2.12.14

Erva dos pincéis



Staehelina dubia L.

Estas fotos são antigas, do Verão de há uns dois anos e, estranhamente, não condizem com a memória que tínhamos desta planta. Lembramo-nos dos talos ramificados, dos capítulos de flores com pé alto, das brácteas imbricadas manchadas de vermelho e da folhagem em tom verde-escuro, mas não destas caudas de gatinho com tanto pêlo branco. Dir-se-ia que o Verão das fotografias também teve o seu Inverno. Lemos entretanto na Flora Ibérica (em rascunho) que, quando jovens, as componentes desta planta são até mais lanudas e grisalhas, como se prematuramente envelhecidas. Por certo esta penugem protege-a do vento, ou agasalha-a quando sobe a alturas inóspitas, até porque é frequente encontrá-la desabrigada nos anfiteatros das serras calcárias do centro e sul do país.


Pombal: vale dos Poios

É nativa do oeste da região mediterrânica e, por cá, também há registo dela nos torrões calcários do nordeste e no solo margoso do horst de Cantanhede. Contudo, não a encontrámos nos afloramentos de calcário cristalino e negro de Campanhó, no Marão.

O epíteto dubia está explicado na obra Species Plantarum, onde, a páginas tantas, Lineu comenta que esta planta lhe parece intermédia entre as dos géneros Serratula, Gnaphalium e Staehelina propriamente dita (comparando-a com espécies africanas ali igualmente descritas), sugerindo então que se espere pela frutificação para decidir sobre a identificação da espécie. Agora já não há dúvidas, mas a indecisão de Lineu fará sempre parte da história desta planta.

2 comentários :

bea disse...

É uma erva enganadora, grisalha na juventude:)

ZG disse...

Bela composta, própria do CW. calc.!