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20.6.06

Os metrosíderos do Castelo do Queijo


Metrosideros excelsa

Quem os plantou não sabia que a mão de Deus ali estava.
Quantos anos se esperou por aquele deslumbramento?
Quantas gerações ali foram aguardando o milagre da Natureza?
Ninguém sabe? nem é preciso!
O importante é o presente que nos pertence e o privilégio de o vivermos.
Passar lá com sol, é enfiar os olhos no verde meio claro da ramagem que a luz viva embrulha!
Olhar as folhas com a luz rouca e cinzenta da chuva é também um espanto!
Quando paramos para ouvir a música do vento fustigando as folhas (seja ele norte ou suão), nasce um concerto de luz e de dança deslumbrante.
São árvores? Não! São arbustos centenários que o tempo agigantou com uma imensidão de altura e uma copa enorme e densa impossível de medir.
Mas com o vento suão e a chuva a acompanhar, os ramos cantam e?
Choram acompanhados pelas gotinhas de água caindo.
Os metrosíderos do Castelo do Queijo são mesmo inexplicáveis. Nasceram para as gentes que passam.
Entendê-los? Só o tempo o consegue!
Primeiro manda-lhe um verde perene e variado. Porque a folha pela frente é mais viva e tem mais cor, mas pelo avesso é esbranquiçada. E assim fica linda e espessa com o passar das estações.
Mas quando o Verão se aproxima vamos lá para espreitar o que está a preparara-se.
Um dia nada se vê; depois o botão verde começa a chegar, e com o tempo vai-se abrindo até nos trazer uns fios rubros que afinal são a flor. De longe vêem-se aqueles chapeletes bem vermelhos deslumbrando quem olha e quem vê!
O Verão chegou! E os metrosíderos acharam pouco mostrar o seu porte enorme e lindo, e quiseram dar-nos aquele espectáculo que une a Terra ao Céu. A maravilha daquelas manchas extraordinárias aconchega-se em nós até ao próximo Verão. Quase não é preciso esperar porque aquele espectáculo da Natureza se enraíza na nossa alma e a imagem ao vivo volta intermitentemente pela mão da nossa imaginação.


Maria de Sousa
Passeio Alegre, Junho de 2006
(texto enviado por Ana Aguiar)

23.5.06

Magnolia classificada - Cabanas (Afife)

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Têm reparado nas flores, grandes, brancas, e no seu perfume de passagem? As Magnolias grandiflora estão a florir há já uma semana, o que ainda não acontecia quando visitei esta, em Cabanas. Não se trata de uma qualquer: secular, "guardiã", classificada de interesse público, foi cantada e amada por poetas:
«Alta magnólia, brônzea de folhagem,
E de flores de neve a arder no lume
De capitoso e oriental perfume,
Do convento-solar guarda a passagem.»
(Alberto de Oliveira)

Silhueta em contraluz de Magnolia grandiflora classificada de interesse público em 1944. Sita no Convento de Cabanas, com «a idade provável de 150 anos, altura total- 17 m, circunferência (do tronco a 1,30 m)-4.00 m e diâmetro provável da copa- 25,50 m» (1)


É por assim dizer quase impossível chegar a este local "sombrio e muito pitoresco" (2) sem perguntar o caminho: não vislumbrei uma placa, um sinal, uma seta a indicar a existência de património classificado. Mesmo o simples acesso ao lugar só se encontra depois de se ser devidamente orientado em Afife. Por isso a surpresa é completa quando se depara com a pontezinha sobre o "ribeiro de águas cristalinas", a belíssima e secular magnólia e o Convento de São João de Cabanas, imóvel também classificado de IP (pertença de um particular).

Ribeiro ou Rio de Afife : em primeiro plano a folhagem perene da magnólia.
Nuns azulejos datados de Junho de 2004 e assinados pela 'Comissão do Centenário' - do nascimento de Pedro Homem de Mello (3)- pode ler-se: «Neste ambiente irreal de Cabanas, no secular mosteiro junto ao ribeiro de águas cristalinas, à sombra da magnólia guardiã, se inspirou o poeta para as suas mais belas poesias.»
Para não fugir à regra, e pelo que se pode verificar de desordenada e intensa urbanização da zona, este bucolismo parece ter os dias contados. É pena. Entretanto, é sem dúvida um sítio a (re)visitar.

(1) In Árvores Isoladas, Maciços e Alamedas de Interesse Público-Instituto Florestal ; (2) Id.
(3) Ler
artigo do Prof. Cândido O. Martins
Mais sobre Afife e a sua
história
Outras Árvores Classificadas

17.4.06

Notícia: Carvalho classificado em Montalegre

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Carvalho da Forca: Árvore de Interesse Público (no site oficial da CM): «Plantado na Praça do Município, este exemplar arbóreo foi finalmente classificado como de alto valor ecológico, paisagístico, cultural e histórico.
É um dos emblemas mais característicos da vila de Montalegre que viu finalmente ser-lhe reconhecido o seu alto valor patrimonial. Falamos do "Carvalho da Forca" (espécie Quercus robur L.), erguido na Praça do Município (em frente ao edifício da Câmara Municipal).
O projecto camarário Ecomuseu de Barroso coordenou o processo de classificação do carvalho, como ?Árvore de Interesse Público?. (...)» .


Árvore elevada a Interesse Público (no Jornal de Notícias) : «Para assinalar a atribuição da classificação, a Câmara colocou uma placa junto à árvore. "Desta forma, todos saberão que estão perante uma Árvore de Interesse Público, que deve ser preservada", explica o presidente, Fernando Rodrigues, para quem o velho carvalho poderá constituir mais um motivo de atracção turística para o concelho.»

Carvalho da Forca (no blogue TdB - Terras de Barroso) : «(...) Tal como o "Carvalho da Forca", também, outros carvalhos, nomeadamente os da zona envolvente do Castelo de Montalegre, poderiam ser objecto de outras propostas de classificação, mas para que tal acontecesse não poderiam ter sido sujeitos à poda bárbara que lhes deferiram num passado recente. (...)»

Montalegre - Wikipédia
SCETAD - Câmara Municipal de Montalegre
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21.3.06

Árvores com histórias: a "árvore grande" de Alijó

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«A "Árvore Grande" é um pedaço da alma de Alijó»
Por Nuno Amaral (textos) e Nelson Garrido (fotos) no Público de hoje

«O orgulho no plátano, mandado plantar há 150 anos, está espelhado no mais ínfimo pormenor da comunidade. No Dia Mundial da Floresta, câmara e freguesia convidam as crianças do concelho a plantarem 150 plátanos.

Sentada na borda da lareira, Maria Laura Rodrigues vai desfiando as memórias da "Árvore Grande". Conta a "balbúrdia" que Alijó viveu há pouco mais de 50 anos, quando o boato que corria anunciava o fim do plátano. "Dizam que o iam cortar para fazer socos", solta, por entre sorrisos. O povo não gostou. E o rumor deu mesmo azo a uma peça de teatro, como que para afastar os demónios. Maria Laura teria uns 16 ou 17 anos. A mãe, enfatiza, ainda serviu na casa do visconde de Alijó, o homem que mandou um servente, António Pela-Gatos, deitar a semente à terra. Agora, aos 70 anos, recorda os tempos em que as "notícias" circulavam debaixo dos ramos do plátano. "Aquilo sempre foi um ponto de encontro, era o centro da vila", afina.
Na véspera do Dia Mundial da Árvore, Graciano Ferreira olha para a escultura que a câmara e a junta de freguesia hão-de descerrar hoje. A lápide ainda está tapada. Há um novo banco de madeira debaixo das ramadas. Um feixe de luz há-de iluminar-lhe o tronco.

"Então não namorei? Eu e todos. Houve aqui muitas declarações de amor", esclarece. Hoje, aos 65 anos, é menos "maroto". "Ah, mas naquela altura, era, lá isso era."
O simbolismo do ancestral plátano está em cada pedaço de Alijó, no coração do Alto Douro vinhateiro. Todos lhe conhecem a história. Todos lá viveram um pedaço da infância. À entrada da vila, pelo sul, quem vem de Pinhão, está a Escola de Condução Plátano. Na avenida central, o Café Plátano. A árvore ilustra porta-chaves, faz parte dos panfletos de promoção turística. Criou uma rota própria. A "Árvore Grande", no léxico local, é mesmo o símbolo da Junta da Freguesia de Alijó. "É um pedaço da alma desta vila", classifica o autarca Alípio Alves. Tanto assim é que a comemoração dos 150 anos do plátano era um dos pontos do manifesto eleitoral do socialista. "E, se o tempo ajudar, amanhã [hoje] é cumprido", regozija-se.

Festa para todos ao final da tarde
Para que a homenagem também singre na terra, os alunos das escolas do concelho plantam 150 plátanos a poucos quilómetros do centro da vila. "Ao final da tarde, teremos um momento de poesia e um lanche aberto a toda a população, porque a "Árvore Grande" é de todos", sublinha o presidente de câmara, Artur Cascarejo.
Foi junto ao local onde havia de nascer a árvore que a mãe da Maria de Laura conheceu o visconde de Alijó. Uns anos depois, já a mãe de Laura trabalhava na casa senhorial, o visconde mandou plantar a árvore. Porquê, nunca se soube. Mais tarde, o local onde o plátano já ganhava corpo, e um simbolismo próprio, deixou de integrar a quinta dos "senhores". A passagem era estreita e o filho do visconde deu mais um pedaço de terra.
Hoje, ao final da tarde, Maria Laura há-de sentar-se nas imediações da árvore a ouvir poesia e a saborear uma vitela. "Já há 50 anos lá estive. Foi quando puseram a placa dos cem anos."


A "Árvore Grande" cresceu e resistiu. A placa ainda hoje avisa o viajante. Ou "viandante", como escreveu o antigo inspector escolar Mira Saraiva. Na súplica que lavrou, o plátano faz um pedido aos visitantes: "Tu, que passas, olha-me bem e não me faças mal". »

Ler a propósito: Plátano de Alijó (17.10.05) ; PLÁTANO COMPLETA 150 ANOS

12.3.06

Carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis)

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Há uns dias surgiu na blogosfera um apelo veemente no sentido de se salvarem os eucaliptos de grande porte que estão a ser abatidos na "estrada da Fóia" em Monchique, as últimas grandes árvores que teriam sobrado- (presumo que) nessa parte da estrada- do grande incêndio de 2004.
Também se interrogava Manuela Rocha sobre o destino das árvores que na estrada de Monchique para o Alferce se encontram assinaladas por marcas vermelhas. Provavelmente o legítimo proprietário já as destinou para o abate, contando com o provento que delas poderá obter.
Mas repito aqui o que já escrevi no Dias sem árvores: será que se justifica o abate de árvores de grande porte mesmo que em propriedade particular, quando de certo modo elas se tornaram parte integrante da paisagem de um local e por isso "pertença" de todos? Qual o papel das autarquias nestes casos? Não "deveriam" adquirir essas árvores e zelar assim pelo património natural das localidades? Muitas delas mereciam ser classificadas de interesse público como foi o caso desta de que hoje se publicam alguns "instantâneos", obtidos justamente no Verão 2004 (antes da segunda leva de incêndios).

Trata-se de um Quercus canariensis, classificado em 1993, que se encontra na E.N. 267 - a referida "estrada do Alferce"-ao Km. 32,820).


Este espécie de carvalho de folha semi persistente é originária da zona mediterrânica ocidental : Sul de Espanha, Portugal e África do Norte (onde se podem encontrar exemplares de porte excepcional, geralmente associados "a lugares sagrados") .
Conhecido entre nós por carvalho-de-Monchique, é, noutros idiomas, designado por uma grande variedade de nomes todos eles interessantes pela informação que transmitem: em árabe- zen; em francês- chêne zène, zéen ou zan, chêne de Kabylie, chêne des Canaries , chêne algérien, chêne de Mirbeck ; em inglês- algerian oak, canary oak, Mirbeck's oak ; em espanhol- quejigo moruno, quejigo andaluz, quejigo africano e roble andaluz. (fontes: aqui , aqui e aqui) .
A placa que assinala a classificação deste exemplar indica ser uma árvore centenária; já na publicação do Instituto Florestal, Árvores isoladas, maciços e alamedas Classificadas de Interesse Público (1995), pode ler-se que «é relativamente jovem, mas importante pela sua raridade». As suas dimensões, de acordo com o referido documento oficial, seriam então: 22.50 m. de altura, 2, 80 de circunferência a 1.30 m. e 21.00 de diâmetro médio da copa. Também aí se diz ser este carvalho propriedade da Junta Autónoma das Estradas. Na publicação homónima do mesmo Instituto (versão policopiada) de 2003, há dúvidas quanto aos proprietários, na medida em que aparece também como possível dono a C.M. de Monchique (para além da JAE).
Neste concelho, no lugar do Pomar Velho, foi classificado em 1997 outro Quercus canariensis.

Outras árvores classificadas de Monchique: Araucárias classificadas - Plátano- Sobreiro centenário

12.2.06

Pinheiro manso "desclassificado"- Gaia

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Pinheiro manso (Pinus pinea)
- altura total: 21 m - P.A.P.: 3,5 m - diâmetro da copa: 18 m
- idade provável: centenária
- localização: Av. da República (gaveto com a rua D. Pedro V), freguesia de Mafamude, concelho de Vila Nova de Gaia
- "Árvore de porte elevado que serve de referencial a esta zona da cidade"
- classificada em 25-Janeiro-1993
In Árvores isoladas, maciços e alamedas de Interesse Público, 1995 -Instituto Florestal, DGRF
.............................................................................

-"desclassificada" em ???
-abatida em???

(resposta à pergunta que Bruno santos deixou aqui)

6.2.06

A Madrinha

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É um dos contos que mais gosto de ler na escola; da autoria de Leonel Neves conta a história de um velho ulmeiro que os habitantes de uma vila descobrem com grande alegria estar na origem do nome da sua terra: Mosqueiro. Tudo graças à visita de um velho sábio, o doutor Pafúncio da Silva, que aproveitara a sua estadia nas termas da vizinhança para visitar a velha árvore de que tinha ouvido falar.

«(...) Esteve mais de dez minutos a andar à roda da árvore, a olhar para ela, muito calado, e por fim disse:
- É um belo ulmeiro, talvez o maior ulmeiro português. Devia ser considerado monumento nacional. E deu o nome à tua vila, como sabes.
O senhor Presidente da Câmara, que tinha sido colega do sábio na Universidade de Coimbra e o levara junto da árvore, ficou de boca aberta e gaguejou:
- O... quê?
- Ulmeiro... mosqueiro --disse o doutor Pafúncio.
- Estás a perceber?
- Não - respondeu o sr. Presidente. - Ora explica lá isso.
E o sábio, que sabia tudo de árvores, explicou:
- Ulmeiro ou ulmo é o mesmo que olmo ou olmeiro. Mas também pode ter outros nomes: negrilho, lamegueiro ou... mosqueiro. Se não acreditas, vai ver a um bom dicionário. Com certeza esta árvore, há algumas centenas de anos, é que deu o nome a esta vila. Donde julgavas tu que vinha o nome da tua terra?
- Eu... eu... E achas que isto é um monumento nacional? - perguntou o senhor Presidente.
- Devia ser - respondeu o sábio. - Mas, pelo menos, é de interesse público, o que quer dizer que, sendo como é uma árvore tão antiga, tão alta e tão bonita, ninguém lhe pode fazer mal. ninguém a pode cortar. É da lei! Encontras tudo isso num decreto publicado há muitos anos no «Diário do Governo» (agora «Diário da República»). (...)»
Leonel NEVES, in O cão, o gato e a árvore

O resto da história ... bem não vou ser desmancha-prazeres e contar o fim; só adianto que acaba muito bem.

Agora, qual a razão dos nomes negrilho e mosqueiro para o ulmeiro? Terão algo a ver com a doença que os afecta -provocada por um fungo e com os insectos nocivos associados a esta árvore, Pyrrhalta luteola e Scolutus multistriatus (este último transmissor da grafiose) ?

19.1.06

Cedros monumentais de Portugal

No seu Árvores Monumentais de Portugal (1984), Ernesto Goes lista os seguintes cedros monumentais fazendo preceder cada espécie de uns curtos parágrafos.
«Cedros (Cedrus).
Pertencem à família das Pináceas. No género Cedrus há a considerar no País 3 espécies que atingem dimensões assinaláveis, que são: Cedrus deodara, Cedrus atlantica e Cedrus libani.
Qualquer destas espécies têm sido bastante plantadas em parques e jardins e mesmo em arborizações de perímetros florestais do Estado. As madeiras destas espécies são muito apreciadas para a construção e marcenaria.

Cedrus deodara : É oriundo da Ásia, das montanhas do Himalaia e Afeganistão, sendo de considerar os seguintes exemplares de porte excepcional:

  • No Jardim Botânico de Lisboa, com 3, 20 m. de P.A.P.*, 35 metros de altura, fuste direito e copa frondosa.
  • No Parque do Colégio da Companhia de Jesus em Cernache de Coimbra, há um exemplar com 35 metros de altura, em que o tronco tem 3,80 metros de P.A.P., e está despido até 8,5 metros de altura.
  • No Jardim Botânico de Coimbra, há um exemplar com 3,40 m. de P.A.P., e 30 metros de altura.
  • Na Mata do Buçaco, há inúmeros exemplares com 3. m. de P.A.P., e 35 metros de altura.
    O mais grosso com 3,20 de P.A.P., fica próximo da casa do Guarda da Lapa e foi plantado em 1878. Por comparação com medições efectuadas por Brito Peres em 1964 verificou-se que esta árvore engrossou cerca de 19 cm. em 19 anos.
  • Na quinta do Paço, em Moledos, no concelho de Tondela, com 4. 02 m. de P.A.P., 30 metros de altura e 20 m. de diâmetro de copa.
  • Na quinta do Prado, em Briteandes, no concelho de Lamego, há um exemplar com 5,00 m. de P.A.P., 23 metros de altura e 32 m. de diâmetro de copa sendo o maior que se conhece no País. Nesta quinta ainda há dois exemplares que também merecem ser assinalados, respectivamente com com 4 e 3,97 metros de P.A.P.. ( Ver álbum de fotos)
  • No Parque das Termas de S. Vicente, no concelho de Penafiel, um exemplar em que o tronco tem 3,4 m. P.A.P. e está limpo de ramos até 9 m. de altura.
  • Na Quinta do Convento de Tibães, há dois exemplares junto ao lago, que têm respectivamente 3,26 m. e 3,16 m. de P.A.P e 37 m. de altura.
  • No Parque do Solar dos Mateus, em Vila Real, um exemplar plantado em 1870, que é constituído por uma rebentação de toiça, com 6 rebentos, cada um com 0,80 a 1 m. de diâmetro na base.

Cedrus atlantica: É oriundo das montanhas do Atlas, no Norte de África, sendo de destacar os seguintes exemplares:

  • No Parque do Hotel Grão Vasco , em Viseu , em que o tronco tem 6, 35 metros de P.A.P. o qual a 2 m. de altura se ramifica em 9 pernadas sendo a central a mais grossa, que em parte substitui o antigo fuste. É uma árvore muito imponente que tem 27 metros de altura. Está considerada de interesse público por decreto publicado em "Diário do Governo".
  • Na Mata do Buçaco há vários exemplares de grande porte, tendo o maoir 3 m. de P.A.P. e 30 m. de altura. Fica próximo da Casa do Guarda das portas de Serpa e foi plantado em 1878.
  • Na Quinta do Prado em Briteandes, no concelho de Lamego, há a considerar dois exemplares, respectivamente com 3, 75 e 3,53 m. de P.A.P.

Cedrus libani: É oriundo do Médio Oriente. Não queremos deixar de referir que cruz que Cristo transportou e onde foi crucificado era de madeira de Cedro do Líbano.

  • No Jardim Botânico do Porto, há dois exemplares, tendo o maoir 3, 95 m. de P.A.P e 30 m. de altura.
  • No Jardim do Palácio de Cristal da Cidade do Porto há dois exemplares com 4, 75 e 2, 02 de P.A.P.» (P.A.P. =perímetro à altura do peito -a cerca de 1,30 m. do solo)

Ernesto Goes não pretende ser exaustivo e há no nosso País (nomeadamente no Porto) outros cedros de porte assinalável não referidos pelo autor.

Na lista de Árvores isoladas, maciços e alamedas Classificadas de Interesse Público pela Direcção-Geral das Florestas (2003), por exemplo, apenas um exemplar dos mencionados por Goes se encontra classificado (o Cedrus atlantica do Hotel Grão Vasco (Viseu), vindo ainda nesse documento oficial pelo menos 5 árvores classificadas que não são referidas no livro: 3 Cedrus atlantica (em Coimbra, em Lisboa, e em Chaves- nota: sempre pensei que este último fosse um Cedrus deodara) e dois Cedrus deodara ( em Lisboa e na Régua).

15.1.06

Quercus robur em Souto de Bairros

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Carvalho roble ou carvalho alvarinho (Quercus robur L.) em Souto de Bairros, freguesia de Santiago de Bougado, concelho da Trofa. Com cerca de 200 anos, foi classificado de interesse público em 2002.
Mais informação sobre os Quercus robur (no Naturlink)

28.11.05

O cedro momumental do Hotel Grão Vasco (Viseu)

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Cedro-do-Atlas (Cedrus atlantica) classificado de interesse público em 1965, no jardim do Hotel Grão Vasco em Viseu.

Ernesto Goes no seu livro sobre Árvores Monumentais de Portugal diz que este cedro-do-Atlas centenário "deve ser o maior do País". Será?
Salvou-se graças ao arquitecto António Viana Barreto como se transcreve na Gazeta Rural (Viseu-1.08.2004) : «"O cedro atlântico que se mantém junto ao Hotel Grão Vasco estava previsto ser sacrificado pela abertura de nova avenida de acesso ao Rossio". Ora o que este fazedor de paisagem acabou por propor foi o desvio da dita avenida e a manutenção do cedro hoje considerado imóvel de interesse público.»
Na publicação do Instituto Florestal sobre árvores classificadas as informações sobre esta árvore monumental são as seguintes: altura total- 34,oo m; circunferência a 1,30 m- 4,80 m; diâmetro médio da copa- 29,00 m; idade provável- centenária.

17.10.05

Plátano de Alijó


Plátano monumental de Alijó, conhecido como a "árvore grande". Plantado em 1856 e classificado de interesse público em 1953. Segundo Ernesto Goes , ca1984, tinha «6 m. de P.A.P., 30 m. de altura, e 26 m. de diâmetro de copa.»

14.10.05

As palavras correctas parecem às avessas


Foto: pva 0510 - alameda de 85 plátanos em Ponte de Lima, na margem esquerda do rio, plantados
em 1901 e declarados de interesse público em 1940


«Há países cuja cultura se expande como uma árvore alta, enraizada em húmus próprio e elaborado pela criatividade e pela memória do povo que faz as suas terras. Noutros países, porém, entre a raiz e a copa parece ter havido uma ruptura. A enxertia, em vez de enriquecer e apurar o original, parece, pelo contrário, apostada em travar o trânsito da seiva. O aperto é tanto que as duas partes da mesma árvore chegam a uma mútua desconfiança, por mais que alguns jardineiros a tragam tão fanaticamente cuidada que chegam a pôr virtude no defeituoso corte. (...)

E porquê este relambório numa altura destas? (...) Porque seria bom que a cultura e a arte em geral se produzissem descomplexadamente e sem obcecadas imitações dos modelos que a aldeia global hoje reproduz até à exaustão, esvaziando-nos de nós mesmos e subtraindo-nos o espaço da criação e o fermento mais íntimo. Deveríamos respirar o nosso ar. Ter na memória quem cuidou dos frutos que ainda hoje estão disponíveis para a nossa sede, ou os grandes plátanos cuja sombra continua a separar o sol da frescura, por nossa causa.»

Manuel Hermínio Monteiro, in Ler / Livros & Leitores, nº 24, (1993)

11.9.05

Mais árvores, menos sombras (cont.)

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A propósito de um comentário meu ao texto "Mais árvores, menos sombras" (In Público, Local Porto-05.09.05) , a jornalista Andrea Cunha Freitas teve a gentileza de enviar um elucidativo mail com as informações (transcritas mais abaixo) que não foram então publicadas pelas razões que a seguir explica :
Sobre as árvores classificadas (e também sobre o trabalho de inventariação e diagnóstico desenvolvido pela equipa da Universidade de Trás-os-Montes) fiz um pequeno texto separado.
A questão do espaço nas páginas de um jornal é um factor a ter em conta quando se depara com assuntos tão vastos com "as árvores no Porto". Um assunto que, como sabe, pode encher de histórias as páginas de um livro inteiro. É impossível dizer tudo.


«O BI e a protecção legal
Nos últimos tempos as árvores têm merecido especial atenção quer com a atribuição de um Bilhete de Identidade, pessoal e intransmissível, quer com a recente classificação de mais de 240 exemplares.
Em 2004 a equipa de especialistas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) concluiu o diagnóstico e inventariação do arvoredo nos espaços públicos do Porto. Hoje, excluindo grandes parques municipais da cidade, as cerca de 30 mil árvores que existem nos espaços públicos têm um bilhete de identidade que permite não só saber a sua história e características como planear o seu futuro com eventuais intervenções.
Segundo a actual coordenadora deste trabalho, Isabel Lufinha, se somarmos a este número as árvores existentes nos grandes parques (Parque da Cidade, de S. Roque, da Quinta do Covelo, etc.) o número de árvores no Porto ultrapassará seguramente os 60 mil exemplares.
A base de dados, apoiada num Sistema de Informação Geográfica, tornou-se uma ferramenta precisa na gestão do património vivo e o trabalho desenvolvido nos últimos anos foi, em Julho, alvo de uma candidatura ao Concurso de Boas Práticas de Modernização Autárquica. Por outro lado, no início do ano, o número de exemplares classificados e protegidos por lei aumentou de 4 para 242, numa iniciativa proposta e promovida pela associação ambientalista Campo Aberto.

O perfil do parque arbóreo:
30 mil exemplares
164 espécies arbóreas
78 géneros
64 por cento de folhosas ornamentais
20 por cento de outras folhosas (fruteiras silvestres, plantas arcaicas, mediterrânicas e fagáceas)
16 por cento de resinosas ornamentais
60 por cento com necessidade de intervenção (desde uma simples rega ou poda a um abate)
15 por cento de árvores com interesse especial
30 por cento tem menos de 30 anos
40 por cento entre os 20 e os 50 anos
30 por cento com idades superiores a 50 anos

A árvore no Porto tem uma média de...
20 anos
7,2 metros de altura
17,5 centímetros de diâmetro (tronco)
4, 3 metros de diâmetro médio da copa

Andrea Cunha Freitas»
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(Só uma justa nota relativamente à classificação das árvores: as que foram classificadas este ano na cidade não foram exclusivamente por proposta da Campo Aberto; algumas foram propostas pela NDMALO (Nucleo de Defesa do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro). Ver detalhes em Árvores classificadas do Porto. manueladlramos)
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30.8.05

Nos jornais: "Árvores classificadas estão de 'boa saúde'"

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Notícia do dia 28/08 n' O Primeiro de Janeiro
«(...) Chama-se Eucalyptus diversicolor Müller, 'vive' no que resta da Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra, e foi plantado no final do século XIX. Com 75 metros de altura e mais de 30 metros de tronco limpo de ramos, é a mais alta árvore da Europa. Sobreviveu ao incêndio do último fim de semana. À semelhança desta, e de acordo com o técnico responsável pela mata, Francisco Pinto Bravo, outras "árvores classificadas encontram-se de boa saúde".
O aviso está afixado à entrada da mata, em cartazes que alertam os visitantes para os perigos decorrentes do incêndio que afectou cerca de 80 por cento de um dos pulmões de Coimbra:"Em resultado do fogo que destruiu parcialmente a mata, algumas árvores, pinheiros e cedros, foram gravemente afectados, podendo cair a qualquer momento".
Isto para além de o Instituto de Conservação da Natureza já teve o cuidado de, "rapidamente, mandar cortar algumas árvores situadas perto das vias de comunicação e do parque de merendas da mata, prevenindo possíveis acidentes".
No entanto, refere ainda o aviso do ICN, "como no interior da mata ainda existem muitas que, provavelmente, irão cair, apelamos ao visitante para durante os próximos dias evitar zonas onde exista uma maior densidade de arvoredo queimado". Algumas destas áreas estão já delineadas por fitas de cor vermelha e branca e são bem visíveis. Ainda de acordo com a nota de Francisco Pinto Bravo, "o ICN está já a tomar medidas conducentes à recuperação da mata".
Vale de Canas, juntamente com o Jardim Botânico e o Parque de Santa Cruz, era um dos maiores espaços verdes da cidade. Nas várias casas que circundam a mata são visíveis os estragos causados pelo fogo em sebes e jardins ardidos, num cenário desolador.»

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27.7.05

O ulmeiro da Cordoaria #1

Na sua última crónica, Germano Silva traça-nos a história do espaço onde actualmente existe o Jardim a que nos habituámos a chamar da Cordoaria e evoca o seu famoso ulmeiro, também ele "pertencente à história":
«(...) Com o seu jardim descaracterizado, maltratado, vilipendiado, a Cordoaria, vamos continuar a dizer assim, é, ainda, e sobretudo, uma página da história portuense. Porque a memória não se apaga.
O verdadeiro padrão dessa praça foi um "ulmus" famoso, uma curiosidade bairrista sem a expressão e o pitoresco de um monumento de verdade, mas ainda assim popular e venerando. Essa árvore velhinha, plantada em 1612 e que só morreu (de pé) mais de trezentos anos depois; que resistiu a muitos temporais e saiu incólume de um incêndio; que deu sombra e pousio a várias gerações; sofreu uma calúnia grave acusaram-na de ter cedido um dos seus mais possantes ramos para nele serem enforcados ladrões, bandidos e arruaceiros. Tudo mentira. Na chamada "árvore da forca" nunca alguém foi pendurado.
(continuar a ler

Claro que a leitura da crónica despoletou a lembrança de outros textos que falam sobre a histórica árvore e não perco a oportunidade os divulgar.
O facto de esse ulmeiro vetusto, desaparecido em 1986, ter ficado conhecido pela "árvore da forca" deve-se provavelmente à circunstância de realmente se ter procedido nas suas imediações à execução de sentenças em que os condenados eram enforcados, e eventualmente também à própria forma das pernadas que iam sobrevivendo e do tronco.
Ainda em 1984, ou seja dois anos antes de este ulmeiro quadricentenário perecer, Ernesto Goes repete essa ideia e escreve : «Ulmeiro do Jardim da Cordoaria , no Porto, com 6,80 m.. de P.A.P., sendo o mais grosso que conhecemos. Esta árvore é muito conhecida no Porto pela "árvore da forca", onde eram enforcados os condenados à pena capital, antes de esta ter sido abolida em 1840. Ainda hoje é bem visível o cadafalso, ou seja o patamar resultante do corte do tronco a 5 m. de altura de onde eram empurrados os condenados à morte. (...)»

Foi uma das primeiras 14 árvores classificadas de interesse público, logo em 1939, e uma das três que na cidade do Porto ficaram então ao abrigo desse estatuto, como já aqui se escreveu.

Em 1885, num texto em que resume a história desta árvore velhinha e todas as vicissitude por que passou, José Duarte de Oliveira Júnior, curiosamente, não fala de enforcamentos mas sim de decapitações e sugere que nesse Outono se colhessem algumas sementes «para por via d'elas, se perpetuar tão famoso vegetal, e que no dia 14 de Outubro de 1886 se disponham quatro destas árvores ao lado das quatro entradas principais do actual jardim, increvendo-se, próximo de cada uma essa data sanguinolenta: 14 de Outubro de 1757.» e acrescenta:
«Agora, não; porém, mais tarde, a história ocupar-se-á dessas vergonteas que são prolongamento da vida de um ser que bem do alto observou o que as gerações actuais comentam por diversas formas.
Enquanto esse colosso vegetal viver, enquanto ele tiver um único sinal de vida, cuide-se dele como de um enfermo que bate às portas da morte, como do parente extremoso que está próximo de exalar o derradeiro suspiro, e mesmo depois de morto conserve-se ali o seu tronco, considerando-o uma relíquia da cidade; mas hoje coloque-se-lhe ao lado um lápide com esta singela inscrição:

"Árvore da Liberdade
Nasceu em 1611
viu decapitar muitos inocente
e vive ainda em fins do séc. XIX
rodeada dos carinhos de um povo culto."
Os povos têm hoje amor pela tradição, e é necessário repeitá-la.»
Duarte de Oliveira Júnior in "A Árvore da Cordoaria"- "Chronica horticola-agricola", Jornal de Horticultura Prática, Vol. XVI, 1885 (p. 58)

21.7.05

Pinheiros mansos monumentais

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Pinheiros mansos (Pinus pinea) monumentais na mata da Quinta de Santo Inácio em Fiães (Avintes- Vila N. de Gaia)
«Pinheiros Mansos
Estamos no local do antigo jogo de croquet. Antigamente este local era circundado de uma bordadura em granito e tinha junto uma fonte de água fresca. Não existem vestígios deste local de jogo mas os antigos pinheiros mansos aí estão, cada vez maiores.
A este propósito uma carta datade de 1800 faz-nos pensar que estas árvores poderão ser descendentes de uma plantação dessa época. Diz essa carta, assinada pelo Superintendente e Conservador da Marinha Real, que: "Pedro van-Zeller tinha um pinhal com mais de 50 anos que estava ferido por grandes pedras lançadas pelos rapazes para deitarem abaixo as pinhas carregadas de pinhões. Por esse motivo solicitou licença para o deitar a abaixo e semear um novo no mesmo local"»


(Pinheiros a salvo? Nem estes! Hoje no nosso país a arder não está nenhuma árvore a salvo. E quem diz árvore, diz bicho, diz pessoa! Viver no campo, na serra, perto de uma bouça ou de uma mata é estar em perigo de vida. Quantos por esse país fora com o coração nas mãos! )
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Adenda:
TERRORISMO AMBIENTAL - DIA DE LUTO PELAS FLORESTAS
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7.7.05

"Plátano de Portalegre"

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Portalegre 2002-08
«O mais célebre plátano do país é o de Portalegre, que se situa num jardim desta cidade, cuja sombra é muito apetecível principalmente no Verão. Esta árvore que foi plantada em 1838 junto a uma linha de água, tem hoje o tronco em grande parte soterrado, em virtude dos aterros sucessivos para nivelamento do actual arruamento (Av. da Liberdade). Está considerado de interesse público por decreto publicado em "Diário do Governo".
Do tronco que presentemente é muito curto, com 5, 26 m de P.A.P., saem inúmeras pernadas que formam uma copa larga e densa, com 27 m. de diâmetro.
É de notar que este plátano, segundo Sousa Pimentel, em 1894 tinha 3 metros de P.A.P. e a copa 24 m. de diâmetro.» Ernesto Goes- in Árvores Monumentais de Portugal ,1984




Adenda- 21 Março de 2007 - depois de ler o interessante texto publicado sobre o dia da árvore (no jardinando sem parar) em que se refere esta árvore classificada, resolvi acrescentar as seguintes informações:
Junto deste plátano encontram-se duas placas comemorativas: a que vemos na fotografia assinala a comemoração dos 160 anos da árvore e data de Dezembro de 1998; numa outra pequena lage (ver foto) datada de Junho de 2000, assinalando o Dia Mundial do Ambiente, pode ler-se que a árvore foi classificada de interesse público em 1939 e que as suas dimensões eram então as seguintes: diâmetro da copa- 46 metros; perímetro do tronco: 5,66 m. ; altura: 30 metros.

Ver aqui e aqui duas interessantes fotografias antigas deste plátano, nos anos 40 do século XX e dos anos 80 do século XIX.

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15.6.05

...no jardim do Passeio Alegre...

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Foto manueladlramos 0404
Araucárias em primeiro plano e ao fundo, diante do mar, as palmeiras *

Chegaram tarde à minha vida
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausica, mas só
no jardim do Passeio Alegre
comecei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos

vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,

para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis - assim nuas.

Eugénio de Andrade (Rente ao Dizer, 1992)

*Tal como o jacarandá do Viriato, também as 63 araucárias (Araucaria heterophylla) e as 28 palmeiras (Phoenix canariensis) do Jardim do Passeio Alegre foram classificadas de interesse público em Janeiro passado.
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12.4.05

Dos jornais - Árvores excepcionais vão ser classificadas

«Existem árvores raras e centenárias no concelho de Coimbra que merecem ser protegidas. Para muitas delas, nunca ninguém olhou com a devida atenção. Classificar as árvores mais importantes da cidade como património de interesse público é um dos objectivos do Departamento de Ambiente e Qualidade de Vida da autarquia de Coimbra. O processo de identificação dos exemplares a candidatar à Direcção Geral das Florestas (DGF) foi iniciado após luz verde do executivo camarário.
Para já, o conjunto de palmeiras (Phoenix dactylifera) que se enconta no jardim da Avenida Sá da Bandeira é um dos núcleos arbóreos de maior valor já identificados, não só pelo número de exemplares reunidos, como também pelo seu alinhamento e dimensão alcançada.

Embora localizadas numa zona menos nobre, também as duas araucárias existentes na margem esquerda do Mondego, na Quinta da Várzea - Lages - são exemplares que merecem destaque pela dimensão e idade, tal como a araucária que está junto aos Arcos do Jardim.

Outro conjunto que também é um autêntico «monumento verde» refere-se ao núcleo de tílias da Rua Pedro Monteiro, que os especialistas consideram «em muito bom estado fito-sanitário». (...)

Em Coimbra, todo o património existente no Jardim Botânico fica fora do processo de classificação uma vez que já se encontra devidamente protegido pelo seu próprio estatuto, na dependência da Universidade de Coimbra.

As espécies da Quinta das Lágrimas, uma vez que se encontram em propriedade privada, também não serão alvo de estudo dos serviços municipais. Neste caso, Paulo Lúcio, engenheiro florestal que cuida dos jardins e mata do hotel, informou que o referido espaço faz parte da Associação de Jardins Antigos e Históricos. Até agora nunca foi equacionado avançar para a classificação das árvores existentes, embora confirme a presença de «exemplares únicos na Península Ibérica», como é o caso da «famosissíma Ficus Macrophila, originária da Austrália, conhecida erradamente como borracheira». Com cerca de 40 metros de altura, é uma árvore que mantém um crescimento excepcional com raizes que se desenvolvem à superfície como «escoras». Também as Olaias (árvores de Judas) e a sequóia, que se diz ter sido plantado pelo Duque de Wellington aquando das invasões franceses, são exemplares raros que dominam a mata da Quinta da Lágrimas.»

(Extractos de uma reportagem de António Rosado publicada ontem em asbeirasonline)

Fotos: pva 0502 - Ficus macrophylla e Sequoia sempervirens na Quinta das Lágrimas - Coimbra

2.2.05

As primeiras árvores classificadas no Porto

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As primeiras classificações de árvores de interesse público ocorreram em 1939: catorze em todo o país, das quais três na cidade do Porto, tendo sido estas últimas por proposta do professor Américo Pires de Lima (então director do Departamento de Botânica "Dr. Gonçalo Sampaio").
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Destas três árvores monumentais portuenses classificadas em 1939, apenas sobrevive um enorme tulipeiro (Liriondendron tulipifera), actualmente em pleno recreio da Escola E.B.1 nº 47 -João de Deus (na rua de João de Deus, transversal de Pedro Hispano). Com a provecta idade de 300 anos e apesar de podada violentamente, a árvore floresce todos os anos, marcando o ponto impreterivelmente com as suas flores em forma de túlipa, razão de ser do seu nome vulgar.
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Para além deste tulipeiro, foram então igualmente classificados o velho ulmeiro da Cordoaria, impropriamente apelidado de Árvore da Forca, e o não menos antigo pinheiro manso do "Pinheiro Manso". Este último pouco tempo sobreviveu à classificação pois foi derrubado pelos ventos do ciclone de 1941; o ulmeiro aguentou-se já muito diminuído até 1986.

Tulipeiro da Casa Tait

Fotos: mdlramos 04
Em 1951, foi classificado o magnífico tulipeiro da chamada casa Tait, na rua de Entre-Quintas, (propriedade pertença desde 1978 da Câmara Municipal do Porto). O tronco mede cerca de 8, 50 m. de perímetro à altura do peito (ver foto em artigo no Naturlink) e a sua bela ramagem ergue-se a mais de 25 metros de altura, bem acima das casas e do restante arvoredo do jardim.

A concluir esta curta lista temos duas japoneiras de um jardim privado na freguesia de Paranhos, classificadas em 1992 por iniciativa da proprietária.

A foto destas últimas árvores assim como os três mapas que reproduzimos encontram-se na publicação Árvores isoladas, maciços e alamedas de Interesse Público Instituto Florestal (1995), que pode ser encomendada na Biblioteca da Direcção Geral dos Recursos Florestais.

Ver: Árvores classificadas no Porto em 2005