14.10.06

«I said you pick the best seed

of the tallest tree in the forest, and plant it in a flower pot, and it will grow into a tiny tree. Is there anything wrong with the seed? Nothing is wrong with the seed. It's the best seed. Then why is it tiny?
Because you planted it in a flower pot. You didn't allow it to grow in the real soil. The poor people are the bonsai people. Society has not allowed them the real soil. If you allow them the real soil, real opportunities, they will grow as tall as everybody else. (aqui) »

Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank - Prémio Nobel da Paz

1 comentário :

Anónimo disse...

A economia ao serviço da paz
por Jorge Wemans
A história deste homem é, em si mesma, uma fábula. Não uma história de fadas, mas um conto de enorme significado moral. Um daqueles improváveis que mudam o percurso das coisas e introduzem algo de radicalmente novo no passar dos dias.
Ninguém diria que o professor de Economia regressado dos Estados Unidos - formado numa das escolas mais adeptas do "mercado livre" - pudesse olhar para os pobres da sua cidade e ver neles mais do que pobreza que já conhecia das estatísticas. O que Muhammad Yunus viu nas pessoas do bairro de lata pelo qual tinha de passar todos os dias a caminho da universidade de Daca, foi pessoas trabalhadoras, engenhosas e empreendedoras, lutando com energia pela subsistência quotidiana, limitadas no seu crescimento pela ganância de usurários, ou dos fornecedores de matérias-primas.
O primeiro mérito do fundador do Grameen Bank foi ter acreditado na sua observação. Mesmo se ela contradizia todo o arsenal teórico que aprendera e dominava. Ver a realidade para além dos clichés culturais, científicos ou outros que a justificam e impedem de ver nela as potencialidades que a podem transformar, é um modo de olhar habitualmente reservado aos génios, aos artistas, aos criadores. Desse ponto de vista, Muhammad Yunus é, sem dúvida alguma, um génio, um dos grandes criadores do final do século passado.
O seu maior mérito é o de ter persistido na convicção de que os pobres são capazes de empreender para construírem um futuro melhor para si e para as suas famílias. O seu outro grande mérito é o de ter formulado uma ideia simples e de a ter testado dentro do melhor espírito anglo-saxónico (ele dirá bengali): experimentar em pequena escala, recolher os ensinamentos, adaptar os procedimentos, induzir para uma escala maior e assim por diante. Passando das 24 mulheres de há 30 anos, para os seis milhões de empréstimos de hoje.
Tenho, por acasos que a vida tece e por ser um dos fundadores da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC), frequentado o professor Yunus na última década. A impressão que me causou na sua última vinda a Lisboa - Janeiro deste ano, a convite da ANDC - foi a mesma de quando o conheci há 10 anos em Madrid. A de um homem tranquilo, pequeno e tímido, quase a pedir desculpa por estar presente. A tranquilidade não desaparece quando fala do microcrédito e, sobretudo, quando traz à conversa (ou à conferência) as pessoas concretas que mudaram as suas vidas graças a um pequeníssimo empréstimo de alguns dólares. Mas à tranquilidade junta-se a energia, a convicção e o optimismo, de tal forma que não é possível duvidar de que em 2010 serão, em todo o mundo, mais de 200 milhões as famílias com acesso ao microcrédito.
Ao atribuir o Nobel da Paz a Muhammad Yunus, a Academia Sueca coloca a luta contra a pobreza, a redução das desigualdades e o desenvolvimento social como condições de construção da paz. Yunus simboliza essa luta, esse desenvolvimento e essa construção. Mesmo que para tal seja preciso, como gosta de dizer, "estudar como os bancos actuam e fazer tudo ao contrário: confiar nos pobres, emprestar aos que não têm bens nenhuns, ir ter com as pessoas em vez de esperar que elas venham ter connosco, etc... etc...". Antecipo que o discurso de Yunus na cerimónia de entrega do Nobel da Paz será um texto memorável. Simples, bem-humorado, certeiro. Através dele serão muitos milhões de seres humanos a festejar o caminho que trilharam para sair da pobreza.
*Jornalista. Director da 2:. e fundador da ANDC

No Público 14/10/06