22.2.11

Amoricos


Agrimonia eupatoria L.

As designações desta planta são um rol de mal-entendidos. Chamam-lhe amor-pequeno sendo ela bem maior do que um amor-perfeito; ou agrimónia, que deriva, diz-se que por engano, do grego argemon (catarata), apropriando-se do mérito de outras plantas na cura deste mal dos olhos. Contudo, segundo a Flora Ibérica, esta herbácea também tem uso medicinal por as suas folhas e flores serem ricas em taninos e óleos com acção desinfectante. Para gente saudável, produz tinta amarela. Segundo William T. Stearn, o vocábulo eupatoria celebra Mithridates VI Eupator (132-63 a.C.), rei de Pontus (hoje na Turquia) e inimigo temido de Roma. De memória prodigiosa, que Jorge Luis Borges evocou em Funes el memorioso, esta figura lendária inspirou A. Dumas, A. E. Housman, D. L. Sayers, Mozart e Scarlatti.

Erva perene e rizomatosa, esta rosácea tem folhas compostas (imparipinadas) com folíolos de tamanhos diversos e margens serradas. Detecta-se facilmente entre Maio e Outubro porque algumas espigas florais abeiram-se dos dois metros de altura. É quase cosmopolita, preferindo soutos, orlas de bosque e pastos húmidos. As flores, hermafroditas e sem perfume, de uns 8 mm de diâmetro, têm cinco pétalas amarelas a rodear numerosos estames, e igual número de sépalas verdes que mais tarde se curvarão para formar o fruto. É ele um ouriço (os ingleses chamam-lhe bur) em forma de pião, contendo uma a duas sementes, dotado de uma crina de cerdas para facilitar a dispersão.

Género com cerca de quinze espécies, três europeias, conta na Península Ibérica com duas, a A. procera (alta) e A. eupatoria - que, nos locais onde coabitam, dão por vezes origem a híbridos em geral estéreis.

1 comentário :

JMG disse...

Creio que é este Mitridates inimigo de Roma que aparece num dos livros que começa com "O Primeiro Homem de Roma", de Colleen McCullough. Raio de mulher com as suas novelas viciantes, uma vez varei a noite precisamente com um destes livros.