8.12.11

O sol nos Apeninos




Helianthemum apenninum (L.) Mill.

Mesmo quem nada entenda de flores dificilmente confundirá este arbusto rasteiro com um girassol. No entanto, essas duas plantas tão díspares comungam uma preferência pelo astro-rei que se traduz nos nomes científicos Helianthus (para o girassol) e Helianthemum. Mais do que parecidas, estas duas palavras são sinónimas: ambas nos dizem que as flores das plantas em causa gostam de se virar para o sol. Essa preferência, no caso do Helianthemum, é denunciada pela primeira foto aí em cima, em que as flores surgem alinhadas com um aprumo quase militar. A única falha é que nem todas elas compareceram à parada: há muitas ainda fechadas nos seus botões. É que, como sucede com todas as cistáceas, cada flor, depois de aberta, dura poucas horas, e ao fim da tarde deixa já tombar as pétalas. Porque é preciso assegurar o expediente do dia seguinte, não podem abrir todas as flores de uma só vez.

Aquilo que distingue os vários géneros arbustivos da família Cistaceae (os mais importantes são Cistus, Halimium e Helianthemum, que entre si abarcam 25 espécies da flora portuguesa) são detalhes dos cálices e dos frutos difíceis de observar a olho nu. Há truques que facilitam a identificação: as espécies de flores cor-de-rosa só podem ser Cistus; as de flores amarelas são Halimium ou Helianthemum; os Halimium e os Cistus costumam ser bastante maiores do que os Helianthemum; os Helianthemum escasseiam na metade norte do país. Mas, além de padecer de limitações geográficas, o receituário deixa de fora as plantas de flor branca, que são as mais numerosas e podem pertencer a qualquer um dos três géneros.

O Helianthemum apenninum, que costuma vegetar em lugares pedregosos, é um arbusto muito ramificado com não mais que 30 cm de altura; as folhas têm até 2 cm de comprimento, e as flores (que podem ser amarelas ou, como nas fotos, brancas com centro amarelo) têm de 1,5 a 2 cm de diâmetro. Floresce durante um longo período, de Março a Agosto, e a sua distribuição no nosso país é descontínua e pontual: ocorre em Trás-os-Montes, na Estremadura (serras de Montejunto, Candeeeiros e Arrábida) e no Baixo Alentejo.

3 comentários :

Gi disse...

Uma proposta: que tal uma série de posts para tótós?
Ou já foram feitos no dealbar deste blogue, antes de eu o começar a ler?

Ou, se não neste, num blogue totalmente vocacionado para nós, os ignorantes?

Paulo Araújo disse...

O blogue tem sido a nossa aprendizagem, e é difícil não partir do que já escrevemos, sob pena de nos estarmos sempre a repetir...

A alternativa é mostrarmos as plantas e falarmos de outros assuntos - exercício que, aliás, gostamos de praticar ocasionalmente.

Mas, enfaticamente, os nossos leitores não são tótós, mesmo que queiram passar por tal.

Gi disse...

Paulo, eu sou, mas vou tentando aprender convosco :-)