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6.10.05

Em campanha no bairro das Campinas

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Em 1º plano: rua Direita das Campinas num Ramalde rural em vias de extinção, vendo-se atrás a urbanização dos Edifícios do Lago.
Estávamos, o Sr. Silva* e eu, a trocar impressões sobre as couves, o loureiro e a seca, como não podia deixar de ser, quando subitamente os bombos e as gaitas de foles nos despertaram do sossego da conversa do fim de tarde.
Se me quiserem ver pular é mesmo com bombos e gaitas: é dito e feito; nem sei bem explicar o súbito entusiasmo.
Mas não sou caso único e deve ser por isso que a campanha socialista anuncia desse modo aos quatro ventos a sua passagem.

Pois era mesmo disso que se tratava: a campanha eleitoral do PS a passar no bairro, anteontem. Juntei-me ao número de mirones e apreciei durante algum tempo a movimentação do candidato em pessoa e dos seus apoiantes.

Ontem de manhã, imagine-se!, foi a vez da campanha laranja passar pelo bairro das Campinas. Outro estilo, música gravada.

Em ambos os casos não resisti a atravessar-me literalmente no caminho dos ilustres candidatos, a estender-lhes a mão e a falar-lhes... adivinhem de quê. Se quiserem saber vejam aqui.
O Sr. Silva* esse continuou impávido e sereno debaixo do loureiro, ao lado das couve galegas e da sua estufazita, "admirando" as vistas na paisagem.
* (nome fictício)
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26.9.05

Avenida dos Aliados


Avenida dos Aliados- 23 de Setembro de 2005
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Muita gente pensa, por ouvir dizer, que a Avenida dos Aliados já está totalmente destruída e que o processo é, eventualmente, irreversível! Incorrecto!
Para já "apenas" arrasaram* completamente a maior zona ajardinada (perfeitamente visível nesta e nesta fotografias) e que estava já entaipada há anos por causa da construção da estação do Metro- entre a Praça de Humberto Delgado e a zona ajardinada das estátuas.
É só para lembrar.
(Ler aqui o que alguns candidatos à Câmara Municipal do Porto dizem sobre o projecto de "requalificação" deste local emblemático da cidade.)
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7.9.05

Pinheiros mansos no alto da Avenida



Praça General Humberto Delgado (ver fotografia aérea do conjunto Pr. Humberto Delgado/Av. dos Aliados/ Pr. da Liberdade)
Para muitas pessoas o nome desta bela Praça onde se encontra a estátua de Almeida Garrett é desconhecido e completamente ignorada a sua autoria: do decano da arquitectura portuguesa, Fernando Távora recentemente falecido (e cuja obra mais polémica é hoje, pelos piores motivos, notícia do Jornal).
Se em algum lado existe uma placa semelhante à que se pode encontrar na Av. dos Aliados , com o símbolo de "World Heritage/Património Mundial/Patrimoine Mondial" e um resumo da história do local e da razão de ser da toponímia, passou-me completamente despercebida.
Há pouco mais de um ano foi chumbada a construção de um parque de estacionamento e outras "comodidades" subterrâneas, salvando-se muito provavelmente assim os belos pinheiros (Pinus pinea) que tão mansamente enquadram a Praça. Segundo notícia então publicada no site oficial da câmara, todas essas construções não iriam prejudicar a traça original da Praça General Humberto Delgado.

(É lamentável e incompreensível que essa preocupação com a traça original não tenha de todo apoquentado os responsáveis pelo crime de lesa património que se está a perpetrar nos Aliados, com o aval favorável de quem supostamente está em funções com o objectivo de o preservar e valorizar (o património).

* da autoria do escultor Barata Feyo e inaugurada em 1954
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3.9.05

Porque sim e para que se saiba!

Foto de Nuno Calvet reproduzida do livro As mais belas cidades de Portugal (Colecção Património)- Edimpresa Editora, Lda

«O que diz o Estudo de Impacte Ambiental
Selecção de considerações e recomendações do EIA sobre a linha S do Metro do Porto no troço Av. dos Aliados / Praça da Liberdade
(Nota: algumas recomendações são de carácter geral)

O EIA preconiza que se constitua um Programa de Salvaguarda do Património Cultural Construído e um Programa de Acompanhamento Ambiental da obra, que faça a inventariação, prospecção, sondagem e recuperação dos elementos de interesse patrimonial.
Flora e paisagem:
1. (...) deverão ser tomadas as medidas necessárias para que o coberto vegetal não seja destruído desnecessariamente.
2. Deve-se prever a recuperação de todas as áreas que venham a ser afectadas por qualquer processo.
3. Devem-se recuperar imediatamente após a finalização das obras todos os jardins públicos e arruamentos afectados pelas obras.
4. As áreas de estaleiros, frentes de obra, etc. deverão ser recuperadas e integradas paisagisticamente após a conclusão da obra.
5. Devem recuperar-se imediatamente após a finalização das obras os jardins públicos e arruamentos, destacando-se pela sua localização no centro do Porto e pela natureza das obras aí previstas, a avenida e jardim dos Aliados.

Elementos de interesse arquitectónico identificados na área do estudo:
1. Na zona central do Porto podem identificar-se diversos monumentos (...).
Aqui existe ainda uma das mais importantes praças da cidade, os Aliados.
"Sala de visitas" do Porto, aqui o impacto será elevado e muito significativo.
3. Recomendação:(...) esta secção corresponde ao jardim dos Aliados, prevendo-se uma grande afectação do mesmo, consequência da obra da linha do metro e da instalação da estação dos Aliados; este impacte será contudo temporário, podendo ser facilmente adoptadas medidas mitigadoras durante a obra, bem como a reposição do jardim imediatamente após a sua conclusão.
Medidas de integração estéticas e paisagísticas específicas:
Aliados:
1. Levantamento topográfico da vegetação.
2. Selecção criteriosa das espécies vegetais existentes no jardim dos Aliados que possam ser transplantadas e o seu devido acondicionamento para posterior recolocação.
3. Recuperação do jardim após a conclusão do empreendimento repondo-se, tanto quanto possível, a situação inicial. » (Publicado originalmente por Nuno Quental no Blogue da Campo Aberto em 8.7.05
)


16.8.05

A Fonte de Médicis

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Fotos: manueladlramos 0508

Ei-la em todo o seu esplendor a famosa Fonte de Médicis nos Jardins de Luxemburgo! Produto de várias épocas, a última "requalificação" data já da segunda metade do séc. XIX. Curiosamente, na sua versão original, não era uma fonte (a água só começou a correr na bacia central a partir do início do séc. XIX) mas sim uma gruta construída a pedido da rainha Maria de Médicis, florentina de nascimento, que, em 1530, a encomendou a Thomas Francine, um escultor seu conterrâneo .
A gruta sofreu transformações várias sendo a mais importante a que ocorreu na década de 60 do século XIX quando foi desmontada pedra a pedra e transferida para a sua localização actual. Foi então que Alphonse de Gisors, o arquitecto do Senado encarregue do projecto, a dotou do longo tanque hoje protegido pela sombra dos plátanos então plantados.
Tanto os grupos escultóricos mais preominentes- nomeadamente o de Polifemo prestes a esmagar sob um rochedo o seu rival Acis apaixonado por Galateia- como a fachada oposta, viarada a Este, datam dessa altura.
(Mais informações e fotografias sobre a Fonte de Médicis e a sua história aqui e aqui. )

(É óbvio que a tão badalada inspiração desta fonte para a projectada futura fonte da Avenida dos Aliados, se limita ao tanque que, na fotografia, vemos ladeado por frondosos plátanos e adornado com vasos floridos.)

13.8.05

Seduzida e deslumbrada

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Fotos: © manueladlramos - Jardin du Luxembourg, Agosto 2005
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Seduzida e deslumbrada foi como me senti permanentemente nos jardins de Paris durante esta curta estadia.
E surpreendida! Não tanto pela árvores magníficas com as quais já contava, nem pelo apurado paisagismo dos jardins, mas pela abundância de flores e o gosto harmonioso das suas combinações nos canteiros e "parterres".
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Por esta entrada, se vai dar à famosa "fontaine de Médicis" (a tal que parece ter servido de inspiração para o tanque projectado para a Avenida dos Aliados ;-(
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27.7.05

Os jardins dos Aliados

1.7.05

Convite - Reunião Pública

Convidam-se os Cidadãos interessados em defender os valores postos em causa pelo processo relativo ao projecto e à obra em curso na Avenida dos Aliados / Praça da Liberdade, para uma Reunião a ter lugar na próxima 4.ª feira, dia 6 de Julho, pelas 21h30, no Auditório da Fundação Eng. António de Almeida, Rua Tenente Valadim, 231/325.

Esta Reunião conta com a presença de várias Associações Culturais e Ambientalistas (APRIL, ARPPA, Campo Aberto, GAIA, Olho Vivo, Quercus Porto) bem como de personalidades convidadas.

Ordem de Trabalhos:
1 - Projecto para a Avenida dos Aliados / Praça da Liberdade
2 - Informações Várias

Mais informações: http://avenida-dos-aliados-porto.blogspot.com
Para subscrever o abaixo-assinado, contacte: portoaliados@sapo.pt

21.6.05

ALIADOS - actualização

  • "Avenida dos Aliados: cá se fazem, cá se pagam" -Leia a opinião de Dulce Marques de Almeida, Mestre Arquitecta de Arquitectura Bioclimática , Investigadora de Environement, Energy and Sustainable Design, AA, Londres Reino Unido (Publico Local Porto 21 de Junho 05)
  • "Silêncio: a obra vai começar!" - Recorde o que sobre o projecto de requalificação para a Avenida dos Aliados escreveu a arquitecta paisagista Teresa Andresen, Professora Associada, Departamente de Botânica, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (Publico Local Porto 22 de Março 05).

14.6.05

Abaixo-assinado em defesa da Av. dos Aliados

Está em curso a recolha de assinaturas para um texto que contesta as obras em curso na Avenida dos Aliados (Porto). Esse texto deverá ser publicado, acompanhado pela lista dos subscritores, como anúncio pago na imprensa diária. O seu teor é o seguinte:

«Vimos manifestar o nosso desacordo pelo modo como está a ser imposta à cidade do Porto, sem consulta pública, uma transformação radical do conjunto Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade, e exprimir o nosso desgosto pela perda patrimonial e descaracterização da cidade que o projecto determina.

Apelamos aos poderes públicos, e em particular ao Sr. Presidente da Câmara Municipal do Porto, e ainda ao Sr. Presidente da Comissão Executiva da Metro do Porto, S.A., assim como aos Arquitectos responsáveis pelo projecto de requalificação, para que este seja reconsiderado de modo a que se salvaguarde o património histórico insubstituível e o valor simbólico desta zona da cidade, nomeadamente no que respeita à preservação da calçada portuguesa, das zonas ajardinadas e das magnólias junto à Igreja dos Congregados.»


Quem quiser juntar o seu nome a este manifesto deve contactar o endereço electrónico portoaliados@sapo.pt indicando o seu nome, profissão, n.º do bilhete de identidade, data de emissão e arquivo. [Os dados do BI não serão divulgados publicamente, servindo apenas para autenticar as assinaturas.]

6.6.05

Dos Jornais - requalificação da avenida dos Aliados na Assembleia, amanhã

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«A sessão extraordinária da Assembleia Municipal (AM) do Porto, destinada à discussão do projecto de requalificação da avenida dos Aliados, foi adiada para amanhã (...) A nova avenida, em granito, terá passeios mais largos e a placa central mais estreita. O desenho prevê ainda o desaparecimento dos canteiros de flores e da calçada à portuguesa, o que constitui, até ao momento, o principal motivo da contestação ao projecto. A presença de Siza Vieira na Assembleia Municipal poderá, amanhã, contribuir para esclarecer as muitas dúvidas que têm sido colocadas em relação ao futuro da avenida dos Aliados.» Ler notícia completa no Comércio do Porto

Há dúvidas que não são dúvidas, são pura e simplesmente perguntas. Quem é que explica como é que as obras avançaram do modo como avançaram sabendo que existe na Avenida um conjunto de imóveis considerados de valor concelhio e classificados de interesse público, beneficiando por isso do perímetro de protecção de 50 metros previsto pelo artigo 43º da Lei n.º 107/2001? (Não sabia? então leia aqui o rol desses edifícios). Isto para não falar no que parece evidente: o valor patrimonial da Avenida dos Aliados e Praça da Liberdade (que pelos vistos se encontra "em vias de classificação" desde 1993). Se para estes senhores, esta zona da cidade não tem valor patrimonial, então nada tem esse valor (provavelmente apenas as suas próprias obras!)

Como comentou aqui ABG: «Para quê mexer no que está bem? Este, como a Boavista, é outro caso em que só se faz porque o dinheiro é barato e dos outros (fundos atribuídos ao Metro pelo OGE, CE, BEI), como se não houvesse um custo de oportunidade, como se não houvesse custos. Mas estragar o que lá está só para mostrar serviço, está para lá da minha compreensão. (...)»
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2.6.05

O último Verão?

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Alarmada com a ideia de que poderia ter começado a "destruição inqualificável", foi com enorme alívio que verifiquei que, à Praça, apenas chegou o Verão!


Na Praça da Liberdade tudo está ainda no mesmo sítio: a estátua, a calçada branca, as esplanadas, as árvores, os canteiros (agora com petúnias). Em breve será a vez dos ligustros florirem.


O ardina continua ao pé das magnólias e, ao contrário dos engraxadores, não espera clientela.
Na florista já se vende manjerico e hortelã.
Na baixa vive-se o encanto das primeiras manhãs de Junho!




Entretanto, no alto da Avenida a "requalificação" continua bem ao estilo do "quero, posso, faço!".
Relembre aqui como era antes. Realmente não se entende que se queira destruir tudo isto!
Não acreditamos e não nos conformamos: este não pode ser o último Verão!.

Ver estado actual das obras
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11.5.05

E o cócó, senhores?

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(desculpem mas não me ocorre mais nenhum título...)

Foto: mdlramos 0505

Enquanto que todas as árvores da cidade já se revestiram de folhas, os pobres Acer platanoides, que aqui se vêem por detrás da estátua da Menina Nua, ainda estão meio despidos. Os áceres desta variedade são os últimos a ficarem com folha (aqui e em todo o lado), parecendo sempre mal vestidos e tristonhos. Seria sem dúvida uma das coisas a mudar na Avenida dos Aliados, mas segundo quem apresentou o triste projecto, manter-se-ão!

O que já está a mudar é mesmo a calçada! No passeio do lado esquerdo da zona superior da Avenida, boa parte foi já substituída por cubos de granito. Ao observar aquele cinzento escuro não pude deixar de imaginar o efeito que sobre ele irá produzir o cócó das pombas. Será que faz parte do projecto, esse improvisado branco sujo sobre o cinza da pedra? Ou também prevêem erradicar as pombas?
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10.5.05

Destaque - Campo Aberto

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As obras na Avenida dos Aliados já começaram!
Claro que não é de ficarmos calados!
Junte a sua à nossa voz e comente no blog da Campo Aberto.

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A Avenida dos Aliados e o novo projecto no Dias com Árvores
Dos Jornais - Assembleia quer discutir projecto dos Aliados (20-04-05)
Descubra as diferenças (13-04-05)
"Será de ficarmos calados?" (23-03-05)
Sizentismo (16-03-05)

23.3.05

"Será de ficarmos calados?"

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A opinião de Teresa Andresen, arquitecta paisagista, sobre o projecto para a Avenida dos Aliados:
«(...) No domínio de novos espaços públicos, ditos verdes, se exceptuarmos o Parque da Cidade, Sobreiras, Pasteleira (recuso-me a incluir a alameda de Cartes, a negação do desenho urbano e da compreensão da vivência do espaço público!) pouco mais se terá feito nos tempos recentes. Privilegiou-se "redesenhar" espaços estabilizados na malha urbana com carga patrimonial -cultural/natural - apropriados pelo imaginário colectivo, ignorando que a defesa do património diz respeito a todos.

Será de ficarmos calados? Mesmo quando, como no caso da Praça e da Avenida, a Câmara do Porto usa a autoridade de dois consagrados nomes da arquitectura para manter-nos calados? Ora isto não pode estar bem! Eis a minha mágoa e a minha indignação!»

Ler texto completo nos comentários de "Sizentismo"
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16.3.05

"Sizentismo"

Já se criaram partituras sem notas, quadros sem cor, livros sem palavras, filmes sem imagens - e os artistas que desse modo levaram a criação às fronteiras do nada ficaram na história como visionários. O problema é que, uma vez assimilada a presumível intenção irónica do gesto, a repetição está fora de causa: ou se desiste de criar, ou se regressa a formas mais convencionais de expressão.

Mas há uma arte (a arquitectura) e um país (Portugal) em que o nada continua a render, e onde os artistas que o praticam, quais alfaiates do rei-que-vai-nu, explicam com minucioso detalhe a uma plateia reverente todos os subtis cambiantes do vazio. E o nada, na versão do pronto-a-vestir arquitectónico para espaços públicos, é uma calçada lisa de granito, sem réstia de ornamento em que a vista possa repousar. Vai ser assim a nova Avenida dos Aliados, como já o são a Cordoaria, o Carmo e muitos outros locais da cidade.

É preciso dizer claramente que a arte que assim destrói o espaço público não presta: é irrisória, é arrogante, é desrespeitadora da cidade e da sua memória; é infinitamente inferior à arte dos calceteiros que compuseram os expressivos desenhos que serão imolados ao cinzento uniforme do granito, e à dos jardineiros que mantêm pacientemente os canteiros agora proscritos.

P.S. 1) A crer na maquete do projecto, as duas magnólias junto à Igreja dos Congregados, a branca que se vê na foto e outra rosa mais jovem, também estão condenadas. Mas quem as manda florir tão escandalosamente? Não sabem elas que os arquitectos do dream team (como lhes chamou o nosso Presidente da Câmara) abominam flores?

2) Até que a voz nos doa. Não é esta a primeira vez, nem será infelizmente a última, que escrevemos sobre o floricídio que vai avassalando a cidade: confira aqui e aqui.


Fotos: pva 0502

19.8.04

Abate de áceres platanoides na avenida dos Aliados

Um estilo de ser português

«(...) Se falei de árvores com ácida melancolia é porque me derrubaram uma das que mais amei na vida, o velho lódão que me entrava pela varanda e dava notícia das estações. O móbil foi, naturalmente, atravancar a rua com mais automóveis (...). Levei anos e anos a lamentar-me, até que, não há muito ainda, numa cerimónia em que, surpreendentemente, me fizeram cidadão honorário do Porto, disse ao Presidente da Câmara que preferia uma árvore à porta do que a medalha de ouro da cidade, com que me distinguia e honrava toda a vereação. Ele prometeu-me outro lódão e cumpriu a promessa, deus seja louvado. Agora a casa onde moro é fácil de descobrir: tem um troncozito despido que lembra um poema meu, exíguo e desamparado.»

Eugénio de Andrade, A cidade de Garrett (1996)