20.5.11

Lamparina-de-cuco



Silene laeta (Aiton) Godr.

Silenus foi aio, ou tutor, de Baco e uma divindade alegre ligada à floresta. As representações que dele a arte nos tem deixado enaltecem-lhe a jovialidade, o carácter satírico e o humor mordaz. Simboliza, na música (neste quadro, é a figura à esquerda), a sabedoria do que é espontâneo, criado de improviso, em contraste com o que é planeado e se elabora meticulosamente. Mas estes poderes concedidos pelo vinho têm um custo e, em todas as imagens, Silenus surge, rodeado de gente embebida de igual folia, como um herói burlesco, sem elegância, cambaleante e barrigudo. E é este detalhe físico que o cálice das silenes evoca.

Pelo contrário, a S. laeta, com flores quase sempre solitárias, de pétalas com cerca de 7 mm e cor delida, prefere a água. Habita solos turfosos, terrenos alagadiços, margens de lagoas de água doce e marismas, florescendo entre Maio e Julho. Talvez por isso o cálice seja menos pançudo - tanto que a julgámos um cravo e já esteve no género Lychnis - e a planta dure pouco, não mais que um ano.

É uma planta glabra e cespitosa, com folhas lanceoladas que terminam numa ponta curta e aguçada. Nativa da região mediterrânica e do sudoeste da zona eurosiberiana, ocorre na metade oeste da Península Ibérica e, por cá, de norte a sul perto do litoral.

3 comentários :

Lis disse...

Bela muito bela.
Vejo flores qua não existe por aqui.
Essa é a parte boa dos blogs, vamos aos mais lindos sítios com um click.
Parabéns pelo portal de tamanha qualidade.

Anónimo disse...

Olá Maria.
É tão tranquilizador voltar aqui e receber o cálice v/conhecimentos.Neste caso em particular,já por mim fotografada mas c/ dúvidas em dar-lhe o nome que cientificamente teria,já lhe chamei 'suculenta' por talvez ter encontrado foto 'semelhante' nas minhas buscas.Das vezes que a vi julguei que era uma companheira inevitável das sementeiras de aveia e outras gramíneas que se semeiam por só a ver em campos de cultivo.Obrigado.
Carlos Silva

Maria Carvalho disse...

Tem razão, Lis, cada vez se viaja mais por fotografia...

Carlos: Obrigada pelo seu apontamento. Também encontrámos esta silene num campo recém-arado, perto do mar, que no Inverno fica bastante alagado e é um refúgio magnífico de muitas orquídeas.