4.7.07

Andar na cidade como quem anda no campo

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«Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ela era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos...
Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
»

Poema III de "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro >
Transcrito daqui
> (O Farol das Letras)

4 comentários :

greentea disse...

...e cortar árvores para alargar as estradas...

Ver disse...

Grande mestre Caeiro.

Rita Lemos disse...

Bonito

e andar na cidade há procura das árvores é o que todos vamos fazendo.

Gostaria de lhes fazer uma pergunta de carácter técnico, ou profissional se quiserem, é sobre uma doença que se chama cancro do castanheiro. OUviram falar? posso informar-me de mais coisas sobre a doença com voçês?
CAso não tenham informações aconselham alguém a quem obtê-las?
Desculpem usar a caixa dos comentários mas não encontrei outra forma de os contactar.

Paulo Araújo disse...

Não temos qualquer formação em arboricultura, e muito menos somos profissionais do assunto. Em qualquer caso, o vol. 8 da colecção "Árvores e florestas de Portugal", recentemente lançada pela LPN e pelo jornal Público, tem alguma informação (muito abreviada) sobre essa doença. O livro pode ser adquirido pela internet na loja do Público (http://loja.publico.clix.pt/publico). Também pode tentar contactar as escolas superiores que, em Portugal, têm departamentos que se dedicam a estudar doenças de plantas (por exemplo, o Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, e a UTAD, em Vila Real).