7.10.13

Assobio com bagas




Cucubalus baccifer L.

Ainda que sejam em geral esses os atalhos que seguimos, identificar uma planta pelo que tem de comum com outras pode levar a que exageremos as semelhanças, avaliando mal a posição dela na árvore filogenética. É o caso desta herbácea a que os espanhóis chamam orelhas-de-vizinho e outros candelárias. Parece uma trepadeira de folhas pequenas pontiagudas ao formar cortinas junto a margens de arroios ou orlas de bosques. As flores, de Verão, são branco-esverdeadas e as pétalas tão fendidas que cada flor parece ter dez, possuindo de facto apenas cinco. O cálice campanulado, bastante inflado, persiste no fruto, sendo muito parecido com o que vemos na Silene vulgaris (que também é perene). Contudo, os frutos são carnudos, umas uvas redondinhas, pretas quando maduras (em Outubro). Nos meandros destas comparações miúdas, reconhecemos que o método é pouco científico: não sabemos se esta é uma Silene que teve de adoptar outro modo de disseminar os frutos, beneficiando da opção de neles colocar mais alimento; ou se o género mais recente é Silene, que, pelo contrário, emagreceu os frutos, reduzindo-os a cápsulas secas; ou se esta planta nem sequer é parente próxima das Silenes.

O nome comum usado por Plínio, cucubalus (designação que talvez esteja associada ao latim cucubo, que evoca o piar das corujas e dos mochos) ou cuculo (o mesmo, mas agora o cantar é dos cucos), foi promovido em 1753 por Lineu a nome científico, embora, pouco tempo depois, tenha havido quem o quisesse empurrar para o género Silene, sob o nome de Silene baccifera, enquanto outros, lançando achas na controvérsia, chamavam Silene cucubalus à Silene vulgaris.

Na Península Ibérica, tão rica em assobios e cravos, ocorre apenas esta espécie do género Cucubalus, e é rara vê-la na metade sul. Relativamente comum no centro e sul da Europa e na Ásia, por cá foi difícil encontrá-la, talvez porque precisa de sombra e água limpa por perto, um habitat que aqui se vai fazendo escasso.

3 comentários :

bea disse...

A minha alma despenha-se no arquear de pétalas desta planta. Obrigada

Carlos M. Silva disse...

Olá

Julgo que já vos indicara (aliás ..terão sido vós a identificar-ma!) mas já não lembro se terei remetido apenas ao Naturdata ou se também ao Flora On. Mas é possível que um dos registos que está no Flora On tenha uma localização igual à do único registo que tenho, no Tâmega, em Chaves, junto à fronteira.
Muito bela ..e estranha para o pouco que sei e que podia inferir das silenes que conhecia.
Cumprimentos

Carlos M. Silva

Maria Carvalho disse...

Sim, foste tu que nos mostraste a primeira foto destas flores. Ficámos então com a impressão de que seria rara por cá, e ainda a mantemos.