17.1.11

Língua tropical


Asplenium nidus L.

Pelas suas grandes dimensões, este feto tropical de folhagem perene faz figura de irmão mais velho da língua-cervina [a propósito, não se esqueça do Grande Concurso que vai decorrendo por este meses], e por isso o juntamos ao nosso já populoso plantel linguístico-vegetal. Terá de ser porém um animal bem agigantado a receber essa língua que, em condições favoráveis, pode atingir metro e meio de comprimento. Dinossauro? Baleia? Ficam os zoólogos convidados a opinar sobre o assunto.

O Asplenium nidus, cujas folhas lembram as da bananeira pela forma e pelo tamanho, é nativo da África oriental, sudeste da Asia, Austrália e Polinésia. Vive empoleirado em árvores nas florestas húmidas, com as suas frondes dispostas em coroa formando um ninho resguardado onde se acumulam água e matéria orgânica. Não sabemos se há pássaros que ocupem tais ninhos pré-fabricados, mas é bem provável que sim, e aliás o Asplenium nidus é conhecido em inglês como bird's nest fern. Na mesma linha de ideias, alguns horticultores (entre eles José Marques Loureiro, já em 1865) optaram por completar o nome científico do feto para Asplenium nidus avis.

José Marques Loureiro recomendava o Asplenium nidus para cultivo em vaso e adorno de salões. Hoje em dia, com os invernos amenizados que vamos tendo, talvez ele se aguente ao ar livre em boa parte do litoral do país. De facto, o exemplar das fotos, embora envasado, é mantido sem qualquer protecção no exterior de uma das estufas do Jardim Botânico de Coimbra.

2 comentários :

Virginia disse...

Tive vários destes asplenios na minha varanda fechada que era uma autêntica estufa. O verde destas folhas, o seu brilho, o crescimento rápido, tornava-a uma planta grata, encantadora.

Gosto de a ver aqui, agora que já não a tenho na minha colecção.
Obrigada.

James disse...

Realmente os nossos Invernos estão cada vez mais quentes, especies como este Feto Tropical começam a não precisar de qualquer cuidado extra para o nosso clima. Lembro-me das geadas fortissimas que haviam em Janeiro quando eu era miudo...as plantas, mesmo as nossas, ficavam todas cozidas e no jardim tinha-se que se proteger as mais frageis. lembro-me que durante anos a fio não conseguiamos que as Buganvilias sobrevivessem pq simplesmente não sobreviviam ao Inverno. Hoje temos uma Buganvilia com varios metros, que não parece se importar minimamente com o Inverno, perde as folhas mas volta cada ano mais vigorosa. O mesmo com varias outras especies. Toda a gente fala desta diferença para os Invernos de antigamente, mas oficialmente não existe estatisticas que confirmem isto. Não me lembro que o IM tenha imitido algum estudo sobre esta grande alteração nos nossos Invernos, por exemplo este Janeiro não tivemos ainda um Unico dia de geada.