29.12.09

A cor do problema


Anemone palmata L.

.....For those colours you wish to be beautiful, always first prepare a pure white ground.
.....Leonardo da Vinci
.....(Leonardo on Painting, M. Kemp (ed), Yale University Press, 1985)

A anémona já faz parte do nosso pequeno catálogo, mas esta, da região mediterrânica, surpreendeu-nos com os dois tipos de flores que coexistem no mesmo habitat: uma branca de centro amarelo, outra totalmente amarela. Alguma explicação dever haver para esta dupla aparência, para este disfarce que nos deixa baralhados. Alguém faz a fineza de nos elucidar?

A floração da campanilha é temporã e longa, de Fevereiro a Junho. As flores têm uns 3 cm de diâmetro e 10 a 15 sépalas (ou pétalas, a bibliografia não é unânime) de face inferior tomentosa e pintalgada de púrpura. São solitárias e o pé tem a meio um colarinho de 3 folhas sésseis, como se fossem brácteas um pouco descaídas.

No Outono, a anémona-do-Tejo só nos mostra as rosetas de folhas basais, circulares, palmadas, com 3 a 5 lóbulos de margens dentadas. E, mal chega o frio, recolhe-se ao seu tubérculo, bela adormecida a fintar a morte. Prefere prados húmidos, charnecas ou pinhais, ou qualquer lugar onde haja abelhas lambareiras que não se melindrem por o néctar lhes ser servido em malgas sem nectários.

2 comentários :

Pedro PM disse...

Não tenho resposta para essa questão.
Mas a curiosidade por trás da questão fez-me lembrar as interrogações Darwinistas acerca da biodiversidade que foi encontrando na viagem no Beagle. A hipótedes que ele levantou talvez ajudem as mentes mais informadas a descortinar o enigma destas anémonas.

Maria da Luz Borges disse...

Adorei...
O post e as fotografias!
obrigado e um bom 2010
Luz