11.9.06

Boa vindima!

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fotos: © manueladlramos- Azulejos na estação do Pinhão
A ler: Qual é o preço de uma bela paisagem? (por Bernardino Guimarães)
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3 comentários :

Jofre Alves disse...

Blogue interessante, agradável e esteticamente apreciável, que se visita e atrai com entusiasmo. Parabéns.

Dias com árvores disse...

Novo traçado do IP2: um caso de irracionalidade
por Francisco Olazabal-proprietário da Quinta do Vale Meão, em Vila Nova de Foz Côa
(no Publico de 29 de Setembro)

Foi lançado o concurso de concepção e construção do novo traçado do IP2 entre Celorico da Beira e Macedo de Cavaleiros que virá substituir a actual EN 102.
Esta obra implica a travessia da Região Demarcada do Douro desde os limites dos concelhos da Meda e de Vila Nova de Foz Côa até ao extremo norte do vale da Vilariça, para além da construção de uma nova ponte sobre o rio Douro cerca da foz do Sabor.

Para além da destruição de uma enorme área de vinha que está na origem de alguns dos melhores vinhos portugueses, esta obra irá implicar aterros, desaterros, viadutos e pontes colossais, desfigurando irremediavelmente uma paisagem única e de grande beleza resultante da harmoniosa combinação entre a acção do homem e a natureza.

Pergunta-se: será necessária? A única possível vantagem é reduzir em algumas (poucas) dezenas de minutos o tempo de viagem entre Guarda e Bragança. Mas haverá uma tal densidade de tráfego nesse trajecto que justifique essa economia de tempo?
Certamente que não há nem haverá. Tanto mais que, excluindo algumas zonas mais sinuosas e facilmente melhoráveis entre Celorico e Trancoso e em alguns pontos do vale da Vilariça, a actual estrada - recentemente beneficiada - está perfeitamente adequada ao tráfego existente.

Este projecto é mais uma manifestação da obsessão nacional pela construção de auto-estradas, em manifesta desproporção com os recursos e as reais necessidades do país e que assume, por vezes, aspectos de intrigante irracionalidade.

De entre outros exemplos, citarei apenas um, por ser o mais recente: perderam-se dezenas de vidas no troço da IP4 entre Amarante e Vila Real. Por esse facto, e por ser uma via de acesso ao interior, aí sim, tudo há muito recomendava que se construísse uma auto-estrada. Mas foi dada preferência à construção da auto-estrada A7 entre Guimarães e Vila Pouca de Aguiar, que vai desembocar a escassos 22 km de Vila Real na nova auto-estrada que liga esta cidade a Chaves.
Aquele investimento seria totalmente injustificado se se tivesse prolongado em devido tempo a A4 até Vila Real.

Entrementes, a rede secundária de vias dentro da região demarcada tem sido votada a um quase abandono.
Para só falar do Douro Superior, veja-se, por exemplo:
- a EN 222 entre Vila Nova de Foz Côa e Pinhão, que, com a excepção de um pequeno troço, tem o mesmo traçado de há cinquenta anos;
- a inexistência de uma estrada ligando a nova ponte rodoviária de Barca de Alva (construída para quê?) e Almendra, que iria permitir reduzir em 40 quilómetros a distância entre a fronteira espanhola e o vale do Douro, com todos os benefícios que traria ao turismo da região;
- a prometida e nunca concretizada nova estrada entre Murça (IP4) e Mogadouro passando por Vila Flor e Alfandega da Fé.

No discurso proferido na Régua, no passado dia 31 de Agosto, o senhor primeiro-ministro afirmou que a estratégia do Governo para a valorização e desenvolvimento do Douro assentava em quatro pilares: o vinho, a paisagem, o turismo e a cultura. Os viticultores do Douro estão conscientes de que essa estratégia implicará constrangimentos de vária ordem, nomeadamente no que diz respeito à protecção do ambiente. Mas o Governo não terá certamente qualquer legitimidade em impô-los se for o primeiro a desrespeitar os valores que pretende defender.

É por isso urgente e necessário que todos os cidadãos afectados por este projecto façam saber ao Governo:
- que não querem ver as suas vinhas e a sua paisagem destruídas e desfiguradas;
- que o actual traçado da EN 102 na parte situada dentro da região demarcada, incluindo a travessia do Douro pela barragem do Pocinho, deve ser mantido, embora melhorado nos seus troços mais sinuosos;
- que não traz qualquer beneficio à região ser atravessada por vias de alta velocidade que não convidam o viajante a deter-se para usufruir das suas riquezas paisagísticas, gastronómicas e culturais;
- e que as somas astronómicas investidas em auto-estradas seriam muito melhor empregues na beneficiação das estradas de meia-encosta que ligam os vários municípios da região.

João Teixeira disse...

Este é apenas mais um exemplo inacreditável das asneiras que se fazem no nosso país sem podermos identificar o autor. Mais uma vez, se tentarmos identificar culpados esbarramos em juntas, em comissões, governo... tudo sem rosto. Resta saber o que podemos fazer (se é que ainda se pode fazer alguma coisa) para parar este crime.
Não chega dizer que isto está errado é preciso pensar em acções concretas para dar projecção mediática a esta situação.