19.9.12

Flores de aquário



Ludwigia palustris (L.) Elliott


Regressemos à bacia hidrográfica do rio Vouga, desta vez para caminhar junto à lagoa do Mamodeiro. A lagoa some-se no Verão, para o que seguramente contribui a ocupação cerrada das margens por plantações de eucaliptos. Mas ainda se encontram alguns taludes humedecidos (com Pinguicula lusitanica e Drosera intermedia), regatos e zonas paludosas. O fundo avermelhado quase seco de um arroio tinha tantos pés de Alisma plantago-aquatica, Alisma lanceolata, Baldelia repens e Lindernia dubia, que decidimos inspeccioná-lo de perto. Pelo meio viam-se inúmeros caules acastanhados de uma planta rasteira, de folhas glabras com face superior verde e inferior com laivos rubros. Mas de flores nada.

Desconfiámos. Estas ervas quase-aquáticas florescem em geral no Verão para as flores poderem ficar fora da água e assim se fazerem notadas. Com uma lupa corrigimos o engano: havia flores, e muitas, mas verdes, minúsculas e sem pé. Ao contrário do que sucede com outras congéneres suas, as flores da Ludwigia palustris não têm pétalas, só as quatro sépalas que formam uma campânula e persistem no fruto. Quando este amadurece, é amarelo, tem uns 5 mm de comprimento e exibe umas bandas longitudinais verdes.

A prímula-dos-brejos (marsh primrose) é uma herbácea perene, significando isso que vive submersa no Inverno. É nativa da Europa, Ásia, África e América. Em Espanha ocorrem mais duas espécies de Ludwigia, ambas americanas, ali introduzidas.

Com o nome do género, Lineu quis homenagear o botânico alemão Christian Gottlieb Ludwig (1709–1773), com quem manteve uma discussão profícua sobre as vantagens do seu sistema de classificação das plantas. A correspondência entre ambos é um documento histórico valioso sobre esta época da botânica, ecoando as dúvidas e críticas da comunidade científica ao trabalho de Lineu e dando uma medida do seu impacto; pode ser lida on-line.

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