2.3.07

O FREIXO

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«Alto freixo redondo apazigua
Entre verdes pinhais a minha aldeia,
E, toucado de pássaros, à lua,
Parece uma mulher que se penteia.

Pede-lhe o vento norte segurança,
Toca-lhe o pé água de fresco poço;
Eu, tornado a meus olhos de criança,
Em seu casto perfil me sinto moço.

Seus ramos vejo como via os anjos
Que à vida me trouxeram pequenino.
Ó imaginação, que altos arranjos

Fazes às coisas simples transtornadas:
Vinhas em flor, um breve freixo fino,
Cães, colmeias sem mel, águas passadas! »


Vitorino Nemésio
in Nem toda a noite da vida, 1953

2 comentários :

anapaulapazini disse...

Seu blog é muito lindo!!! Que fotos bonitas misturadas com belos poemas...
Adorei!!

Juan Echegoyen disse...

hola me encanta tu blog, tomare alguna poesia para la fiesta del arbol