8.2.07

Abelhudos

Foi com o coração palpitante que seguimos o exemplo das numerosas abelhas, atraídas como nós pela floração perfumada desta Dombeya. É que o acesso ao terraço onde ela vegeta é proibido, mas não conhecemos outro exemplar à mão de fotografar.


Dombeya wallichii ...ou... D. x cayeuxii

O género Dombeya inclui cerca de 250 espécies, sobretudo africanas. Mas não sabemos como classificar esta malvaceae uma vez que as espécies D. wallichii (de Madagascar) e D. x cayeuxii (de Lisboa) são muito semelhantes, tendo esta última brácteas menores e estames com penugem. Ambas sobrevivem a longos períodos de estiagem e podem atingir uns 7 metros de altura. As folhas são grandes e aveludadas, cordiformes, com as margens levemente dentadas e hábito pendente. As inflorescências são globosas, de longo pedúnculo, com flores cor-de-rosa de cinco pétalas.



Dombeya celebra o trabalho do naturalista francês Joseph Dombey (1742-1795), que nos anos setenta do século XVIII visitou a América do Sul com a intenção de colher plantas adaptáveis ao clima francês e aí acumulou informação valiosa sobre a flora peruana e chilena. Mas coleccionou também muitos dissabores, com ladrões e alfândegas, na expedição para a Europa das amostras por si recolhidas.

O epíteto wallichii homenageia o dinamarquês Nathaniel Wallich (1786-1854), que foi director do Jardim Botânico de Calcutá, onde coligiu um catálogo de mais de 20000 espécimens, e autor de Tentamen Flora Nepalensis Illustratae e Plantae Asiaticae Rariories; durante vários anos, foi ainda o responsável - muito bem sucedido - por empacotar e enviar sementes viáveis para Inglaterra.

Cayeuxii refere-se a Henri Cayeux, horticultor francês que foi jardineiro-chefe do Jardim Botânico de Lisboa de 1892 a 1909 em substituição de Jules Daveau, que o recomendou. São de sua lavra vários híbridos de grande valor ornamental, incluindo a Dombeya x cayeuxii que se crê ser cruzamento entre D. wallichii e D. burgessiae. Oficialmente a floração da D. wallichii começa no Inverno (daí o seu nome vulgar Christmas roses), a da D. burgessiae na Primavera e a do híbrido D. x cayeuxii na época intermédia, o Outono.

Ironicamente o híbrido mais famoso é a Dombeya burgessiae 'Rosemound', que nunca foi distribuída e desapareceu com o furacão Andrew em 1992.

5 comentários :

Ver disse...

Não sabia de Dombeyas no Porto, que boa surpresa.
Parece-me mais uma D. wallichii, mas o meu conhecimento destas plantas deve-se unicamente ao muito tempo que passo a ver e fotografar as D. x cayeuxii de Lisboa.
A floração da D. x cayeuxii é no Inverno (pelo que tenho observado), a RHS refere que pode ser no Inverno e/ou na Primavera.
A D.burgessiae floresce um bocadinho mais cedo (RHS refere Outono/Inverno), mas neste momento o exemplar do Jardim botânico de Lisboa está florido.

Paulo Araújo disse...

Esta Dombeya não está no Porto, mas sim no Jardim Botânico de Coimbra. A Maria só não o disse para não parecer que estamos sempre a queixar-nos de que no JBC está quase tudo fechado... No Porto de facto não conhecemos nenhuma.

bettips disse...

Ontem tinha pedido e procurei, uma foto desta flor! Parece incrível ...mais como um policial...fiquei emocionada pela inacessibiliade da flor e contudo, a foto! E outra surpresa: chegou o meu (vosso) livrinho, pareceu-me receber um album de família tal foi a minha alegria. Posso falar disso no meu sítio? (bettips) ou parece mal ...? Temos que passar as mensagens que INTERESSAM, acho. Abç

Anónimo disse...

Em Sintra, na Volta do Duche tambem esta uma Dombeya florida,talvez nao tanto como noutros anos. Nao sei a que especie pertence tem flores rosa claro.

Paulo Araújo disse...

Olá Bettips. Claro que pode falar de nós e do nosso livro, mesmo que com isso faça inchar ainda mais a nossa vaidade. Mas qualquer dia o balão esvazia e fica tudo normal. Abraço