14.6.11

Estrelas da serra

Narcissus rupicola Dufour

A temporada dos narcisos ainda não terminou, apesar do desbaste nas recentes eleições. Ainda se vêem flores de N. bulbocodium e, em Setembro, no sul, florirá o narciso-tardio, N. serotinus L. Entretanto fomos à serra da Estrela ver o das fotos, que alguém denominou assisadamente auricolor e que fechou o estaminé em Maio: por pouco só lhe víamos os frutos. Como o nome indica, prefere morar em rochas, mas requer granito e ar de montanha acima dos 800 m, e apenas da Península Ibérica. Em Portugal, restringe-se ao norte e centro leste.

As flores têm semelhanças no porte, no hábito de candeeiro-de-mesa e na cor (aqui um amarelo mais citrino) com as do N. scaberelus e do N. calcicola, mas as campainhas-amarelas são solitárias e têm uma corola (a taça ao centro) maior e aparentando um certo desalinho: olhando-a como se fosse uma agulha onde quiséssemos enfiar uma linha, apercebemo-nos de que é um pouco achatada, mais prato que taça, e de que tem um bordo crenulado com, em geral, seis lóbulos irregulares. Afora isso, são aromáticas durante a noite. As folhas são lineares e de margens lisas, mas têm duas quilhas e, portanto, secção trapezoidal. O fruto é uma cápsula oblonga com umas sementes negras e brilhantes.

Marrocos é a terra de outro narciso, o Narcissus marvieri Jahand. & Maire, muito parecido com o N. rupicola e até recentemente confundido com ele, mas de flores muito menores. Por isso, algumas Floras ainda indicam uma distribuição do N. rupicola que inclui território fora da Península.