27.8.05

Jerivá



Fotos: pva 0508 - Prado do Repouso: Syagrus sp. (em primeiro plano à esquerda; pormenor da coroa à direita) e Washingtonia filifera

A entrada norte do Prado do Repouso é pontuada por 7 palmeiras centenárias, de belo porte, que acentuam o carácter de cemitério-jardim deste espaço. Estão dispostas em fiadas distintas, duas de sentinela mesmo junto ao portão e as restantes mais atrás, a descrever meia lua.

Cinco destes exemplares são da espécie Washingtonia filifera, com folhas em leque, enfeitadas de filamentos que dão o nome à espécie, e uma saia na coroa formada pelas folhas secas que permanecem presas ao espique. É conhecida por palmeira-de-saia-da-Califórnia, nome que também alude à sua região de origem.

As outras duas são do género Syagrus e, julgamos, da espécie romanzoffiana; a ser assim, daqui a pouco tempo a inflorescência que se vislumbra numa das fotos - protegida por grossa bráctea em forma de colher, lenhosa e sulcada na parte externa - transformar-se-á numa espectacular «crina de cavalo» amarela, pendente e penteadinha. Esta espécie, de nome vulgar jerivá, é muito cultivada com fins paisagísticos no sul do Brasil e por isso temos esperança que algum amigo brasileiro nos confirme esta identificação. (Ao lado vê-se o fruto, que tem cerca de 2,5 cm de comprimento e 1,5 cm de espessura.)

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3 comentários :

Robson Freire disse...

Permita-me opinar...
Pelas fotografias que vejo, de fato, parecem ser "Palmeiras-Jerivá" (Syagrus romanzoffiana).
O aspecto da ramagem, da "cabeça" que elas apresentam me levam a crer que sejam a dita palmeira.
Não consigo, porém, reconhecer o fruto apresentado como concludente.
Possivelmente o fruto esteja "seco", já envelhecido, portanto, desidratado e sem o aspecto que deve apresentar quando fresco, recém-caído da planta-mãe.
Digo isso porque existem outras espécies de palmeiras que apresentam o fruto (coquinho) já com esta mesma coloração e textura ainda quando frescos, presos ao cacho.
O frutinho da Palmeira-Jerivá é de uma coloração muito viva, amarelo-ouro ou suavemente alaranjado.
A polpa é farta (em relação ao caroço), fibrosa, doce e de consistência algo gordurosa, muito apreciável. Além de Palmeira-Jerivá, a planta é conhecida popularmente como "Coquinho", "Coquinho-de-Cachorro", "Coquinho-Catarro".
O tal frutinho é muito apreciado por aves frugívoras em geral, além de esquilos e, certamente, outros roedores silvestres aqui do Brasil (além das crianças, claro).
A Palmeira-Jerivá é de ocorrência ampla, especialmente no centro-sul e sul do Brasil, além de Argentina (Corrientes, Misiones), Paraguai, Uruguai e outros, possivelmente.
Vemos a Palmeira-Jerivá com freqüência em muitas formações vegetacionais diferentes, seja à beira-mar, seja no interior distante e seco, seja em climas frios ou muito quentes.
Creio haver algumas variedades ou, pelo menos, raças geográficas da espécie, haja vista que facilmente se observam algumas características ligeiramente diferenciadas em alguns tipos de plantas (aqui, observação minha, sem comprovação do que digo).
Certamente algum colega mais capacitado poderá detalhar melhor as informações.
Finalizando, "Jerivá" é um termo Tupi (talvez com algum congênere Guarani).
Em São Paulo (capital), muito comum é o nome "Jurubatuba", designando um Bairro e um Rio, como sendo "coletivo de Jerivás", derivado de "Jeriba (Jerivá) + tiba (coletivo, muitos)".

Maria Carvalho disse...

Muito obrigada pelo seu sábio comentário; de facto aguardámos com ansiedade alguma mensagem do Brasil sobre esta árvore.

O fruto que se fotografou já estava seco; escolhemo-lo porque pensámos que a identificação seria mais fácil se a forma da semente se vislumbrasse. Abrimos um com polpa - farta, como diz - ainda mole (também apanhado do chão, portanto não sabemos se recém-caído) e notámos a fibra, a consistência gordurosa e um cheirinho doce.

O nome "jurubatuba" é muito expressivo, em som e na sugestão da quantidade de jerivás. Dita na forma rápida, e comendo as vogais, que é usual entre nós, soa a uma vasta "ju...ba" - e imaginamos muitas folhas despenteadas de uma grande alameda de jerivás a ondular ao vento.

Robson Freire disse...

Grato, Maria Carvalho, por seu texto.
Sua remessa poética é fascinante. De fato, uma alameda com Jerivás de todos os lados daria bem a impressão de "jubas leoninas" dançando ao vento.
Aqui são muito comuns orlas dessa palmeira, especialmente porque é uma das mais abundantes e de fácil aquisição que temos por aqui.
Complementando, observo em filmes norte-americanos que a Palmeira-Jerivá é muito utilizada em paisagismo por lá, especialmente nos Estados da Flórida e Califórnia, onde é conhecida por "Queen Palm".