27.12.07

Perfume de Inverno



The walkway was bathed in moonlight, and I could not bring myself to tread on the sparse shadows of those flowers.

Lu You (1125-1210, poeta chinês do período Song)



Chimonanthus praecox

A administração celeste atribui a cada flor uma época certa de floração, e qualquer interferência neste calendário determinado em concílio de fadas-madrinhas é fonte de desdita. Naturalmente supreende-nos que algumas plantas se dispam em pleno Inverno e depois, atrevidas como a chinesa Chimonanthus praecox, embelezem o tronco nu com flores cerosas perfumadas a mel. Mas é por essa floração precoce e extraordinária que a flor-de-Inverno merece o lugar exclusivo que a simbologia oriental lhe reserva. Nesta pintura de Chen Shu (1735), reproduzida da obra The garden plants of China, de Peter Valder, ela surge associada aos bons-augúrios do Ano Novo, no topo de um arranjo de plantas auspiciosas, a anunciar a chegada de um tempo puro e rejuvenescido, com a Primavera já aí à esquina.

Crê-se que o primeiro europeu a reparar nesta planta tenha sido o jesuíta Alvaro de Semedo, que a menciona na sua obra Relatione della Grande Monarchia della Cina (1643) como lamei, a flor do 12º mês.

Este exemplar é do Jardim Botânico do Porto; há outro de menor porte no terraço das magnólias do Jardim Botânico de Coimbra; e outro mais jovem no jardim do Palácio de Cristal.

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