28.12.10

Amarelo na pedra



Ranunculus bupleuroides Brot.

As plantas não aquáticas do género Ranunculus são fáceis de identificar pelo amarelo por vezes envernizado das pétalas que rodeiam um festivo centro de estames. Tanto assim que, sem querer, as relegamos em benefício de espécies que nos propõem desafios mais intrincados. Contudo, por nos depararmos frequentemente com as de porte rasteiro e folhas finamente divididas, este exemplar de talos que chegam aos 60 cm de altura e folhas elípticas recebeu atenção adicional. Ainda bem, como lerão.

Trata-se de um quase-endemismo português, do norte e centro do país, ocorrendo ainda esparsamente na Galiza perto da fronteira. E só abunda em ambientes secos de montanha com solo rico em sílica. É erva tenra mas vivaz, com folhas basais longas (~ 8 cm) e largas (~ 2 cm), de nervuras paralelas e margens inteiras, e com pecíolo fino que pode atingir três vezes o comprimento da lâmina; as folhas caulinares são sésseis. Floresce entre Março e Junho, e as cinco ou mais pétalas são de um matiz de amarelo invulgarmente claro. Como é usual no género, os frutos são aglomerados globosos de aquénios, cada um com um bico.

Ranunculus significa, em latim, rã pequena, que associamos a lugares alagados, o habitat preferido por muitas espécies deste género. Já aqui explicámos a origem do epíteto bupleurum; o sufixo oides alude à semelhança das folhas com as deste género.

1 comentário :

Maria da Luz Borges disse...

Eu sempre lhe chamei "Botão de ouro" e sempre achei que era especial. Vivia em solos muito húmidos pois, na aldeia onde nasci, crescia nas imediações da fonte e ao longo do ribeiro.
Rainuculos eu pensava que eram só os de Jardim e que também gosto imenso!
Realmente este é um mundo muito vasto e completamete fascinante!
Bom Ano Novo
Luz