11.10.05

O valor do vento

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto

Ruy Belo, Homem de palavra[s] (1978)

5 comentários :

ver disse...

que bonito...

costuma dizer-se "atras do vento vem chuva"; que assim seja.

Anónimo disse...

Muito bonito, oportuno e apropriado. Abraço. Octávio lIma (ondas2.blogs.sapo.pt)

Anónimo disse...

Este é, sem sombra de dúvida, o melhor blog que conheço.

Anónimo disse...

quando eu quero fazer uma poesia para me expirar veho aqui mas acho que deviam ter coisas so de arvores senao é tudo misturado mas acho o poema lindissimo

;-) disse...

(para @ anterior anonim@: tudo o que se publica tem a ver com a representação das arvores, das plantas, do mundo natural...
ao sabor do vento e não só.