11.5.10

Seiva emprestada


Parentucellia latifolia (L.) Caruel

A designação semi-parasita suscita dúvidas como as que, na justiça, levam a absolver o corrupto pela imperícia. Sendo certo que não se é parasita por inteiro apenas se a oportunidade faltar, esta herbácea pequenina - não ultrapassa os 30 cm de altura - prefere ser comedida, roubar como quem toma emprestado, contando que, com o tempo, a vizinha se esqueça do que cedeu. É natural do sul da Europa, gosta de relvados e beira-mar e, sendo anual, encolhe os ombros ao que nos amofina. A floração decorre agora, simultânea com a da P. viscosa; as flores púrpura (ou brancas na subspécie albiflora) têm cerca de 1 cm e um cálice tubular claro encimado por dois apêndices amarelos; a inflorescência é um racimo de flores no topo do caule.

Parentucellia homenageia Tommaso Parentucelli (1397-1455), o papa Nicolau V. A história lembra-o como humanista culto, cumprindo a tradição da igreja como mecenas de artistas e solidária com as necessidades básicas da população; congratula-se com a criação da biblioteca do Vaticano e com o seu empenho na recuperação dos jardins da cidade-estado; mas não esquece a bula Dum Diversas que, em nome das cruzadas missionárias, e louvando o arrojo português nos mares, conferiu a D. Afonso V o direito de atacar e converter à força sarracenos e pagãos, e sancionou a escravatura dos infiéis.

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