3.7.10

À beira-mar sem trabalhar



Orobanche arenaria Borkh.

.....Estirado na areia, a olhar o azul,
.....ainda me treme o parvalhão do corpo,
.....do que houve que fazer para ganhar o nosso,
.....do que houve que esburgar para limpar o osso,
.....do que houve que descer para alcançar o céu,
.....já não digo esse de Vossa Reverência,
.....mas este onde estou, de azul e areia,
.....para onde, aos milhares, nos abalançamos,
.....como quem, às pressas, o corpo semeia.

.....
Alexandre O'Neill, Fim de semana (Poesias Completas, 1951/1986, INCM)

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