12.1.06

Licença para florir

Chegou-nos ao conhecimento, não porque nos informassem mas sim porque a procurámos, a primeira boa notícia de todo o desgraçado processo de destruição da Avenida dos Aliados / Praça da Liberdade. Respirem fundo... aqui vai: as magnólias da Praça da Liberdade não vão ser abatidas; ficam onde sempre estiveram, e têm, ao que supomos, licença para florir. (Notícia completa, com todos os detalhes picantes, aqui.)

Terá sido o nosso abaixo-assinado, que terminava pedindo a preservação dessas mesmas magnólias, a comover os arquitectos? Não sabemos, porque cá abaixo, aos utentes do espaço público, não chega eco do que os arquitectos ponderam no seu Olimpo, mas apenas o resultado, livre de todo o contágio da leiga opinião, dessas subidas lucubrações.

Mas desta vez, contentes como estamos, não nos apetece refilar: vamos continuar a ter flores na Praça!

(Ouve-se um ruído semelhante ao de um rádio de ondas curtas mal sintonizado. A imagem fica tremida, depois granulada, varrida por ondas horizontais. Finalmente estabilizam som e imagem, mas ambas mudaram: estamos no Templo Sizento, feito de linhas rectas e superfícies lisas; a música é electrónica e monótona.)

- Ouvi bem o que disseram lá em baixo? Flores na Praça? Não lhes tinha dito para acabarem com essa pirosice?

- Terá havido algum lamentável equívoco, Senhor Arquitecto. Mas não são flores rasteiras, de canteirinho, e sim flores elevadas, que brotam de duas árvores junto à igreja. Além do mais, a floração mais vistosa dura só duas ou três semanas, e no resto do ano as árvores são verdes - e de um verde também elevado, como o Senhor Arquitecto mandou.

- Ah bom. Por esta vez passa, mas nada de repetirem a graçola.

1 comentário :

MJE disse...

?? 'aqui em baixo não chega eco do que os arquitectos ponderam no seu Olimpo' ?? - mas há alguns que dão notícia, trabalham na sombra e .. não têm resposta ;))