25.4.14

Cravinho das pesqueiras




Dianthus laricifolius Boiss. & Reut. subsp. caespitosifolius (Planellas) M. Laínz

Como acontece com outras plantas de uso ornamental de que há muitos cultivares produzidos em hortos, os cravos silvestres pouco se parecem com os que se vendem nas floristas. Os ingleses reservam a designação carnation (cravo) para as flores de muitas pétalas (podem chegar a ser 60) que os horticultores preferem, e pink (cravina ou cravelina) para as plantas mais pequenas, de flores com apenas cinco pétalas, algumas fimbriadas ou dentadas na margem, dez estames e dois estiletes longos, por vezes retorcidos. São estas que encontramos em prados, fissuras de rochas, escarpas, clareiras de matos, em zonas secas de montanha ou em afloramentos rochosos em leitos de cheia. As folhas são sempre lineares, estreitas, de ponta aguçada e cor verde-azulado ou acinzentado, com aspecto de enceradas e a formar touceiras anãs. A floração da maioria das nossas cravelinas só está no auge em Maio ou Junho. Mas nas ruas de Lisboa, em Abril de há quarenta anos, havia cravos: eram de estufa, dos farfalhudos e perfumados, que se vendem durante todo o ano e que parte do país, pobre e analfabeta, desconhecia.

O género Dianthus contém cerca de 300 espécies (e uns dez mil cultivares) perenes, anuais ou bienais. Destas, umas 120 são nativas da Europa, uma ocorre só perto do Árctico (D. repens) e as outras distribuem-se pela Ásia e sul de África. A Península Ibérica é terra de cravinas: tem registadas 29 espécies, sem contar com os híbridos, das quais 8 ocorrem em Portugal continental, 3 são endemismos lusitanos e outras três são endemismos ibéricos. Um destes é precisamente o Dianthus laricifolius, de que se distinguem, por minuciosos detalhes morfológicos e pela ecologia, três subespécies: D. laricifolius subsp. laricifolius, do centro da Península Ibérica e que cá encontramos nas Beiras, Minho e Trás-os-Montes; D. laricifolius subsp. merinoi, da região de Orense e Léon; D. laricifolius subsp. caespitosifolius, das bacias do baixo Minho e do rio Sil; e D. laricifolius subsp. marizii, que só ocorre nos rochedos ultrabásicos de Bragança e que, descrita por Sampaio em 1906 como Dianthus graniticus var. marizii, foi mudada em 1986 por Amaral Franco para a designação hoje aceite."

2 comentários :

Ana Rita Gonçalves disse...

E são estes cravos, os silvestres, os meus favoritos. Falta-me ver esta espécie :)

bea disse...

Vá que se vendiam cravos (e parece que o primeiro era branco e não vermelho), podiam ter sido bocas de lobo. E não calhava nada. Mas os acasos fabricam, às vezes, coisas fáceis e poéticas: aconteceram, mas conservam aura de lenda e maravilha inumana.