27.8.06

"Rezinas, Almacegas, ou Mastique"

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«As amendoeiras, damasqueiros, ameixieiras, e gingeiras dão alguma rezina que se exporta. Algumas outras rezinas e gomas se podião aproveitar dos arbustos e plantas que alli crescem.

Do lentisco verdadeiro de Brotero (Pistacia lentiscus) , que se cria pelos mattos e vallados das fazendas, se póde colher a almecega ou mastique que tem uso nas boticas, e na composição dos vernizes. Os habitantes da Ilha de Chio na Grécias são os que aproveitão esta rezina, fazendo no principio de Agosto incisões na cortiça do tronco do arbusto, sem tocar nos ramos novos, e por ellas vai distillando o suco nutritivo em pequenas lágrimas que amadurecendo formão os grãos de mastique, e se apanhão no mesmo arbusto, onde durão todo o mez; ou na terra quando tem cahido. (...)
Ainda que os botânicos dêm a este arbusto o nome de lentisco, com tudo no Algarve ninguem o conhece por tal, e sim pelo de aroeira, chamando-se lentisco ao Phyllirea angustifolia de Linneo, lentisco bastardo de Brotero. (...)

Os Romanos atribuião aos palitos da aroeira a virtude de firmar as gengivas, o que ainda tem credito entre nós; e até chamavão aos que trazião por ostentação o palito na boca, de roedores de lentisco (lentiscum arrodere). As mulheres do Imperador da Turquia, e dos seus magnates fazem grande uso do mastique para lhes conservar a alvura dos dentes, o bom hallito da boca, e a firmeza das gengivas; (...)
Assim pela abundancia do azeite que produzem as suas bagas, e que he excelente para as luzes, como pelo mastique, que deste arbusto se póde extrahir, deve promover-se a sua cultura, e aproveitamento: elle é indigena entre nós, basta querer utilizar os seus productos espontaneoas para tirarmos lucros.»

in LOPES, João Baptista da Silva, Corografia ou memória económica, estatística e topográfica do reino do Algarve, Academia Real das Ciências de Lisboa, 1841 (edição facsimilada da Algarve em Foco Editora, 1988), p. 158

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