27.10.09

Salgueirinha

Have you not a moist eye, a dry hand, a yellow cheek, a white beard, a decreasing leg, an increasing belly? Is not your voice broken, your wind short, your chin double, your wit single, and every part about you blasted with antiquity?
....Shakespeare, Henry IV (Parte 2)


Lysimachia vulgaris L.

O amarelo é cor de simbologia ambígua. Tanto serve a primazia da vida, tingindo as espigas do milho maduro, a gema de ovo e o pólen, como veste a mansidão do Outono, a decadência e a morte. É a cor do ouro e do poder, seja ele diabólico enxofrado ou angélico com um bizarro halo pálido; e também da irritabilidade associada a uma bílis imperfeita. Unido ao preto, não raro indicia perigo; precaução é afinal o que este alegre pigmento aconselha.


Argiope bruennichii (não clique que aumenta; note a teia em ziguezague)

As fontes de amarelo que se usam em pintura variam com o lugar e os meios. Pode vir do âmbar - uma resina fóssil que o contacto da água transforma em gotas de amarelo - e de plantas como o dispendioso açafrão (Crocus sativus), a tóxica Garcinia hanburyi ou a deliciosa mangueira (Mangifera indica). Algumas são venenosas, o que muitos pintores (crê-se que também Van Gogh) descobriram tarde de mais, mas terão por isso protegido muitas pinturas famosas do ataque de insectos.

Também esta lisimáquia, com floração no Verão, fornece corante amarelo, embora sejam mais aclamadas as suas qualidades medicinais, nomeadamente o efeito cicatrizante e febrífugo. É planta vivaz da Europa e Ásia, de folhagem caduca, que se multiplica facilmente por divisão das raízes. Habita ambientes ripícolas, apreciando a humidade que ajuda os rizomas a fixarem-se em solo novo.

O género Lysimachia contém cerca de 150 espécies de herbáceas no hemisfério norte (11 europeias - ou 10, uma vez que a L. minoricensis Rodr. é dada como extinta -, cerca de 130 chinesas, algumas descobertas recentemente, e 9 na América do Norte) e mais umas 30 espalhadas por África, Austrália e América do Sul. As folhas de L. nummularia L. e a L. quadrifolia L. foram em tempos usadas como substituto do chá.

1 comentário :

Maria da Luz Borges disse...

Mais uma planta bonita e esta é nova para mim. Acho que nunca a vi...
Peço desculpa pela ausencia, mas o trabalho tem sido tanto que às vezes não há tempo de visitar os blogues amigos e interessantes. porém esta ausencia também tem vantagens pois agora tenho muitas coisas para ler.
bom trabalho
Luz