18.1.13

Alerta azul





Iris planifolia (Mill.) Fiori & Paol. [sinónimo: Juno planifolia (Mill.) Asch.]

O dia prometia chuva com rajadas de vento, da que encharca montanheiros e pode prejudicar as fotos, mas como a floração desta planta atinge o auge no início do Inverno tivemos de desrespeitar o alerta amarelo. Na verdade, esteve uma tarde amena com poucas pingas, e afortunadamente o solo calcário ou argiloso, até pedregoso, que este lírio prefere é poroso e não forma os charcos lamacentos que noutros lugares nos costumam dificultar a passagem.

A flor lembra o lírio-do-Gerês, com certas diferenças: o lírio-azul-de-Inverno é maior, tem uma haste floral mais baixinha e as tépalas internas estão viradas para baixo; as folhas são largas e achatadas, com face superior de cor verde brilhante, margens onduladas e um arranjo que faz lembrar a planta do milho; e é muito mais fácil de encontrar.

A primeira população que avistámos estava no talude à beira de uma estrada de trânsito rápido a caminho de Penela. Pelo canto do olho apercebemo-nos de umas manchas roxas e, apesar do amuo dos condutores que nos seguiam, houve que parar na berma, fotografar calmamente e confirmar que as flores são perfumadas. O segundo local (primeira e segunda fotos) onde havia registo desta planta, num vale com prados entre os montes gémeos Jerumelo e Germanelo, superou largamente as expectativas (talvez porque o Verão foi relativamente seco e o Inverno continua chuvoso).

O lírio-de-amor-perfeito é planta vivaz, com um bolbo tunicado e raízes tuberosas, que hiberna no Verão. Parece que cada flor tem nove pétalas, mas não é bem assim. Há três tépalas externas azuis (por vezes brancas), que exibem uma protuberância central amarela e um zebrado roxo; e mais três internas, de um azul pálido, menos enfeitadas e muito mais pequenas, que estão patentes na base da flor. Finalmente o estilete termina com três cristas bífidas que parecem mais três pétalas, arqueadas sobre os segmentos externos e quase do tamanho destes, na base dos quais se situam os estigmas. Será que o leitor consegue localizar nas fotos todos estes detalhes? Não havia ainda plantas com frutos, mas pode conhecê-los aqui. Como vê, as sementes, rugosas como limões velhos, nascem em cápsulas esbranquiçadas de textura papirácea que se adivinha nas brácteas da haste floral.

A Iris planifolia mudou recentemente de género: não estranhando um Juno que floresce em Janeiro, os taxonomistas chamam-lhe agora Juno planifolia. É a única espécie, entre as cerca de sessenta do género, que é nativa da Europa (ocorrendo também na região mediterrânica, incluindo o norte de África). Em Portugal continental distribui-se pelo Alto e Baixo Alentejo, Algarve e Beira Litoral.

6 comentários :

Carlos M. Silva disse...

Olá Paulo e Maria
Vocês não descansam! Não há hibernação ou pousio que vos tolha. Mas só mesmo quem sabe o que procura para ir num potencial desses dias para obter um outro azul. E este é um azul mais, uma cor mais que não fazia ideia existir!
Surpresas atrás e surpresas; por isso é óptimo vir aqui e ver que sim, a natureza continua a pintar! Obrigado!

Teresa disse...

Que preciosidad. Saludos.

bea disse...

Obrigada, Paulo e Maria.
Desconhecia lírios azuis de inverno. A partir do minuto anterior já vi :); no virtual.Mas é que são tão bonitos! e aquele campo cheio deles...tenho dos lírios outras memórias. É pena que não saiba nomes em latim a distingui-los. Os meus lírios eram altos,de fino recorte e menos cromáticos.Rara e frágil porcelana da natureza. Um etéreo delicado a emergir. Que não esqueço.

James disse...

que beleza, desconhecia esta espécie...e tem valor ornamental! Espero q n se lembrem de começar a arrancar! Obrigado por partilhar.

Anónimo disse...

Vir aqui e esquecer o cinza-tempo ou o cinza-mente ou o cinza-asfalto! Beleza que a indefinição de azul transforma em brilho.
Obg
ainda e sempre, da bettips

Lucia Helena F. Moura disse...

que belo jardim de iris, um ótimo 2013 para vces.!