22.5.08

Cravo lilás


Dianthus monspessulanus subesp. sternbergii

«Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus.

E é assim que a noite chega, e dentro dela te procuro, encostado ao teu nome, pelas ruas álgidas onde tu não passas, a solidão aberta nos dedos como um cravo. (...)

Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos pássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e perguntar o que aconteceu.»

Eugénio de Andrade, Primeiramente (As Palavras Interditas, 1951)

1 comentário :

bettips disse...

Que poema mais ...pungente, com este cravo encostado ao vidro duma janela vazia...
(tal a casa dele, tão triste se vê!)
Abçs