3.5.12

As línguas do Mindelo


Ophioglossum vulgatum L.

Há lugares que vão crescendo aos nossos olhos a cada visita. Já por várias ocasiões, a última delas a propósito da descoberta de uma população de Ohpioglossum lusitanicum, comentámos as especialidades botânicas que fazem da antiga Reserva Ornitológica de Mindelo um lugar de eleição. À lista junta-se agora o Ophioglossum vulgatum ou língua-de-cobra-maior, uma planta que antes só tínhamos observado na Galiza e que receávamos estivesse extinta em Portugal. As últimas herborizações da espécie na região do Porto, feitas no litoral de Matosinhos (Boa Nova e Praia da Memória), datam de 1893 e 1907. O habitat onde há duas semanas encontrámos algumas dezenas de exemplares é uma reprodução fiel, transportada para o Mindelo, do prado húmido arenoso que acolhia a planta na ria de Vigo.

Ao comparar estas fotos com as que antes publicámos da mesma espécie, o leitor notará como a «língua» ou haste central (em cuja extremidade se reúnem os esporângios) está muito menos desenvolvida. É que as plantas do Mindelo tinham acabado de despontar, e a haste vai-se alongando à medida que os esporângios amadurecem, num processo que se completa em cerca de seis semanas. Depois disso a parte aérea da planta seca e desaparece. Durante dez meses em cada ano ela fica invisível, reduzida a um curto rizoma vertical.

6 comentários :

Carlos M. Silva disse...

Olá
As coisas de que vocês não desistem de encontrar!!!
Vocês encontraram-na: alguém mais sabe?
Já falamos aqui sobre a outra mas ..não há um qq director do Litoral Norte? Ou só assina papeis para manter a boa forma física anti-Parkinson?
Não tem pessoas? e que tal ele mesmo fazer/ficar a saber/agir?
Isto, supondo que existe alguém de nome 'Director'!!
Acho que não existe! Por isso se não faz quase nada!
Abraço
Carlos M. Silva

Paulo Araújo disse...

Olá, Carlos.

Realmente não sabemos a quem comunicar a descoberta. A Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde só existe no papel, pois a Câmara local parece ter perdido todo o interesse por ela uma vez consumada burocraticamente a sua criação. Não deveria ser coisa pouca a redescoberta de uma espécie que poderia estar extinta em Portugal. O normal seria fazer uma inventariação cuidadosa e estudar medidas de protecção. Mas isso seria em países (e em municípios) onde a protecção da biodiversidade não é apenas um chavão para campanhas de marketing.

Abraço,
Paulo

Carlos M. Silva disse...

Olá
A Universidade do Porto certamente tem (imagino!) estudos mas deverá ser capaz de pouco ou nada.
Sugiro que envies ao ICNB mail com isso. Por que informá-los por escrito, resonsabiliza-os (formalmente) por aquilo que não fazem! Ficando à responsabilidade do ICNB a tomada de decisões incluindo comunicar à C. M. sobre a dita 'Paisagem protegida regional'.
Não podes fazer muito mais ..já que este país,instituicional, vive de formalismos ..mas não gosta de os cidadãos os use para os responsabilizar!
Abraços
Carlos M. Silva

Carlos Aguiar disse...

Para bens Paulo, mais uma descoberta espectacular.

Paulo Araújo disse...

Obrigado, Carlos (os parabéns são também para a Maria, pois esta descoberta foi a dois e de facto foi ela que viu primeiro).

Anónimo disse...

Descobri no passado fim de semana uma população deste feto no concelho de Macedo de Cavaleiros , num prado húmido.
Se alguém estiver interessado em saber exatamente o local, poderei indicá-lo por email.
O meu endereço postal é o seguinte:
joaomlourenco@portugalmail.pt

João Lourenço