28.4.08

Beco do Paço



O beco do Paço é uma curta viela sem saída que desemboca na rua de Clemente Menéres, mesmo ao lado do Jardim do Carregal. É um lugar sem dignidade suficiente para homenagear algum ilustre falecido, e por isso nunca nenhuma comissão de toponímica lhe quis mudar o nome. Ninguém lá mora: a ilha que lá existia foi demolida em 1999, e sobram, à face do beco, duas casas de dois pisos, desocupadas e em ruínas. A única utilidade da viela é servir de estacionamento gratuito a meia-dúzia de habitués que trabalham nas redondezas. Há também os gatos, moradores dos pardieiros, que vêm apanhar sol nos tejadilhos dos carros ou, em dias de chuva, abrigar-se debaixo deles. Logo à entrada do beco, vedada por desengonçado portão de chapas de zinco, há uma rampa de acesso a um terreno semi-arborizado que se estende até às traseiras da rua de Miguel Bombarda. O terreno já foi estaleiro de obras, e dessa sua ocupação sobraram materiais de construção, vários montes de entulho, e duas placas de cimento que a vegetacão espontânea vem metodicamente rompendo. Enquanto durar este fértil abandono, poderão vegetar tranquilamente as árvores que vejo da minha janela: palmeira-das-Canárias, sequóia, nespereira, plátano, ácer, figueira, ligustros, sabugueiros. À lista devo juntar a casuarina de que aqui falei vai para quatro anos (foto da esquerda) e que, entretanto, para orgulho de quem a apadrinhou, mais que duplicou de envergadura.

3 comentários :

Anónimo disse...

Caros amigos do Blog
Acabo de chegar de umas férias, curtas, no Rio de Janeiro e tenho duas novidades para vos dar. A primeira é que as magníficas coripha do MAM e do Hotel Glória parecem estar a morrer. As cabeleiras de flores estão desgrenhadas e amarelecidas - também, coitadas, duraram quase um ano - e as folhas da palmeira caíram já.... Algumas companheiras mantém-se de boa saúde à espera que passem as décadas suficientes para também a elas a Mãe Natureza permitir o espectáculo da floração.
A segunda notícia é melhor, bem melhor. De visita à prestigiada Livraria da Travessa em Ipanema (aberta até de madrugada, com café e restaurante optimos... que saudade)fui, como era meu hábito quando morava no Rio, visitar a estante de Jardinagem e paisagismo e por lá me perder... eis se não quando vejo o vosso "À sombra de árvores com história"!!!!!!! Que surpresa boa. Adorei e quis partilhar convosco esta alegria.
Um grande abraço a todos
Leonor Moreira

bettips disse...

A imaginação nesse espaço à solta.... gostei de a rever de saúde.
Quase um berço!
Abçs

Paulo Araújo disse...

Cara Leonor:

Muito obrigado pelas notícias. Ficamos muito orgulhosos por o nosso livro estar à venda no Rio de Janeiro - para mais estando ele esgotado em Portugal e sem reedição em perspectiva. Quanto às palmeiras floridas, nem esperávamos que ainda dessem sinais de vida: afinal, a notícia sobre essa floração é já de 2006, como se pode comprovar aqui e aqui.
Abraço,
Paulo Araújo