter frutos, que é o fruto e o fim a que há-de ordenar o sermão.

De maneira que há-de haver frutos, há-de haver flores, há-de haver varas, há-de haver folhas, há-de haver ramos, mas tudo nascido e fundado em um só tronco, que é uma só matéria. Se tudo são troncos, não é semão é madeira. Se tudo são ramos, não é sermão são maravalhas. Se tudo são folhas, não é sermão são versas. Se tudo são varas, não é sermão, é feixe. Se tudo são flores, não é sermão é ramalhete. Serem tudo frutos, não pode ser, porque não há frutos sem árvore. Assim que nesta árvore, a que podemos chamar árvore da vida, há-de haver o proveitoso do fruto, o formoso das flores, o rigoroso das varas, o vestido das folhas, o estendido dos ramos, mas tudo isto nascido e formado de um só tronco, e esse não levantado no ar, senão fundado nas raízes do evangelho: Seminarem semen. Eis aqui como hão-de ser os sermões, eis aqui como não são. E assim não é muito que se não faça fruto com eles. »
In Trechos selectos do Padre António Vieira:1697-1897. Lisboa: Typ. Minerva Central, 1897.

10.7.04

Ben - Raiz

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Ben - root, origin, source
in Fun with chinese characters (Singapore: Federal Publications, 1980)
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9.7.04

Choupal de Coimbra

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Choupal em 1922 - Coimbra
Foto da capa da Ilustração Portuguesa, de 16 de Dezembro de 1922
© Fotos de Portugal (http://alfarrabio.um.geira.pt/vercial/fotos)

São os "nossos" mais célebres choupos. Segundo notícias recentes, depois de anos de abandono, a Mata Nacional do Choupal está de novo "aberta à cidade" contando até com um novíssimo circuito de manutenção.
E para terminar insolitamente: a célebre balada Coimbra do Choupal cantada em "brásilêro", acompanhada pelo Trio Boreal!

Os pópulos de Monet

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"Les Peupliers au bord de l'Epte"- Claude Monet, 1891

Talvez sejam os pópulos (não há dúvida que soa bem melhor que choupos) mais célebres da história da pintura ocidental.
Claude Monet começara a pintar estas árvores nos seus diferentes aspectos sazonais, quando soube que iam ser adjudicadas pela autarquia local. O pintor, que ainda não tinha terminado as suas experiências pictóricas, pediu a um madeireiro que as comprasse com a condição de não as abater antes de acabar.
Podem ler-se as próprias palavras de Monet e admirar outros dos seus "peupliers" aqui.

8.7.04

Álamos , choupos, pópulos

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Em Desmundo, o post anterior em que se transcreve um texto de João de Araújo Correia, fala-se de álamos... É uma palavra mais usada na literatura do que no falar comum.
Mas o que são álamos?
Álamo, pópulo ou choupo são as designação vulgares das árvores do género Populus da fam. das Salicáceas (família a que pertence por exemplo o salgueiro-chorão), sendo mais usual a última designação: choupo (alamo em castelhano). O termo faia, que também aparece em nomes compostos para designar algumas destas árvores, induz em erro pois as verdadeiras faias pertencem a outro género.

No livro A árvore em Portugal de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Teles (Assírio & Alvim, 1999. 2ª ed.) são listados como espontâneos em Portugal:
o choupo-branco ou faia-branca (Populus alba),
o choupo-tremedor ou faia-preta (Populus tremula),
o choupo-cinzento (Populus canescens) e
o choupo-negro (Populus nigra).

Mas há outras espécies de choupos, com muitas variedades e híbridos, sendo as árvores mais comuns do planeta, ou não se chamassem elas Populus.

Ver: Árvores do algodão ; Parque da Cidade # 1 ; Choupal de Coimbra

6.7.04

Desmundo

«Abençoado torrão, onde medram árvores deste porte! E novas! São como belas mulheres sadias, bem especadas nas suas colunas. Altas e fortes, não vibram a qualquer pé-de-vento. (...) São árvores honestas. Cheias de riso franco, lembram plácidas virgens saciadas de sol. Oh! Quem me dera a saúde destas árvores!
Namoro-as da janela. Penso que a Régua seria feliz se possuísse e amasse mil árvores assim. À sua sombra viriam acolher-se as almas doloridas. Seria, na escaldada terra duriense, oásis procurado por caravanas sequiosas.
Sem árvores, qualquer povoado é repulsivo. A Régua é linda. Em dias soalheios, vista de longe, do alto desses montes que a circundam, à beira da água, faiscante de jóias, é princesa. Mas... princesa calva! Princesa sem bosques onde corram gamos, sem espessuras onde gemam rolas, sem alfombras que sepultem o ruído dos passos, não é princesa real. É princesa do sabão e do petróleo.
A Régua precisa dum grande mata. A presença de enormes manchas verdes dulcificar-lhe-ia a rudeza nativa, atrairia hóspedes espirituais. Sem árvores, é inóspita como um deserto. Os próprios naturais enriquecidos a abandonam...
A Régua, por honra sua, deve perder o ar de coisa provisória. Deve enraizar-se como povoação definitiva. Plante árvores. A árvore é o símbolo do apego à terra.
Debruçado no peitoril da janelinha, os olhos embebidos na beleza de meia dúzia de álamos e cedros, cismo...
Retirando-me, gabo à dona da casa a regalia daquele postigo, onde, senhora viúva, a qualquer hora pode espairecer.
- As árvores? Nem me fale nisso. Roubaram-me as vistas. Quando o Camilo Guedes foi administrador do concelho, ainda lhe pedi que as mandasse cortar. Nem sei que resposta ele me deu... Paciência.»

João de Araújo Correia, Sem método (1983 - 1ª edição de 1938)

A noite é vasta

«O Sr. Barroso de Moura, regente-agrícola, não errou a vocação. É homem votado à terra, que não pode ver nua. Sente-se bem dentro do seu cargo. Dedica-se à arborização, que elogia e defende como técnico devoto. Sonha com incêndios, que podem destruir, num sopro, todos aqueles pinhais que vão revestindo as serras próximas (...) O Sr. Barroso não come nem dorme sossegado. Come com o fogo e dorme com o fogo. (...). Crê o Sr. Barroso que o fogo das matas é fogo posto. Digo que sim, mas, é difícil surpreender no trabalhinho os incendiários. Só a educação do povo, teimosa como a gota de água em pedra dura, o poderá amolecer no sentido de amar o arvoredo. Mas, onde se hão-de recrutar os educadores? Em mil portugueses, haverá um, por milagre, que não odeie as árvores. A maioria quer tudo amplo...»
João de Araújo Correia, Pó levantado (1970)

À sombra de árvores com história

Finalmente saíu o livro!
«Neste livro falam-se de algumas árvores marcantes da cidade do Porto, fazendo a sua história e a dos espaços onde elas vivem, e invocando as figuras humanas a quem devemos a sua presença. Ao contrário do que sucede noutros livros, onde, falando-se de jardins, se esquece a matéria viva de que eles são feitos, no nosso livro as protagonistas são as árvores. Quanto a pessoas, há três vultos da segunda metade do séc. XIX a quem o Porto e os seus jardins muito devem, e que, por o seu âmbito de acção não ter sido a literatura, a academia ou a política, são injustamente apagados da história da cidade: falamos de Alfredo Allen, José Marques Loureiro e José Duarte de Oliveira Júnior. Dos actos e das palavras destes homens se dá, neste livro, abundante testemunho.»
A edição é da Campo Aberto. Mais informações aqui.
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Adenda:
Referências ao Livro- Na Imprensa:

Agosto 2004- Crónica de Bernardino Guimarães no JN: «Este livro transmite, a quem o lê, isto e muito mais - um valor perene que é preciso salvaguardar: a silhueta das aráucaria-de-Norfolk centenárias, as sequóias-gigantes, os ginkgos (consideradas fósseis vivos), plátanos, tílias, magnólias, carvalhos, cedros do Líbano e do Atlas, casuarianas e ciprestes diversos. As suas vidas - História natural, plenamente dentro da nossa História. Sacrificadas muitas vezes à ignorância e ao novo riquismo, mas resistentes na sua beleza: metrosíderos enfrentando o vento e o mar da Foz, camélias e jacarandás que florescem. A esperança é feita disso.»
Texto completo >aqui.

14 de Setembro de 2004- Recensão no Jornal de Letras : «Excelente livro - diga-se sem hesitações. Além do mais porque, à partida, a sua substância é capaz de deixar indiferentes aqueles que frequentam os escaparates das livrarias, folheando. Ora o livro em apreço o que fala é de... árvores. Não quaisquer: as que têm história. E não de um sítio banal por aí: o Porto. Juntando tudo, temos uma obra preciosa como contributo para a história de uma cidade e, já agora, como contributo também para um maior respeito pelo património. Do património, sim, porque as árvores são dele parte significativa. Sobretudo se, como é o caso, à sombra delas muito podemos aprender, Porque têm a ver com jardins, com homens e mulheres (alguns ilustres) que os frequentaram, com mil outras coisas mais. Louve-se este livro, pois: bem escrito, bem informado (até do ponto de vista científico), bem ilustrado, bem prefaciado (por Manuel António Pina).»

Referências ao Livro- Na Net

Dezembro 2004 - JPP no Abrupto :«A MINHA LISTA DE NÃO-FICÇÃO NACIONAL DE 2004- (Por ordem alfabética) Paulo Ventura Araújo / Maria Pires de Carvalho / Manuela Delgado Leão Ramos- À Sombra de Árvores com História, Porto, Campo Aberto, 2004 ..(Um livro de amadores, no grande sentido da palavra, dos autores do blogue Dias com Árvores, para vermos as árvores e o Porto.) (...) »
...............

Junho 2005 - Francisco José Viegas no Aviz : «Um dia destes, no Livro Aberto, dei com este livro. Tinha andado desatento, mas felizmente a sorte favoreceu-me. O livro é de Paulo Ventura Araújo, Maria Pires de Carvalho e Manuela Delgado Leão Ramos e leva o título À Sombra de Árvores com História (publicado pela Campo Aberto ainda no ano passado, 2004). Eu não sei o que é necessário para que o Porto (a cidade, a Câmara, os portuenses, nunca se sabe) inclua o livro na sua bibliografia fundamental. Mas a verdade é que um livro destes, assim, faz parte da história da cidade. O inventário das árvores históricas do Porto (para quem não sabe, há um inventário de árvores centenárias portuguesas realizado e publicado pelos serviços do Ministério da Agricultura) é um acontecimento e um marco que devia ser assinalado. Eu faço-o com atraso, mas o defeito é meu. Distraído com romances, não tinha dado por estas fotografias de jacarandás, magnólias, metrosíderos, ciprestes, plátanos, araucárias, cedros do Líbano e do Atlas, tílias, carvalhos e ginkgos, tudo espalhado pela cidade, em praças, ruas, jardins, colinas, passeios junto à água do Douro ou do mar. Parabéns ao Dias com Árvores. Oxalá pudessemos merecer essa homenagem, de cada vez que passeamos pela cidade e de cada vez que gostamos de as ver, às árvores.»

(Comentários :que boa surpresa ontem quando fui ao rivoli ver este livro na livraria que aí existe. vitorsilva # posted by Anónimo : 28/11/04 17:16

O protagonismo dado na imprensa a livros sobre a natureza/meio ambiente é diminuto. Veja a publicidade dada a "Guia das Aves" da Assírio & Alvim. Um excelente livro para ofereçer no Natal, por ex..Este livro é excelente, principalmente para portuenses amantes das Àrvores, e que lindas que existem no Porto! Um belissímo livro este!(também sou um principiante...)Parabéns aos autores e à Campo Aberto. # posted by Anónimo : 22/12/04 22:22

Uma pedrada no charco que é no fundo o marasmo ou cinzentismo das edições nacionais. Cinzentas de facto como os cubos de granito da Av dos Aliados!!!Livros de promoções pessoais e pouco mais já pouco interessam às novas gerações.
Este livro - "à sombra de árvores com história" promove a preservação do património arbóreo e paisagístico não só portuense como transmite e divulga o infinito gosto pelas árvores que todas as pessoas podem cultivar em si mesmas.Só espero que outros editores abram os seus horizontes e promovam conteúdos como o deste livro. Parabéns a todos os responsáveis.
Mário Pessegueiro # posted by Mário Pessegueiro : 27/8/05 18:59 )

Árvores monumentais do Algarve

«Se nestas férias, nos seus passeios, estiver no Sul do país não deixe de fazer uma visita a algumas das árvores monumentais do Algarve. Muitas estão arredadas do bulício estival, outras estão mesmo à berma das estradas ou no centro das vilas... »

«o nome da árvore»


«o nome da árvore» Posted by Hello
São uns livrinhos extremamente bem feitos que contam as histórias de cada árvore. Referem-se com destaque aos usos e costumes relacionados com a França (país aliás com grande tradição na área da arboricultura)mas não se reduzem a esse aspecto. Esta colecção iniciada (ed. Actes du Sud) em 1997 já tem cerca de duas dezenas de livrinhos publicados. A Temas & Debates edita desde 2003 a versão portuguesa destes pequenos manuais, na colecção homónima "o nome das árvores".

5.7.04

Parque de S. Roque

Sempre que lá vou fico com pena de não viver mais perto!
É um dos mais belos jardins do Porto. Quatro hectares resguardados, ajardinados:
um local verdadeiramente aprazível!
Tem um pequeno parque infantil e pode levar-se o cãozito da família também.
(não esquecer um saquinho para apanhar as "necessidades")
Um lugar de eleição para as manhãs e tardes das férias.

Do site de turismo da CMdoPorto dedicado aos Parques e Jardins
vem esta sugestão para um percurso:
«50 minutos no Parque de S. Roque (4º Passeio)
O Parque de S. Roque, antiga Quinta da Lameira, abriu ao público em 1979. Adquirida pela Câmara Municipal à família Ramos Pinto/Calém, a propriedade de quatro hectares possuí uma bonita casa apalaçada.
Comece o passeio a partir do portão existente na travessa das Antas (1). O parque apresenta logo à entrada uma fresca e frondosa mata. Siga o caminho central até uma pequena elevação com bancos de pedra - o Coreto (2). Retome o percurso por um trilho que passa por duas pontes sobre o lago. Por uma descida acentuada chegue a uma clareira com uma magnífica vista sobre o Douro e a zona do Freixo: está na Alameda Principal (3). Percorra toda a alameda, ladeada de belos relvados, e desça até encontrar uma zona de estadia. Neste largo avista as ombreiras de um portão (4) que demarcam a entrada nos jardins mais formais. Vire à direita por uma escada até às plataformas relvadas, onde existe um lago e um parque infantil. À sua frente surge um gracioso labirinto de buxo (5). Deixe-se guiar pelos trilhos deste jardim e divirta-se a descobrir a sua saída. Siga em frente e contorne um jardim rectangular com muitas variedades de cameleiras (6). Passe, então, para outro jardim adjacente à casa amarela, muito recortado com pequenos lagos, fontes e repuxos. Desça pela esquerda, pelas escadas, para admirar a fachada frontal do edifício. Está-se na rua S. Roque da Lameira (7), e aqui termina este passeio. Se veio de transportes públicos, dirija-se à próxima paragem desta rua. Caso tenha utilizado o transporte individual prepare-se para a íngreme subida, retemperando forças na casa de chá.

INDICAÇÕES ÚTEIS
Ponto de Partida: travessa das Antas
Extensão: 1,2 km
Transportes públicos (de chegada): autocarros 6, 22 e 78
Estacionamento: travessa das Antas
Locais de repouso: bar e esplanada da casa de chá
Horário: Outubro a Março - 9h/19h
Abril a Setembro - 9h/20h»

Red Flowering Gum


Foto: mdlramos 0407 - Eucalyptus ficifolia na Avenida da Boavista (ver outra foto da mesma árvore)
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Os eucaliptos (tal como os metrosíderos e as melaleucas) pertencem à famíla das Mirtáceas.
Nas flores destas árvores os estames (e não as pétalas) são coloridos e vistosos.
O nome científico desta espécie de eucaliptos era Eucalyptus ficifolia tendo no entanto passado a ser referido nos livros da especialidade por Corymbia ficifolia.
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Eucaliptos vermelhos


Foto: mdlramos 0406 - Buganvília e eucalipto em flor na Av. da Boavista
Ainda os jacarandás estão em flor... e já começa a ronda dos eucaliptos vermelhos (Eucalyptus ficifolia)!

Jacarandá em flor- S. Roque

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Foto: mdlramos 0407- Parque de S. Roque (Porto)
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Ainda os jacarandás estão em flor... e já começa a ronda dos eucaliptos vermelhos!
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Verde e Vermelho

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Foto: mdlramos 0406 - Av. da Boavista, Porto
Folhagem verde de magnólia e floração de Eucalyptus ficifolia
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4.7.04

Nike- Vitória- Dea Palmaris

«Le Palmier- (...) Les Orphiques vénéraient spécialement le palmier comme un arbre immortel, qui ne vieillit point. C'est pourquoi, comme symbole de toute immortalité et spécialement de l'immortalité de la gloire, on en a fait l'insigne de la déesse Nikè ou Victoire, appelée aussi Dea Palmaris.» in La Mythologie des plantes, de Angelo De Cubertatis (Milano : Arché, 1976. Reprodução da edição de 1882)

Palmeiras em Vilar d'Allen

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Quantas palmeiras é preciso para fazer um palmar (ou palmeiral)?

Em Villar d'Allen (quinta particular com viveiros abertos ao público) encontram-se as mais espectaculares palmeiras do Norte. Nomeadamente umas Jubaea chilensis (spectabilis era como se chamavam dantes).


Na primeira foto pode admirar-se também uma belíssima araucária-da-Austrália ou da-Queenslândia (A. bidwillii), da mesma espécie e da mesma idade (ca 140 anos) que a araucária do Jardim da Cordoaria.
ver Quinta de Villar d'Allen em Abril
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Coroa de palmas

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Foto: mdlaramos - Palmeira-das-Canárias (Phoenix canariensis)

Post puxa post... A propósito de Rés-do-céu e do belo texto de Raul Lino

3.7.04

Rés-do-céu

«Além de tudo, para mim, a garbosa palmeira revela a evidência flagrante de leis naturais, o que representa sempre uma atracção. É que vejo na sua copa, inscrita numa circunferência, regular como um mostrador, o símbolo da vida humana, que aí se desenha claramente quase à maneira de diagrama. As últimas folhas, as mais novas, irrompem do centro do disco, que é o núcleo vital da planta, e lançam-se com ímpeto em direitura para o alto, como se quisessem conquistar o espaço azul. Mas em tanto estes sucessivos rebentos se desenvolvem a pouco e pouco, na mesma medida e ao peso das suas próprias ambições frustradas vão-se as folhas inclinando para os lados e encurvando, à semelhança e concordância com as outras folhas já mais velhas, até que, sem sairem do âmbito circular - imagem do globo em que mourejamos -, de tanto ceder e abdicar acabam a roda apontando cada vez mais para terra, onde por fim se vão precipitar em plena decadência. Assim se perfaz e completa o ciclo perfeito (...), enquanto do alto da árvore não cessam de brotar renovados rebentos, confirmando dia a dia a continuidade que encerra o mistério do nosso destino.»
Raul Lino, Não é artista quem quer, 1963

As pequenas coisas

On the Enjoyment of Unpleasant Places

When we cannot think ourselves into sympathy with the great features of a country, we learn to ignore them, and put our head among the grass for flowers, or pore, for long times together, over the changeful current of a stream. (...) We begin to peep and botanize, we take an interest in birds and insects, we find many things beautiful in miniature. (...) I have often been tempted to put forth the paradox that any place is good enough to live a life in, while it is only in a few, and those highly favoured, that we can pass a few hours agreeably. For, if we only stay long enough, we become at home in the neighbourhood. Reminiscences spring up, like flowers, about uninteresting corners. We forget to some degree the superior loveliness of other places, and fall into a tolerant and sympathetic spirit which is its own reward and justification.

Robert Louis Stevenson (1850-1894)

Xiu - Descanso


Xiu - rest, cease
in Fun with chinese characters (Singapore: Federal Publications, 1980)
Ben - Raiz ,Mo - Extremidade , Dong

2.7.04

Paisagem

Sophia de Mello Breyner Andresen
6 de Novembro 1919 -2 de Julho de 2004

foto: manueladlramos 0404 - Rua de Gondarém (Foz-Porto)

Paisagem
Passavam pelo ar aves repentinas,
O cheiro da terra era fundo e amargo,
E ao longe as cavalgadas do mar largo
Sacudiam na areia as suas crinas.

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,
Era a carne das árvores elástica e dura,
Eram as gotas de sangue da resina
E as folhas em que a luz se descombina.

Eram os pinheirais onde o céu poisa,
Era o peso e era a cor de cada coisa,
A sua quietude, secretamente viva,
E a sua exaltação afirmativa.

Era a verdade e a força do mar largo,
Cuja voz, quando se quebra, sobe,
Era o regresso sem fim e a claridade
Das praias onde a direito o vento corre.


Sophia de Mello Breyner Andresen
In : Poesia (1944)

Jacarandá e ligustro em flor

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Foto: madlaramos 0407 - Jacarandá e ligustro em flor - jardim particular
Fotografia tirada do último piso da Biblioteca da FLUP.

Os nomes das árvores -Ligustro

Ligustro é a designação indiferenciada para as árvores e arbustos do género Ligustrum da família das Oleáceas. Derivado de ligar, o termo deve-se à flexibilidade dos ramos mais jovens que davam para ligar, atar. Também são conhecidos por alfenheiros (ou alfeneiros).

Apenas uma espécie é originária da Europa: o Ligustrum vulgare, muito utilizado para sebes, e cujas folhas, ramos e frutos eram tradicionalmente usados para tingir. São chamados também santantoninhas pois costumam estar em flor em Junho, pela altura do Santo António.

Os outros ligustros maiores, de porte arbóreo (mas nunca acima de cerca de 10 metros) são de origem asiática. O Ligustrum lucidum (do Japão, China e Coreia) é o mais comum e é também o mais alto de todos; tem as folhas brilhantes, sendo por isso chamado em inglês glossy privet.

O Ligustrum japonicum (Japão e Coreia), tem as folhas de bordos avermelhados.

Ao Ligustrum sinensis, está ligado um português: o padre jesuita João de Loureiro (1710-91) a quem se deve a primeira descrição da espécie, por um ocidental, na sua Flora Cochinchinense >.

Em catalão chamam oliveretas aos ligustros por causa dos pequenos frutos, bagas negras azuladas, que fazem a delícia dos pássaros e ... de quem os fica a observar.
..............
Imagem original in Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé Flora von Deutschland, Österreich und der Schweiz, 1885 (in > BioLib-Library of biological books)

Mais apontadores externos: Privet in Wikipedia > ; Ligustrum sinense > in Dave's Garden ; Troène > in Les arbres e > in Au jardin, conseils en jardinage.

1.7.04

Árvores de Julho na cidade

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Pois... a resposta para "Quais são as árvores de Julho?" poderia ter sido outra pergunta : "Na cidade ou no campo?" (Árvores da cidade e árvores do campo...onde é que já ouvi isto?)

Na cidade, e para já: os ligustros, decidamente, porque também estão em flor!
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Ligustro em flor


Foto: manueladlramos 0307 - Ligustro em flor- Largo D. Joao III (Porto) ; ao lado uma Grevillea robusta

Obras de Julho conforme o "Almanaque do Horticultor"

«Arvoredo--Continuam os cuidados do mês anterior*, tais como as palissadas e cortamento dos rebentões com a unha. É também o tempo próprio de cortar os ramos das amoreiras, quebrados com a colheita da folha, e dá-se-lhes uma segunda sacha.»
in Lunário e Prognóstico Perpétuo para todos os Reinos e Províncias por Jenonymo Cortez Valenciano. Porto : Lello & Irmão, 1980. (obra original da primeira metade do séc. XVIII)

*«Se depois de uma abundante florescência as árvores estiverem sobrecarregadas de frutos, é conveniente suprimir-lhe uma certa quantidade; mas essaa operação deve ser feita ao depois que as árvores tenham espontaneamente expulsado aqueles que não podem nutrir, o que sempre acontece depois da formação das pevides ou caroços.
Devem também suprimir-se os rebentões supérfluos das cerejeiras, damasqueiros, e das árvores de caroço formadas em latada.-Continuam-se as regas, em caso de securas, das árvores plantadas na Primavera.-Começa neste mês a colheita dos frutos vermelhos (cerejeiras e gingeiras), devendo empregar-se todo o cuidado em poupar os olhos do fruto para o ano futuro.
Neste mês colhe-se os pêssegos e as pêras do cedo.
Estas, assim como todas as outras frutas, e para a conservação destas e dos frutos, o melhor é apanhá-los à mão quando seja possível, ou, em último caso, com uma espécie de cestinho colocado na ponta do pau.» (id.,p.82)

Árvores de Julho

Quais são as árvores de Julho? Ando desde ontem a pensar nisso.