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05/04/2008

Tisana 310



«É Primavera. No jardim do palácio pairam nuvens de sementes aladas. Enchem o ar, batem-nos no rosto, infiltram-se em casa. São belas, quase brancas, estas aéreas naves persistentes. Rolam pelo chão em pequenos novelos ocos e levíssimos. Caindo no lago em massa são mantos de espuma que o vento arruma. Olho calada toda esta vida prometida que se afoga.»

Ana Hatherly

21/03/2008

Dia da árvore


Trachycarpus fortunei

Da janela do automóvel vejo uma espécie de palmeira plana como um leque. Digo sabem o que aconteceu àquela árvore um gigante esqueceu-se dela dentro de um livro. Cortesmente todos riem.

Ana Hatherly, Tisana 143

03/02/2008

Cyclamen persicum



«Tive uma vez um ciclamen num vaso. Quando eu chegava a casa a partir de algum tempo as flores viravam-se para mim, seguindo os meus movimentos. Que extraordinário, pensava eu então, bastante comovida. Mas um dia descobri que o anidrido carbónico que eu exalava era o que as movia. Fiquei desolada. Mas sem razão. Tudo o que é vivo quer viver.»

Ana Hatherly, 445ª tisana

26/01/2008

Pepineiro-bravo


Ecballium elaterium

«Era uma vez uma ilha onde se perdia o tempo. Os habitantes começavam todos por chegar de alguma parte. Instalavam-se, casa, horta, pomar. Mas aos poucos iam perdendo os dias da semana, uma quarta-feira, uma sexta-feira, algumas tardes, muitas noites frias. A horta crescia e decrescia mas de parte nenhuma para parte nenhuma e a certa extraordinária altura quando alguém comia por exemplo uma salada de tomate perguntava já o que é isto.»

Ana Hatherly, 463 tisanas (Quimera Editores, 2006)

13/08/2007

Camarinha


Corema album

Era uma vez uma camarinha que queria ser cabeça de fósforo. Para quê perguntou uma grainha de uva.

Ana Hatherly, Tisana 65 (1973)

11/05/2007

Lábios da terra



Lamium maculatum / Lamium galeobdolon

Sento-me à porta de casa e penso. o céu onde começa? é imediatamente acima do chão? estamos sempre no céu então?

Ana Hatherly, in 63 Tisanas (1973)

17/06/2006

Tisana 83.ª

Era uma vez um mono-asa. Como era mono-asa só podia voar numa direcção. Mas a generosa natureza tinha tomado as suas providências e assim ao mono-asa não importava nada saber para onde ia ou donde vinha. Por isso a sua asa tinha o aspecto duma barbatana e a maior parte das vezes servia-lhe de leque.

Ana Hatherly, 63 Tisanas (1973)



Tisanas de flores de tília (fotos mdlramos)