24.1.15

Margarida do mar





Matricaria maritima L. [sinónimo: Tripleurospermum maritimum (L.) W. D. J. Koch ]

Em várias praias do litoral atlântico, onde o mar é frio e tormentoso, encontramos perto da espuma, entre redes de pesca e barcos a descansar na areia, exemplos notáveis de estatuária: estátuas com homens de gorro e rosto sulcado, a vencer ondas bravas ou a recolher redes pesadas de peixe, numa homenagem aos pescadores e ao mar fértil; e estátuas com mulheres, mães, viúvas e orfâs, desesperadas ou incrédulas, a injuriar o destino e o mar cruel.

Pelo fim do Outono, no solo arenoso ou junto aos calhaus rolados de praia, protegida do ar salgado e da maresia por dunas ou pela vegetação mais alta, pode também ver-se uma margarida em flor, de folhas verde-claro, sem aroma, laciniadas e carnudas (ou, dado o habitat costeiro, peixudas). Trata-se de uma planta perene, de base algo lenhosa, pertencente (até há pouco tempo) ao género Matricaria, nome que alude a matriz, ou mãe, e à fama da acção medicinal da camomila (Matricaria recutita) no alívio de febres e inflamações, especialmente em parturientes, e como calmante.

O continente português contava com duas espécies de Matricaria, mas recentes revisões taxonómicas alteraram-lhes a identidade. A Matricaria recutita é agora designada por Chamomilla recutita (L.) Rauschert; a Matricaria maritima subsp. maritima, das costas do norte da Europa, chama-se agora Tripleurospermum maritimum. O que distingue estes dois géneros é essencialmente um detalhe aritmético da morfologia das sementes: na Matricaria cada semente tem quatro ou cinco nervuras salientes, no Tripleurospermum há apenas três.

3 comentários :

bea disse...

Margarida do Mar! Que nome bonito.

a.mar disse...

E fotografias muito bonitas!
Obrigada!

Anónimo disse...

Mais uma que só conhecia de nome... Fantásticos os vossos encontros!
Obrigado

A. Carapeto