10.8.09

Pinheiro-manso de São Mamede de Infesta


Pinus pinea L. - São Mamede de Infesta - Matosinhos

O nome desta freguesia - que afinal é cidade e tudo - do concelho de Matosinhos pode sugerir uma farra permanente a ouvidos mais distraídos: como o duplo de não costuma pronunciar-se, São Mamede em Festa foi como ele sempre me soou. Afinal, por que não haveriam os santos de divertir-se? Na verdade, o desfile de casas e prédios desirmanados ao longo do eixo central da povoação - uma via que começa no Porto com o nome de rua do Amial e se chama depois, sucessivamente, rua de Silva Brinco e rua de Godinho Faria - dá-nos fraco motivo para festejos. A rua é estreita, com muito trânsito e muito estacionamento, e os passeios são exíguos e sem sombra de árvore.

Um pouco antes de chegarmos ao edifício da Junta de Freguesia, a rua atravessa um viaduto sobre uma linha férrea: trata-se do ramal Leixões-Campanhã, que, depois de ter servido durante muitos anos só para mercadorias, será usado a partir de Setembro para transporte de passageiros. E, logo a seguir à Junta, no exacto local onde a rua muda de nome pela segunda vez, mora, num jardim particular, um pinheiro-manso de encher o olho. Dono de uma copa imensa, deverá ter, por comparação com o prédio a que está encostado, uns 20 a 25 metros de altura. Não chega para redimir a rua, pois isso é tarefa impossível para uma árvore só, mas permite-nos sonhar com outras ruas e outros horizontes. Quantas mais árvores como esta haveria por aqui nos tempos recuados em que, em vez de prédios, existiam casas com jardins? O que acontecerá ao pinheiro no dia em que a casa onde mora soçobrar, como sucedeu às suas vizinhas, ao camartelo do progresso?

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