3.1.06

A palmeira que canta


Foto: pva 0512

Há certos sons quotidianos que crescem devagarinho, sempre à mesma hora. Por vezes nem damos por eles, mesmo que nos sejam agradáveis, pois o nosso cérebro, pouco criterioso, acaba por filtrá-los juntamente com outros sons mais agrestes; mas, se parassem, ficava um buraco. Mais precisamente: se, ao fim da tarde, os estorninhos deixassem de cantar junto à minha janela ficava um buraco sonoro em forma de palmeira; ou então uma palmeira de filme mudo, anacronicamente a cores.

2 comentários :

Ana Tropicana disse...

Não sei se é o eco do estorninho, se uma certa persistência de oxigénio e verde, mas por instantes quase tenho a impressão de ter regressado a casa.

Fica o Um Abraço d'Ana Tropicana

Anónimo disse...

Apetecia-me dizer que é sorte. Mas não. Certamente por trás dessa palmeira cantante há muito trabalho. Octávio LIma (ondas3.blogs.sapo.pt)