30.10.12

Pau enegrecido



Picconia azorica (Tutin) Knobl.

Que a ilha das Flores é um rectângulo com 17 Km de comprimento e 12 Km de largura é um dado objectivo, do qual somos tentados a deduzir que todas as distâncias na ilha são insignificantes, e que só por comodismo habitantes e turistas se deslocam de carro e não a pé. O pedestrianismo é, além do mais, um modo de combater a claustrofobia, fazendo com que um espaço confinado se alargue em lonjuras insuspeitadas. Na realidade, para quem não é adepto de desportos suicidas, as distâncias que os mapas mostram pouca relação têm com aquelas que somos obrigados a percorrer. Subindo à costa oeste da ilha contemplamos lá em baixo, assim o nevoeiro o permita, os campos delimitados a pedra de lava, verdíssimos e geométricos, que anunciam o casario da Fajã Grande. Um pássaro pôr-se-ia lá num breve bater de asas, mas as centenas de metros da falésia quase vertical obrigam-nos, pobres bípedes, a tomar uma estrada que se enrola e desenrola preguiçosamente por uma dezena de quilómetros.

Aproximarmo-nos gradualmente daquilo que começámos por ver ao longe é pretexto para um jogo de adivinhação com regras flexíveis, em que o apostador pode ir corrigindo a aposta e no final ganha sempre. Que árvores são aquelas derramadas pela encosta como um reposteiro espesso? Criptomérias, sem dúvida. Mais adiante uma mata cerrada de incensos. Um ou outro plátano esquecido à beira da estrada. Não haverá, em toda esta exuberância de arvoredo exótico, uma amostra da vegetação autóctone? Sim, há os fetos, alguns deles raros noutras paragens mas aqui improvavelmente comuns, como o feto-do-botão (Woodwardia radicans) e o feto-frisado (Trichomanes speciosum). E há arbustos que gostariam de ser árvores e lutam por um réstia de espaço numa ilha que já foi sua, como a faia-da-terra (Myrica faya) e o pau-branco (Picconia azorica).

Já quase a altitude zero, com uma pastagem e uma estrada a separá-lo do mar, um bosquete de pequenas árvores com folhagem luzidia e copa de muitos e emaranhados ramos atrai-nos a atenção. Não fossem os troncos quase negros e diríamos tratar-se do pau-branco. Há que saltar um muro para confirmar de perto a identificação. Sim, as flores (poucas, porque tardias) não mentem, e os ramos mais recentes exibem a palidez e lisura que caracterizam a espécie. O pau-branco enegreceu e enrugou com a idade, mas não deixou de ser quem era.

Arbusto ou árvore perenifólia com não mais que 8 metros de altura, a Picconia azorica é endémica dos Açores, onde só não ocorre na Graciosa. Uma segunda espécie, Picconia excelsa, da Madeira e das Canárias, partilha o nome pau-branco e completa um género que é exclusivo das ilhas atlânticas. Ambas têm fama de fornecer boa matéria-prima para a marcenaria, o que, nos Açores, terá contribuído para o desaparecimento de povoamentos antigos. Nas Flores, onde são comuns os indivíduos jovens de Picconia azorica, a espécie não está tão ameaçada como poderá estar noutras ilhas; mas árvores com muitas décadas de vida, como estas na Fajã Grande, parecem ser raras.


Ilha das Flores: Fajã Grande com Picconia azorica em primeiro plano

23.10.12

Imortalidade em flor




Tanacetum corymbosum (L.) Sch. Bip.

Ensina William T. Stearn, no seu Dictionary of Plant Names for Gardeners, que Tanecetum provém da designação medival latina tanazita para o T. parthenium, um malmequer (ver foto em baixo) usado como medicinal desde a antiguidade. Tanazita, por sua vez, deriva do grego athanasia, que significa imortalidade. Segundo o mesmo Stearn, o tipo de imortalidade associado à planta não era, para os seus beneficiários directos, dos mais invejáveis: era a imortalidade dos cadáveres incorruptos, daqueles santinhos póstumos que a devoção popular canonizava sem pedir licença ao Papa. Acreditava-se, por a erva ser empregue para combater os vermes intestinais, que ela teria igual efeito dissuasor nos vermes necrófagos, e por isso era costume enrolá-la nos lençóis que amortalhavam cadáveres.

Nativo da Ásia menor e dos Balcãs, o T. parthenium, útil no mesmo grau para vivos e mortos, foi amplamente cultivado como medicinal ou para ornamento na Europa e na América do Norte. Mesmo tendo passado de moda, naturalizou-se em muitos países, entre os quais Portugal, e neles persiste até hoje. É muito mais fácil encontrá-lo por cá do que ao seu primo nativo T. corymbosum, cujas fotos encabeçam o texto. Este último, com uma área de distribuição que se estende pelo norte de África e por quase toda a Europa, só tangencialmente marca presença na flora portuguesa: é muito esporádico no Gerês e aparece, também em número escasso, nas campinas do interior centro, entre o Alto Alentejo e a Beira Baixa.

De silhueta esguia, atingindo 1,2 m de altura, com os capítulos florais, surgidos entre Maio e Julho, sustentados por longos pedúnculos e agrupados em corimbos perfeitos, com as folhas bipinadas evocativas dos fetos, o T. corymbosum faria óptima figura em jardins se lhe dessem oportunidade. Não menos raro e merecedor de atenção é o T. mucrolunatum, provável endemismo português de distribuição mal conhecida, muito semelhante ao T. corymbosum, porém mais peludo, menos empertigado, e com pedúnculos mais curtos.


Tanacetum parthenium (L.) Sch. Bip.

22.10.12

Erva longa, fonte fresca



A erva-longa é uma herbácea perene que vemos com frequência em muros húmidos à sombra, com um hábito rastejante comum a outra planta, a Wahlenbergia hederacea, abundante no mesmo habitat e com quem quase se confunde. Forma tapetes densos de folhas arredondadas (que lhe valem a designação moneywort) com cerca de 2 cm de diâmetro, peludinhas, de margens lobadas e pecíolo comprido, útil a quem vive rodeado por tanta humidade. As flores são... Flores? Nós nunca vimos flores desta planta, reparámos com espanto há dias. E logo se iniciou uma romaria a vários taludes para levantar delicadamente os talos da planta na esperança de se encontrar uma flor. A floração decorre entre Julho e Outubro, havia só que perseverar. Como a planta se dissemina enraizando-se pelos nós dos caules, parece investir pouco na floração, que é de facto escassa, e nas flores, que não ultrapassam os 3 milímetros de diâmetro. Ainda assim, são um regalo vistas à lupa: axilares e solitárias, com um cálice campanulado e uma corola em tons de branco e rosa pálido.


Sibthorpia europaea L.

Do género Sibthorpia conhecem-se cinco espécies, todas de ecologia semelhante: sítios frescos e umbrosos, perto de fontes ou regatos, em zonas de clima ameno da Europa, África e Ásia. Na Península Ibérica há registo de três, a S. europaea, a S. africana L. e a S. peregrina L. A S. africana, com flores amarelas ou brancas, não é espontânea em África (ao contrário do que o epíteto parece indicar), mas um endemismo das ilhas Baleares. A S. peregrina, de maior porte, flores amarelas com o dobro do tamanho das anteriores e folhas com margens crenadas, é endémica das ilhas da Madeira e Porto Santo, e naturalizada nas zonas mais costeiras de Portugal continental (e o nome peregrina alude precisamente a esta emigração). A S. europaea é nativa da Europa ocidental, das montanhas da África tropical, dos Açores e de algumas, poucas, regiões do Mediterrâneo; na Península prefere a metade ocidental, sob influência atlântica.

O nome do género é uma homenagem ao professor de Botânica, em Oxford, Humphrey Sibthorp (1713-1797), pai do botânico John Sibthorp (1758-1796) que é celebrado, pelas suas viagens de pesquisa botânica à Grécia, Chipre e Ásia Menor, no epíteto sibthorpii.

16.10.12

Bardana da semana



Arctium minus Bernh.

Como pode uma planta ser tão escassa quando Portugal inteiro se empenhou até há pouco em proporcionar-lhe habitats favoráveis? Na época de prosperidade ainda recente em que o todo o país de norte a sul era um estaleiro de obras, o volume de entulhos por quilómetro quadrado não deveria ter paralelo no mundo ocidental. E a bardana, não desdenhando as bermas de caminhos bem pisoteados, do que gosta mesmo é de um bom entulho. Certo é, porém, que ela pouquíssimo se vê. Será defeito dos observadores, avessos a botanizar em lugares degradados? Mas se nós não vamos ao entulho, o entulho vem ter connosco; por muito que o queiramos ignorar, a sua omnipresença assegura-lhe um alto grau de visibilidade. E há plantas igualmente adeptas da low life, como o Cirsium vulgare, que se fazem encontradas sem a menor cerimónia. Parece então legítimo inferir que a bardana, em Portugal, só não é considerada rara por preconceito classista: não se lhe reconhece categoria para merecer tal estatuto. Quando na verdade um entulho com bardana quase mereceria ser incluído na Reserva Ecológica Nacional.

Apesar de não ter folhas nem caules espinhentos, o Arctium minus assemelha-se, pelo tipo de inflorescência, às plantas a que costumamos chamar cardos; e, de facto, pertence à tribo Cynareae da família das asteráceas, a mesma que inclui os géneros Carduus, Cynara, Cirsium e Onopordum. Com um diâmetro de até 2 cm, os capítulos florais do Arctium minus são dotados de brácteas rígidas persistentes, que irão facilitar a dispersão das sementes ao fazerem com que os frutos (ouriços) se agarrem ao pêlo de animais ou à roupa de humanos incautos. A esse costume de se agarrar a tudo quanto mexe deve a bardana o nome alternativo de pegamassa. Igual estratégia de disseminação é usada pelo Xanthium strumarium, bastante mais vulgar em Portugal e também conhecido como bardana ou bardana-menor.

A legítima bardana, essa mais vistosa que hoje nos ocupa, é uma planta bienal, aveludada, que floresce ao longo do Verão no seu segundo ano de vida, desenvolvendo então um caule esparsamente ramificado com 50 a 150 cm de altura. Nativa de grande parte da Europa, instalou-se como imigrante indesejável noutros continentes. Em Portugal ocorre em todo o território continental, e daqui terá apanhado boleia para os Açores e Madeira. A planta das fotos mora na Golegã, numa passagem pedonal sob a linha férrea.

13.10.12

Cães & frutos



Scrophularia canina L.

A associação entre o Senecio jacobaea e a borboleta Tyria jacobaeae, cujas larvas consomem vorazmente as flores e a folhagem desta asterácea, especialmente quando ainda tenra, constitui um meio biológico de controlar a disseminação da planta e parece só lhe trazer dissabores. Contudo, o exemplo da S. canina sugere que talvez haja, ou venha a existir, um acordo com vantagens mútuas.

O insecto Cionus scrophulariae (um gorgulho) alimenta-se das folhas de algumas espécies do género Scrophularia, e pode provocar-lhe grandes estragos. Porém, o uso que faz desta planta não se resume a comê-la: as larvas são guardadas em casulos dispostos nos caules, disfarçando-se de frutos, com que se parecem, e conseguindo assim escapar a alguns predadores. Neste período, a planta recupera da comezaina dos progenitores mas, quando termina a metamorfose e as lagartas finalmente irrompem, sofre novo desaire com o desbaste. Há porém um pequeno desfasamento neste processo de que a planta tira proveito: quando as larvas são depositadas, a planta ainda está em flor, e os polinizadores, atraídos pelo néctar, inevitavelmente reparam nos casulos castanhos, transparentes e brilhantes como gotas de resina (mas não hermeticamente fechadas, têm uns furinhos por onde entra o ar). Ora, este é alimento muito apreciado pelas crias das vespas, que o recolhem sem parcimónia e transportam até aos ninhos. Dessa forma, não apenas há mais polinizadores interessados na planta, como ela se livra de parte do problema. Naturalmente, este ardil só se justifica se a planta for perene, e há alguma evidência de que esta batalha com os predadores pode levar as espécies atacadas a mudarem o seu ciclo anual, tornando-se vivazes.

O nome comum escrófularia-menor explica-se por as flores serem muito menores do que as de outras espécies de Scrophularia, embora semelhantes em tudo o resto: desabotoam entre Março e Julho, agrupam-se em panículas e têm brácteas rudimentares, lobos do cálice arredondados, corola púrpura e estames com anteras violáceas. Embora a maioria das espécies prefira bosques e lugares de sombra perto de cursos de água, há até as que habitam dunas no litoral e a S. canina dá-se bem em sítios pedregosos e leitos secos, encontrando-se em areais costeiros formas de transição entre ela e a S. frutescens. A esta última, frequente ao longo da costa e com flores quase iguais às da S. canina mas de folhas coriáceas, poderíamos chamar escrofulária-das-dunas.

Scrophularia frutescens L.

Os exemplares de S. canina que vimos estavam junto a uma pedreira desactivada na zona calcária da serra de Aire, a cerca de 300 m de altitude. São arbustos pequenos, glabros, de caules estriados, folhas inferiores bastante divididas, as superiores trilobadas e um pouco menos exuberantes. Os frutos parecem nozes de casca lisa com uma abertura mucronada. A Flora Ibérica distingue duas subespécies, a S. canina subsp. canina e a S. canina subsp. ramosissima, mas por cá não há registo da segunda, que é nativa da região mediterrânica. A primeira é espontânea no centro e sul da Europa, parte de África e Ásia e ilhas Baleares.

Não sabemos o que surgiu primeiro, se o nome vernacular escrofulária-de-cão, sugerindo que a planta ajuda a tratar maleitas destes animais, ou Scrophularia canina, cujo epíteto específico pode, como dissemos, também significar menor.

9.10.12

Leopardo verde



Silybum marianum (L.) Gaertn.

Quando uma planta sem eira nem beira tem nome em quase todas as línguas, é garantido que ela nos andou a tratar da saúde. As sementes do cardo-leiteiro ou cardo-de-Santa-Maria (milk thistle em inglês, chardon-Marie em francês, cardo mariano em italiano e em espanhol, Mariendistel em alemão) têm a reputação, firmada ao longo de séculos, de serem eficazes contra as doenças do fígado e da bexiga, e úteis como antídoto em caso de envenenamento. Como bónus, as folhas e hastes da planta são comestíveis em salada enquanto tenras. Se a isto somarmos a beleza da inflorescência e das folhas marmoreadas de verde e branco, não surpreende que o Silybum marianum tenha sido amplamente cultivado desde a antiguidade e, nativo do sul da Europa, se tenha espalhado pelos quatro cantos do mundo. Fê-lo de modo tão aguerrido que na Austrália e na Nova Zelândia é tido como invasor pernicioso.

Nesta época de racionalismo científico não há santo que esteja seguro no seu altar. As virtudes das plantas ditas medicinais são postas em dúvida; e, mesmo quando o seu valor terapêutico é reconhecido, considera-se preferível, a bem da economia global, que elas sejam vendidas pela indústria farmacêutica sob a forma de comprimidos com a dosagem correcta. Os ensaios clínicos com o Silybum marianum, porém, além de não lhe confirmarem a reputação medicinal, alertaram ainda para efeitos secundários indesejáveis. Parece, portanto, que a planta se irá manter nas franjas dúbias da medicina e não fará a transição dos ervanários para as farmácias.

Em Portugal, onde o cardo-de-Santa-Maria é espontâneo no continente e introduzido nas ilhas, a sua presença é cada vez mais esporádica. No Minho e Douro Litoral converteu-se numa raridade. No interior transmontano, beneficiando do abandono agrícola e de um uso menos obsessivo dos agro-químicos, ainda se vai vendo ocasionalmente. Muito antes de lhe conhecermos as inflorescências, já encontráramos no vale do Tua a grande roseta de folhas raiadas de branco a que se reduz durante o Inverno, mas foi só em Macedo de Cavaleiros, nos baldios e terrenos de má fama da sua predilecção, que o vimos em flor.

4.10.12

Alho fora de época



Allium massaessylum Batt. & Trab.

Nomes vulgares: alho-de-Marrocos; purrino (em espanhol)
Ecologia: solos ricos em húmus de sub-bosques e prados húmidos
Distribuição global: endemismo ibérico e do norte de África
Distribuição em Portugal: quase todas as províncias, excepções sobretudo no noroeste e litoral centro
Época de floração: Abril-Junho
Data e local das fotos: 26 de Maio de 2012, estrada de Piódão, serra do Açor
Informações adicionais: escapo (pedúnculo no topo do qual brota a inflorescência) com 15 a 40 cm; folhas basais e canaliculadas; espata (bainha em forma de cartucho que envolve a inflorescência) bivalve (2ª foto); umbela de flores lassa; confunde-se com o Allium roseum, sendo a identificação segura se se atender ao risco de cor púrpura nas tépalas brancas e à túnica externa dos bolbos (no A. massaessylum é meandrinosa, no A. roseum é foveolada)

2.10.12

Lábios de xisto




Cheilanthes hispanica Mett.

Um pouco ao modo dos veraneantes indiferentes às doenças de pele, o Cheilanthes hispanica gosta de sol para se queimar. Dizem os manuais, e confirma-o a nossa experiência, que este feto escolhe para habitação as fendas de rochas xistosas ou quartzíticas amplamente expostas aos raios solares. Mas, quando o estio aperta, as folhas ficam engelhadas e quebradiças, como que (para citar Florbela Espanca) pedindo a Deus a gota de água que as faça revigorar. E essa capacidade de ressurreição, ainda que não seja exclusiva dos Cheilanthes (também os polipódios a possuem), é que lhes permite sobreviverem em lugares inóspitos sem terem constantemente de lançar folhas novas para substituir aquelas que sofrem queimaduras graves.

As relações familiares entre os cinco Cheilanthes presentes em Portugal dariam boa matéria para as revistas cor-de-rosa, se essas publicações se interessassem pelo mundo vegetal. O C. tinaei, que já aqui mostrámos, é uma espécie tetraplóide que resulta do cruzamento de duas espécies diplóides, C. hispanica e C. madeirensis. O C. madeirensis, promíscuo talvez por ser raro e querer assegurar descendência, é pai de mais duas espécies da flora pteridófita portuguesa, C. acrostica e C. guanchica, tendo para o efeito acasalado com duas espécies inexistentes no nosso país, C. pulchella e C. persica. Parece que a duplicação dos cromossomas traz alguma vantagem competitiva, pois tanto o C. tinaei como o C. acrostica são, pelo menos por cá, bastante mais comuns do que os seus progenitores.

Tanta consanguinidade faz recear que as semelhanças morfológicas entre os diversos Cheilanthes tornem problemática a tarefa de os distinguir. O C. hispanica, porém, diferencia-se bem dos seus congéneres pelo verso das frondes revestidas por pêlos cor de ferrugem, e pelo pecíolo desproporcionalmente comprido (confira na 1.ª e 2.ª foto). Já o C. maderensis, C. tinaei e C. acrostica parecem formar uma brigada de trigémeos, mas, além das miudezas morfológicas aqui tão bem explicadas, deve ter-se em conta a geologia do habitat: o C. acrostica é exclusivo dos calcários, enquanto que os outros dois preferem rochas siliciosas.