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4.2.05

Árvores monumentais- Palácio do Freixo (Porto)

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Palácio do Freixo - Campanhã- Porto 2004.05
Araucária-de-Norfolk (Araucaria heterophylla); Afrocarpus falcatus - exemplar já aqui retratado.


Sequóia-sempre-verde (Sequoia sempervirens); tulipeiros (Liriodendron tulipifera)

1.2.05

In memoriam

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Fotos: mdlramos 04 ....FLORA, escultura de Teixeira Lopes (filho) - Jardim da Cordoaria
Inaugurado em1904, este singelo monumento presta homenagem a José Marques Loureiro (1830-1898), o mais ilustre horticultor portuense -proprietário do Horto das Virtudes e do Jornal de Horticultura Prática.
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Do lado esquerdo destaca-se o tronco da sequóia gigante (Sequoiadendron giganteum) da Cordoaria, de que aqui já falámos, e ao fundo a Araucaria bidwilli recentemente classificada como árvore de interesse público (ambas plantadas em 1867).

26.1.05

Pão silvestre


Fotos: pva 0412 - Araucaria araucana - Águas Santas (Maia)

A araucária das fotos é um exemplar jovem, de copa com formato piramidal típico, de uma das espécies mais raras no país, resultado de uma preferência de longa data pela Araucaria heterophylla (antes chamada excelsa) e, mais a norte, pela A. angustifolia. A propósito, escreve Duarte de Oliveira Júnior, em 1873, no Jornal de Horticultura Prática: «É esta uma das espécies mais ornamentais e, segundo a nossa opinião, excede em beleza a Araucaria excelsa, que aliás é a predilecta de muitos horticultores que nos acusarão de profanos, proferindo tal sentença. A sua rusticidade e a sua beleza como árvore ornamental deveriam assegurar a esta planta uma propagação rápida no nosso país.» E mais adiante: «A Araucaria excelsa é por certo bonita e o seu garbo é o que mais nos seduz. A Araucaria imbricata não é elegante, mas tem um porte austero e como que nobre. Só temos notícia de um exemplar que mereça ser assinalado. Pertence esse indivíduo ao sr. Chistiano Van-Zeller e está disposto na sua quinta de Villar (Porto). É um belíssimo espécime: mede de treze a quatorze metros e os verticilos estão dispostos com a maior regularidade possível, parecendo mais obra do homem do que da natureza. Como se a natureza não fosse mais caprichosa que a imaginação do homem!» [O exemplar aqui mencionado já não existe, pois a Quinta de Villar há muito que desapareceu.]

Da família Araucariaceae (que tem três géneros, Araucaria, Agathis e Wollemia), nativa da cordilheira andina partilhada pelo Chile e pela Argentina, a Araucaria araucana (antes imbricata) é uma conífera que gosta de frio, de crescimento lento e folha perene. As folhas têm cerca de 3 cm de comprimento, são rijas, de cor verde escuro brilhante, lanceoladas e muito ponteagudas, espiralando densamente em torno dos ramos. Estes dispõem-se no tronco como raios de um círculo, dando à copa da árvore adulta, que tem o tronco inferior despido, uma forma que lembra um guarda-chuva - imponente quando a árvore supera os 30 metros de altura. As sementes, produzidas em grande profusão mas só em exemplares com mais de 20 anos, são como amêndoas com o dobro do tamanho, comestíveis e muito apreciadas até em farinha, de importância comercial comparável à das tâmaras ou dos cocos. Esta é uma espécie dióica e as árvores femininas podem exibir mais de vinte cones, recheados de pinhões saborosos, por ramo. Assegura Duarte de Oliveira Júnior: «A quantidade de sementes que produz cada árvore feminina excede o que se imagina, e não se exagerará afirmando que os índios da região Araucariana estão completamente livres de passar fome.»

No Chile, onde ainda hoje há extensos povoamentos desta espécie, a Araucaria araucana é monumento nacional desde 1990. O nome alude aos índios pehuenche, da tribo mapuche, que vivem na Araucania e cuja oposição corajosa à ocupação espanhola é cantada por Pablo Neruda na Ode à Araucaria araucana.

Esta araucária chegou à Europa no século XVIII com o cognome monkey puzzle (ou désespoir des singes), fonte de alguns mal-entendidos. O termo teria sido sugerido aos europeus por um comentário sobre a aspereza da folhagem, que dificultaria a escalada aos macacos... afinal inexistentes na região de origem desta árvore.

19.1.05

Araucárias classificadas (Monchique)

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Fotos: 0308 - Araucárias-de-Norfolk (Araucaria heterophylla) em Monchique
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«Altura total: 34.00 m.; circunferência a 1,30 m.: 4,05 m.; diâmetro médio da copa: 18,50 m.; idade provável: centenária; localização: Qtª da Vila. Observações: árvore alta e bem conformada que se destaca na Vila de Monchique. Classificação em 14-08-1993
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Altura total: 40.00 m.; circunferência a 1, 30 m.: 4,50 m.; diâmetro médio da copa: 16,50 m.; idade provável: centenária; localização: Qtª do Viador. Observações: árvore muito alta e bem conformada. Situa-se à saída de Monchique para o Barranco dos Pisões. Classificação em 14-08-1993 »
in Árvores isoladas, maciços e alamedas Classificados de Interesse Público, Instituto Florestal (1995)
A ler: A Araucária do Largo dos Chorõs

7.11.04

Árvores do Jardim do Carregal #2



A segunda árvore desta série sobre o Jardim do Carregal pertence à família Araucariaceae, como as araucárias de que aqui falámos. Tem nome de senhora mas é ainda uma menina: é uma Agathis robusta com cerca de 6 metros de altura e não mais de 20 anos. A palavra grega agathis significa "novelo de fio", aludindo à forma dos cones femininos deste género; o termo latino robustus refere-se ao tamanho e idade que a árvore pode atingir: são conhecidos exemplares com 50 metros de altura, 3 de diâmetro do tronco e mais de 2 mil anos.

O nosso espécime vegeta no bordo do jardim mais ameaçado pelas obras da construção do túnel do Carregal, que já lhe destruíram várias ramadas. Esteve mesmo para ser abatida, mas a oportuna consulta por parte dos construtores do túnel ao Jardim Botânico do Porto, confirmando que se trata de "árvore rara", salvou-a de destino tão desonroso.

Como todos os membros da família Araucariaceae, trata-se de uma árvore perenifólia; as suas folhas são tendencialmente opostas, com pecíolo curto e achatado, cerca de 10 cm de comprimento, de cor verde-escuro, face superior brilhante como se envernizada, e distinguem-se bem pelo recurvado nas margens.



O tronco é maciço, cinzento, de madeira amarelada (da cor da sua resina), com casca lisa ou coberta de leves escamas, livre de ramagem na maior parte da sua altura. Além disso é monóica (orgãos reprodutores masculinos e femininos na mesma árvore), mas a produção de sementes só ocorre em idades superiores a 30 anos e o nosso exemplar não produziu ainda cones.

É originária de Queensland, na Austrália, e portanto conterrânea da Araucaria bidwillii; para lhe aliviar as saudades de casa, a nossa árvore foi plantada perto de uma destas araucárias. Não conhecemos outro exemplar de Agathis no Porto; Amaral Franco, nos Anais do Instituto Superior de Agronomia, menciona um de bom porte no Palácio de Cristal mas que já não existe.

Fotos: pva 0410

12.10.04

A nossa "bidwillii" favorita

.Fotos: 0312..

Esta é a nossa araucária favorita. Encontra-se no Jardim da Cordoaria, no Porto e é uma Araucaria bidwillii. Originária da Queenslândia, na Austrália, a sua designação científica homenageia John Bidwill, o primeiro director do jardim Botânico de Sidney. Vulgarmente entre nós é chamada araucária-da-Austrália, araucária-da-Queenslândia e também pinheiro-bunya.

Uma das características destas árvores é o formato parabólico da copa, vísivel na fotografia da direita, aqui também e ainda aqui, numa fotografia panorâmica do arvoredo da Quinta de Vilar d'Allen, onde se destaca uma outra Araucaria bidwillii.

5.10.04

Savana

«Partimos do Mountain-Inn às 8 horas, tempo fresco e translúcido. Começámos a descer curveteando, entre o alto relevo, como quem se esgueira de um paraíso terrestre sem querer acordar Adão, mas sem Eva afinal de quem se despedir... Temos de calcorrear bons trezentos e oitenta e tal quilómetros, daqui a Pretória; mas em menos de dez minutos estamos no peniplano, em Louis Trichard, a tal cidadezinha-jardim, de casas de presépio, baixas. Dela se sai para uma recta imensa, destas que hipnotizam e cegam quem vai ao volante, numa imensa planície rasa de palha branca, pontuada à nossa beira por farms de cottages crispados na sua desconfiança de primeiros ocupantes pioneiros, e rodeados de verdura espaireciva. As araucárias contam os anos de colónia: são as pirâmides deste Egipto.»

Vitorino Nemésio, Jornal do Observador (1973)

3.10.04

"O maior e mais belo exemplar ..."

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fotos: mdlramos 0312 -Araucaria angustifolia

Sobre esta Araucária-do-Brasil, localizada em Lordelo, Guimarães, concelho vizinho de Vizela, diz Ernesto Goes o seguinte: «Trata-se do Pino do Pará (sic) ou seja duma espécie do Sul do Brasil e Argentina. Por este facto, muitos emigrantes regressados daqueles países, por saudosismo, têm plantado um ou vários exemplares nas suas quintas, principalmente nas províncias do Minho e Alto Douro.
O maior e mais belo exemplar que conhecemos, fica numa Quinta junto à estrada de Stª Tirso-Guimarães ao Km 33-3 (a 11,5 km de Guimarães). Esta árvore tem as seguintes dimensões: perímetro do tronco a 1,30 m do solo (P.A.P.) -2,95 m.; altura do tronco, limpo de ramos- 20,00 m.; altura total-30,00 m.»

in Árvores Monumentais de Portugal (1984)


Araucária-do-Brasil

Com indicações tão precisas, claro que fui direitinha lá dar.
Na fotografia do lado direito a máquina disparou mais depressa do que eu pensava mas ainda me apanhou de costas... e não há nada como uma figura humana para se ter uma ideia mais precisa das dimensões das árvores. No entanto apesar da sua altura, e devido a estar depois da apertada curva de Lordelo, este "pinheiro-do-Brasil", que segundo me informaram está na "Quinta das Rendas" (?), passa despercebido a quem vier de Guimarães.

No site dedicado à freguesia a que pertence este lugar, e excepção feita ao loureiro, abordado do ponto de vista toponímico, não se faz referência a mais nenhuma espécie, no entanto, para além desta magnífica Araucaria angustifolia, há na zona outras árvores dignas de nota, nomeadamente plátanos de porte momumental (na mesma propriedade), carvalhos (ao pé da velha Igreja Matriz) e ainda um conjunto invulgar de Cupressáceas.

Araucárias-do-Brasil em Vizela e Viseu

1.10.04

De Vizela a Viseu, via Brasil

Vizela Viseu

Pegue num pau redondo, muito comprido e muito hirto, que comece por ser largo e vá estreitando até à outra ponta, e faça-o assentar de pé sobre a sua parte mais grossa; espete-lhe, a toda a volta do seu terço superior e a intervalos regulares, e de modo a com ele fazerem ângulos rectos, outros paus mais estreitos e mais curtos; e cole uma grande bola verde na extremidade de cada um desses paus.

(Pausa para dar tempo ao leitor de executar mentalmente as instruções do parágrafo anterior.)

Já está? Acabou de construir aproximadamente uma araucária-do-Brasil (Araucaria angustifolia): uma árvore de desenho tão simples que se diria um rabisco de criança. Pois essa árvore vem de épocas remotas, quando o Criador se podia dar a infantilidades, sem teologias que o atrapalhassem.

Muito se passou na Terra desde que as araucárias apareceram no período jurássico: os continentes deslocaram-se, houve catástrofes, extinções em massa, surgiram outras formas de vida; aqui e ali, na América do Sul, Austrália e Nova Caledónia, abrigaram-se as sobreviventes em pequenos nichos. Delas dizemos hoje que são exóticas, o que é de uma trivialidade insultuosa para estas anciãs, habitantes antigas de um planeta entretanto colonizado por plantas arrivistas (como elas lhes chamariam se falassem) a que nós chamamos autóctones. As araucárias não vêm propriamente de outro lugar, mas de outras eras, e merecem por isso o nosso acolhimento e veneração.

A araucária-do-Brasil é a Gata Borralheira da família. No século XIX, quando se iniciou a voga destas árvores nos jardins europeus, esbanjavam-se elogios com a araucária-de-Norfolk (A. heterophylla), com a araucária-do-Chile (A. araucana) e, em menor grau, com a araucária-de-Queensland (A. bidwillii); mas ninguém tinha uma boa palavra para a araucária-do-Brasil. Chegaram a considerá-la defeituosa por, ao contrário das suas congéneres, os exemplares adultos só terem ramos na parte superior do tronco. E o seu preço de venda reflectia essa apreciação: o Horto das Virtudes, de Marques Loureiro, vendia-a 10 a 20 vezes mais barata do que as suas irmãs.

Talvez por isso não haja muitas dessas araucárias no Porto (uma dessas raras árvores ajudou-nos a decifrar parcialmente um enigma dos nossos amigos Aliados): o burguês endinheirado preferia, para o seu jardim, árvores mais caras e requintadas. Mas, noutros lugares do norte do país, e mesmo nos concelhos confinantes com o Porto, numerosos exemplares já adultos da araucária-do-Brasil desmentem garbosamente a depreciação estética de que a espécie foi vítima. Tanto em Vizela como em Viseu, que há pouco visitámos, ela é mesmo a araucária mais numerosa nos jardins e parques públicos: e assim, além da afinidade fonética, um novo laço (brasileiro) une estas duas urbes lusitanas.

(fotos: pva / mdlr)

13.7.04

Pinheiro do Paraná #1

Fotografia: S. Miguel de Seide > - Famalicão
A araucária-do-Brasil (A. angustifolia) não é tão frequente em Portugal como a sua congénere Araucaria-de-Norfolk (A. heterophylla) , mas vai-se encontrando em algumas quintas e jardins, sobretudo no Norte.
A designação actual da espécie, que já foi denominada A. brasiliensis, deve-se ao facto das suas folhas serem estreitas ("angusti" em lat.).

No Brasil, onde aparece nada menos do que na bandeira de um estado (Paraná) e de sete municípios (Araucária , Curitiba, Ibaporã , Irati , Pinhalão , S. José dos pinhais ), são muito variadas as suas denominações, podendo citar-se entre outras: curi, curiúva, pinheiro-araucária, pinheiro-são-josé; os nomes mais correntes em Portugal são araucária do Brasil, pinheiro-brasileiro e pinho ou pinheiro do Paraná.
O nome da capital deste estado, Curitiba, deriva justamente da expressão em língua tupi: "curi" (pinheiro ) e "tiba" (muito, abundante).

Enquanto que a nossa preocupação pelos exemplares que vão resistindo à urbanização e destruição dos jardins pode ser considerada um tanto ou quanto diletante, no Brasil o assunto é bem mais sério e prende-se com a sobrevivência das florestas originais.
Ver por exemplo: S.O.S Araucárias
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"Paraná" - Através do Brasil ; "O maior e mais belo exemplar ..." (em Portugal)

Araucária-do-Brasil sobrevivendo


Araucária-do-Brasil - rua do Barão de S. Cosme (Porto)

No jardim e casa desertados este belo pinheiro-do-Paraná (um dos outros nomes da Araucaria angustifolia) não tem os seus dias assegurados.
Ao longe, entrevê-se a ramagem de um cedro do jardim da Escola Superior das Belas-Artes.

Ver: "O maior e mais belo exemplar ..." (em Portugal)

12.7.04

Araucárias - Cedofeita

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foto: manueladlramos 0404
A dona morreu, as árvores ficaram.
Bem apetece entrar para melhor apreciar as araucárias centenárias (e outras árvores) do antigo jardim da Baronesa do Seixo, na rua de Cedofeita (Porto).
Ao fundo uma araucária da Austrália (Araucaria bidwillii) e em segundo plano uma araucária de Norfolk (Araucaria heterophylla).
Além das araucárias, há lá o maior metrosídero do Porto: uma árvore fabulosa, com múltiplos troncos que se desenvolveram a partir de raízes aéreas; um jacarandá monumental e um conjunto de gingkos verdadeiramente original.
O jardim, agora parte de um condomínio privado e por isso inacessível ao público, data da década de 1870, e foi um dos jardins particulares desenhados pelo alemão Emílio David, autor dos jardins da Cordoaria e do Palácio de Cristal.
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