31.12.10

Passagem


Amieiros e freixos - rio Ferreira, Valongo

Atravessavam uma floresta. Sem feras, que ali não as havia, um ou outro lobo, talvez, javalis. Nenhum tigre lhes saltaria às costas. E no entanto, avançando na penumbra lançada pelas copas fechadas, entre as colunatas dos troncos, todos aqueles homens valentes sentiam-se perpassar por uma ponta de estremecimento, cada qual levando seu próprio tigre no peito.

Marina Colasanti, Um homem, frente e verso ( 23 histórias de um viajante, Global Ed., 2005)

8 comentários :

Gi disse...

Que bonita foto. Não sabia que havia em Portugal pontes assim, lembrei-me de outras semelhantes, tropicais.

Feliz ano novo para vocês.

Maria Carvalho disse...

Quase africana, sim. Infelizmente os tarzans circulam de mota em vez de liana.

Tudo de bom para si e para o seu cachorrinho.

Anónimo disse...

Que o vosso ano Novo seja cheio de plantas e flores e árvores e rios e pontes - para a Natureza que vos estima e para nós que vos seguimos estimando.
Abraços da bettips

Virginia disse...

Em tempos fui passear com um amigo meu para Valongo. Ele levou o carro para uma espécie de miradouro e depois andámos a pé junto a um riacho. Não sei se era este, mas dá-me ideia que sim. Adorei o passeio e fiquei com vontade de lá voltar, mas como não tenho carro, nem conduzo, nunca mais lá voltei.A foto é convidativa...

Maria da Luz Borges disse...

Lindo texto!
Belíssima fotografia!
E o sentimento de desamparo, de temor e simultaneamente de plenitude fica-nos da primeira infância.(Lobo mau do Capuchinho vermelho?) Desamparo porque temos que a atravessar pelos nossos próprios meios, temor pelo desconhecido e pela incerteza de sermos ou não capazes de levar a tarefa até ao fim e plenitude porque, depois de alguns passos somos capazes de prever a chegada, com consequente crescimento. É ou não é como a história do capuchinho vermelho?
Talvez, mas é sobretudo um raciocínio demasiado rebuscado para um simples passeio na floresta. O melhor é esquecer a análise e aproveitar o bom ar!
Feliz Ano Novo
Luz

Lísia disse...

Olá Paulo e Maria, é um belíssimo local…com amieiros e freixos notáveis…a preservar! Com o início de um novo ano, não queria deixar de vos dar os parabéns pelo vosso blog!! Sem dúvida um dos melhores (se não o melhor!) que têm aparecido sobre flora…Textos com uma linguagem extremamente cuidada, quer a nível científico quer linguístico, acompanhado sempre com belíssimas fotografias! Aprendo sempre convosco! MUITOS PARABÉNS e continuem com as vossas jornadas…
Ainda sobre plantas invasoras, aconselho uma publicação que saiu em 2009: “Guia Prático para a Identificação de Plantas Invasoras de Portugal Continental” de Elizabete Marchante, Helena Freitas e Hélia Marchante. Caso ainda não tenham, podem solicitá-la junto ao Jardim Botânico de Coimbra.
Um abraço e um óptimo ano
Lísia

Maria Carvalho disse...

Obrigada, bettips, nem sabe como a sua gentileza nos alegra.

Virgínia: Um dia revisitaremos este recanto, e a sua companhia será bem-vinda.

Luz: Um raciocínio rebuscado e um simples passeio na floresta não são incompatíveis. Que sejamos todos bem servidos de ambos neste ano.

Lísia: Não temos ainda o livro que sugere (obrigada), mas vamos comprá-lo em breve. [A Maria Dalila também já no-lo tinha aconselhado.] Estou curiosa sobre algumas das invasoras do próprio Jardim.

Miguel disse...

Uma passagem verde é uma passagem feliz :)