12.8.09

Fraga da Pena



Antirrhinum meonanthum Hoffmanns. & Link

A cerca de quilómetro e meio da Mata da Margaraça, num desvio da estrada entre Benfeita e Pardieiros, fica a Fraga da Pena, que é a outra grande atracção da Paisagem Protegida da Serra do Açor. A avaliar pelos muitos carros estacionados à entrada do caminho, e comparando com o sossego que se vive na mata, a larga maioria dos visitantes prefere a Fraga da Pena. É que, além do cenário ser sem dúvida mais impressionante, na Fraga da Pena é possível piquenicar (e os baldes a transbordar de lixo provam que muito gente o faz), coisa que, na Mata da Margaraça, só há condições para fazer (e só é permitido) junto ao centro de atendimento.

Para quem gosta de botanizar, a mata é incomparavelmente mais rica do que a fraga, que funciona sobretudo como aperitivo. O que há na fraga é uma sucessão de quedas de água, algumas vertiginosas, que formam pequenos lagos conectados entre si pelo sulco de um ribeiro talhado no xisto. Há um moinho de água (foto em cima) e, nas ravinas por onde a água se precipita, engalanadas com líquenes e fetos, uns poucos arbustos e árvores agarram-se, em equilíbro improvável, a algum torrão musgoso de onde extraem o sustento. O acidentado percurso da água é todo ele sombreado por um arvoredo denso: carvalhos, adernos, azereiros, folhados, loureiros.

Agarrada também à pedra, fora do alcance da mão mas não da objectiva (e ainda assim com algum risco para o fotógrafo, que teve de se debruçar numa balaustrada não muito firme), uma planta clamava por atenção. Era uma parente próxima das vulgares bocas-de-lobo (Antirrhinum majus ou Antirrhinum graniticum) mas com a cor errada, pois as flores, em vez de rosadas, eram amarelas, levemente estriadas de vermelho. Os manuais consultados indicaram tratar-se de um Antirrhinum meonanthum, uma planta exclusivamente ibérica (como são a maioria das suas congéneres) que em Portugal parece ser uma raridade. Tê-la encontrado foi uma recompensa adicional por termos subido à Fraga da Pena.

P.S. Repare-se que não concluímos o texto dizendo que valeu a pena subir à fraga. Não é que isso não seja verdade, mas neste blogue rejeitamos os trocadilhos fáceis e gastos.

2 comentários :

Luz disse...

Mais uma vez, uma fotografia espectacular e uma aprendizagem nova... realmente só conhecia "boquinhas de lobo" cor de rosa. Há muitas na zona de Sintra, onde vivo. Amarelas só tinha visto em jardins. Esta é espectacular, especialmente por ser Ibérica. É do tamanho das cor de rosa? Quando andar nas minhas caminhadas pela Serra de Sintra vou estar atenta. Quem sabe se não vejo alguma por aqui... Mas como não tenho os vossos olhos, nem a vossa experiencia o mais provavel é não ver nada...
Luz

bettips disse...

O que vale a pena é estarem aqui e ali!
Abçs