16.12.10

No meio é que está


Spergularia media (L.) K. Presl

É estranho que desta planta, talvez a maior do seu género na Península Ibérica, se diga que tem tamanho médio. Ou pelo menos assim se deve ler o epíteto científico media. Tratando-se de uma planta perene, entouceirada, de base lenhosa, capaz de ultrapassar os 60 cm de altura, faz figura de gigante face às herbáceas rasteiras suas congéneres (como a Spergularia rubra). Incongruências destas explicam-se geralmente pela migração entre géneros, e neste caso é isso mesmo que sucede. No seu Species Plantarum, em 1762, Lineu baptizou a planta como Arenaria media - e, no contexto do género Arenaria, o epíteto media não era inapropriado. Como é regra nestas coisas, o epíteto teve de manter-se quando, por mão do botânico checo Carl Presl (1794–1852), a planta se mudou para o género Spergularia.

A história, na verdade, é um pouco mais complicada. Há quem conteste que a planta descrita por Lineu seja aquela que hoje conhecemos como Spergularia media. Se assim for, a prioridade na descrição da planta não caberá a Lineu, mas sim ao italiano Carlo Allioni (1728-1804), que lhe chamou Arenaria maritima. O nome válido hoje em dia seria então Spergularia maritima (All.) Chiov.

Deixemos esta confusão para os entendidos e debrucemo-nos sobre a planta em si. Foi algo difícil fotografar-lhe as flores, não pela sua pequenez (uns 1,3 cm de diâmetro), mas pelo horário preguiçoso do expediente: antes do almoço, só uma se apresentara ao serviço. Depois da refeição havia mais flores abertas, mas o fotógrafo já não trazia equipamento. A flor solitária é porém suficiente para lhe vermos as pétalas brancas debruadas de rosa. Também podemos ver, ao lado dela, o fruto já aberto com as sementes castanhas a espreitar. As folhas são carnudas e lineares, de ponta aguçada, e têm 4 a 5 cm de comprimento.

A Spergularia media é uma planta subcosmopolita que gosta de sapais costeiros mas também frequenta algumas zonas no interior. É possível encontrá-la à beira-mar na companhia de uma congénere sua, a S. marina (L.) Griseb., que tem um porte mais compacto e folhas cilíndricas mais gordas e mais curtas.

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