12.11.07

Três modos de ser árvore


Taxodium distichum (cipreste-dos-pântanos) - Amarante

Em resultado da pressa que teve em subir acima das suas vizinhas, talvez para ser a primeira e a última a agarrar o sol da cada dia, esta árvore em Amarante apresenta-se esguia e desajeitada como uma adolescente. Mas tem ainda muitos anos de vida pela frente para alargar a copa e engrossar o tronco, tudo sem perder a leveza com que paira sobre as águas do Tâmega quando o rio vai cheio. Como ia em Dezembro passado, estava a árvore já pronta para hibernar; depois ela vestiu-se de verde na Primavera para se pintar de laranja no Outono; e o rio, emagrecido pela chuva que não cai, recuou vários metros, deixando-lhe os pés enxutos. Antes assim não fosse, pois é com o tronco encharcado que ela se sente bem: para poder respirar quando as raízes ficam submersas é que fez brotar os seus inúmeros narizes (ou pneumatóforos).

Originário de lugares húmidos ou alagados no sudeste dos EUA e primo das sequóias, o cipreste-dos-pântanos é uma conífera de folhagem caduca, peculiaridade que o género Taxodium partilha com a Metasequoia e com os lariços (género Larix). Não é uma árvore rara em Portugal, e temo-la visto até em jardins privados; dela conhecemos bons exemplares na Quinta da Aveleda, no Parque das Termas de Vizela e no Parque da Curia, e Ernesto Goes regista outros em Lisboa (jardim de Campo de Ourique, Jardim Botânico da U. L.), em Sintra (Quinta de Monserrate) e em Tondela (Quinta do Paço).

3 comentários :

bettips disse...

E três modos vossos de no-las mostrar! Leio-vos sempre, fácil é seguir-vos pelas imagens. Das abóboras. Das cores. Das ervas. De castanhas nos seus ninhos. E de Outonos por um fio. Abçs

*Rita disse...

Há também um exemplar na Colecção das Resinosas na Universidade de Trás-os-Monte e Alto Douro.

gundibaldo disse...

Nas matas nacionais do litoral (Leiria, Urso, Quiaios, etc.) existem alguns bosquetes de taxódio, que aí regenera naturalmente.
Na MN de Leiria um dos mais interessantes é o da Fonte da Formosa (talhão 36), mas noutros talhões do interior também os poderemos observar com alguma pujança. Abçs