8.1.10

Da brancura vegetal


Borago officinalis (A. Murray) Parl.

O branco, tantas vezes tomado como ausência de cor, é afinal a soma de todas as cores, e a verdadeira anulação cromática só acontece quando se neutralizam todas as fontes de luz. Mas, nos seres vivos, a brancura ou a palidez são muitas vezes sinal de um défice: o albinismo, tanto no homem como em animais e plantas, resulta simplesmente da falta de certos pigmentos.

Se o caule e as folhas forem verdes, pode ser um abuso de linguagem chamar albina a uma planta só por as suas flores serem brancas. Há-de ter porém algum significado que a borragem, planta que normalmente dá flores azuis, decida dá-las brancas. E, se levarmos em conta a mudança de vermelho para verde das hastes, pedúnculos e sépalas, talvez esta borragem cumpra os mínimos para ser declarada albina à luz da ciência. Aliás, as mesmas mutações tonais se verificaram na cila a que afoitamente chamámos albina, e é de crer que nas duas plantas o fenómeno tenha idênticas causas.

Já se sabe que o branco, cor da pureza, simboliza a morte para os povos do Oriente. Nada disso interessa às flores silvestres que ninguém colhe para enfeitar vestidos de noiva ou túmulos de defuntos. O branco das flores é apenas um acidente, uma dessas variações arbitrárias que tornam tão compensadora a observação atenta da natureza.

2 comentários :

Maria da Luz Borges disse...

Fantástico o texto, belíssima a fotografia, novidade a cor da planta que só conhecia em azul.
Obrigado por partilhar esta maravilha connosco!
Luz

blogmoilesfesses disse...

sempre que venho aqui fico deliciada!