28.1.14

Polipódio gigante



Phlebodium aureum (L.) J. Sm. [sinónimo: Polypodium aureum L.]

Na faixa litoral do país, que é onde faz a sua vida uma percentagem cada vez maior de portugueses, a geada, o granizo e a neve são fenómenos pouco frequentes. Daí que a queda de granizo em Lisboa seja notícia de destaque em todos os telejornais nacionais, para grande enfado e encolher de ombros de quem vive no interior. Mas o efeito temperador da proximidade do oceano, além de nos privar de um Inverno branco como vemos nos filmes, também possibilita o cultivo em jardins de plantas tropicais que não foram feitas para suportar temperaturas baixas. Não que isso suscite grande entusiasmo aos portugueses, dado o fraco interesse que eles revelam pela jardinagem. Quem visite o Jardim Botânico do Porto, porém, gostará talvez de saber que certas plantas que lá vegetam estão provavelmente no limite das suas capacidades de sobrevivência, dificilmente podendo ser cultivadas ao ar livre a uma latitude superior ou num clima mais continental.

Uma delas é esta versão agigantada do polipódio, um feto rizomatoso que por cá é muito comum, até nas cidades, empoleirado em árvores, muros e telhados. Se o nosso modesto polipódio (de que em Portugal existem três espécies muito semelhantes) já fornece abundante cabeleira suplementar às árvores, não as deixando ficar carecas no Inverno, imaginem o efeito que ele teria se as suas folhas, em vez de uns 20 a 30 cm de comprimento, medissem mais de um metro. São essas as dimensões do tropicalíssimo Phlebodium aureum (já se chamou Polypodium aureum), um feto que, na sua região de origem (costa leste das Américas desde a Florida até ao Paraguai, incluindo Caraíbas), também tem o costume de subir às árvores. No Botânico, por falta de árvores capazes de o acolher, essa vocação para as alturas está ainda por cumprir, e ele deixa-se ficar rente ao chão, algo tolhido pelo frio ocasional.

Ensinam os manuais que este polipódio-gigante se mantém sempre verde em condições de boa humidade, com folhas que podem persistir durante dois anos. É, contudo, capaz de tolerar alguma secura, optando nesse caso por largar as folhas. O nome genérico Phlebodium, proveniente do grego phlebos (= nervuras, veias), refere-se à densa venação das folhas, que forma um reticulado bem distintivo (visível na terceira foto). Já o epíteto aureum é justificado pelo castanho dourado das escamas que revestem o rizoma, e que podem ser vistas nesta foto.

2 comentários :

bea disse...

O que eu aprendo neste blogue!:) Tenho um polipódio gigante e não sabia.

ZG disse...

Belo e grande polipódio, dem dúvida!!