18.11.09

Campainhas-de-Outono


Leucojum autumnale L.

Esta é outra das flores com que se enfeita o nosso chão de Outubro. A cila-de-Outubro e as campainhas-de-Outono partilham não só o gosto por essa estação do ano, atestado pelos epítetos específicos, como uma preferência por lugares pedregosos (embora a cila, mais versátil, também se dê bem nos prados). Distribuindo-se ambas por boa parte do território nacional, é comum encontrá-las lado a lado, por exemplo na Serra dos Candeeiros ou, em Trás-os-Montes, junto à linha do Tua, nos pedaços de solo que aqui e ali se agarram às escarpas.

São onze as espécies de plantas bolbosas, todas do sul da Europa ou do norte de África, que compõem o género Leucojum; mas uma delas, a L. aestivum, ausente de Portugal, ocupa uma área mais ampla, que vai até ao Irão e ao sudoeste asiático. Nove dessas espécies, incluindo a L. autumnale, terão sido transferidas em 2004 para o género Acis; mas a mudança, sendo tão recente, não aparece ainda na maioria das obras de referência.

A L. autumnale é quase um exclusivo ibérico, ainda que ocorra também na Sardenha e na Sicília. As flores pendentes, com cerca de 1 cm de comprimento, fazem lembrar taças de champanhe invertidas; dispondo-se às duas ou três em cada haste, têm seis pétalas pontiagudas, tingidas de rosa ou vermelho na base. Os polinizadores são os poucos insectos (abelhas, sobretudo) que não largaram o serviço apesar do adiantado da época. Só depois de fazerem brotar as hastes floridas é que os bolbos aceitam que uma planta a sério também precisa de folhas; e estas, quando finalmente surgem, revelam-se semelhantes à relva.

3 comentários :

M. Dalila disse...

Boa noite, Paulo Araújo e Ana Carvalho!

Espero que um dia destes publiquem esta Botânica de encantar.
Já estou em lista de espera para comprar um exemplar.

É um gosto vir aqui descobrir espécies da flora campestre ou "rústica",especialmente aquelas que nunca observámos. As fotos também são um encantamento para os olhos.OBRIGADA e até amanhã...
MD

Paulo Araújo disse...

Olá, Dalila, e muito obrigado pelas boas palavras (a Maria nem se importa com a troca do nome).

Publicar a nossa botânica em livro? Já pensámos nisso, mas as dificuldades de distribuição e venda de uma publicação dessas são muito grandes. É preciso que haja um editor que acredite na obra e esteja verdadeiramente empenhado na sua divulgação. Não temos tido tal sorte com os nossos livros, muito pelo contrário. Mas, com uma excepção, eles ainda estão à venda - e quem quiser encomendá-los não tem mais que seguir os atalhos aí na coluna da esquerda.

Maria da Luz Borges disse...

Lindas!
Adoro campaínhas!!!
Luz