2.6.15

Campainhas portuguesas



Narcissus lusitanicus Dorda & Fern. Casas [sinónimo: Narcissus triandrus subsp. lusitanicus (Dorda & Fern. Casas) Barra]

A Flora Ibérica publicou em Dezembro de 2013 uma revisão do género Narcissus, com três endemismos portugueses, vários espanhóis e alguns ibéricos. Os autores reconhecem a dificuldade em arrumar a casa de um género muito usado em horticultura e, por isso, com inúmeros cultivares cuja relação com as espécies silvestres é por vezes problemática. Que características na chave proposta ajudam a identificar os narcisos? Naturalmente, começamos pelas flores, mas a secção e nervuras das folhas ou a época de floração também servem para decidir. Sobrando dúvidas, há ainda as sementes.

Pois bem, a forma da corola e as tépalas reflexas sugerem sem grandes hesitações que os narcisos das fotos são da espécie N. triandrus. Sendo essencialmente ibérica (com algumas populações em França), a Flora Ibérica reconhece-lhe duas subespécies, a típica (N. triandrus subsp. triandrus), que ocorre no norte e noroeste da Península Ibérica, em geral com duas (às vezes mais) folhas de secção trapezoidal, com duas quilhas na face inferior bem vincadas, e cujas flores exibem tépalas longas, a cobrir o tubo; e a subespécie do sul (N. triandrus subsp. pallidulus), com uma folha cilíndrica, estriada mas sem quilhas, e flores de tépalas curtas. Não surpreendentemente, na fronteira destas duas metades da Península, observam-se plantas com características intermédias. As plantas cujas flores são de cor amarelo intenso, como as que vemos nestas fotos, foram colocadas na subespécie... pallidulus. Os autores da revisão também se aperceberam da designação bizarra, e para não serem acusados de desvalorizarem diferenças, justificam-se: são os aspectos foliares e biométricos que sugerem esta opção.

As populações de N. triandrus que observámos em Proença-a-Nova e em Oleiros, na Beira Baixa, com corola e haste diminutas e flores (com raras excepções) solitárias, configuram, segundo vários autores, uma terceira subespécie, o N. triandrus subsp. lusitanicus (Dorda & Fern. Casas) Barra, ou mesmo uma espécie autónoma, descrita como Narcissus lusitanicus em 1989. Essa independência, altamente plausível para quem já pôde observar as plantas, é validada pela Euro+Med Plantbase, que reúne e avalia a informação actualizada das floras europeias.


Oleiros - serra do Moradal

2 comentários :

bea disse...

São tão lindas de saia à cabeça!

ZG disse...

Grande post, sem dúvida! Também conhecemos os ditos narcisos lusitanos dessas serras da BB e são de um amarelo bem vivo e absolutamente canário (existem outros narcisos de cor mais sulfurosa a que talvez se aplique melhor a designação "pallidulus", efectivamente)!!