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09/11/2006

Divulgação

Plantas Aromáticas e Medicinais - Sua Utilização e Conservação
Seminário dia 24 de Novembro (sexta-feira), em Beja
Organização: Naturlink e Museu Botânico da Escola Superior Agrária de Beja


Jardim das Aromáticas - Serralves

«É objectivo da organização que o Seminário seja não só muito útil e interessante para técnicos, investigadores e estudantes, empresários, gestores, ambientalistas, e decisores, que trabalham ou venham a trabalhar nestes temas, como seja também um evento que chame a atenção de uma opinião pública particularmente receptiva para os trabalhos que estão a ser desenvolvidos nesta área e para a importância actual e potencial da utilização e conservação das plantas aromáticas e medicinais. (...)»
As inscrições deverão ser efectuadas até amanhã dia 10 de Novembro

(Que pena ser a uma sexta-feira, dia de trabalho!).

31/07/2005

"Arde o fogo segundo a lenha do bosque"

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Todos os anos a mesma tragédia! (Ler o que aqui se escreveu há um ano.)

No entanto, apesar de ser verdade o que diz o provérbio, também cada vez é mais evidente o papel dos incendiários (e da sua impunidade) nesta tragédia! Segundo uma notícia do dia 23 sobre a "encarceração" de um "presumível autor de fogo na Reserva da Arrábida" o número de detidos por fogo posto (60) é bem superior ao avançado (32) pela notícia de que se transcreve abaixo algumas linhas. E ontem, num noticiário qualquer, ouvi que a maior parte dos detidos eram penalizados (quando o eram) de um modo irrisório!

«Portugal é, de longe, o país da Europa onde se regista o maior número de incêndios em relação à superfície florestal (...)
O número de incêndios florestais contabilizados este ano quase duplicou, face à média dos últimos quatro anos.(...)
Segundo dados da DGRF, o uso do fogo foi responsável por 36 por cento dos fogos florestais de 2004. As causas acidentais explicam 15 por cento dos incêndios do ano passado. A negligência foi, assim, responsável por 51 por cento dos fogos. As causas naturais e as estruturais justificam seis por cento do total. O "incendiarismo" é a causa de 43 por cento dos fogos. Até 28 de Julho, a Polícia Judiciária deteve 32 suspeitos de atearem incêndios.» (reportagem na edição impressa do Público)

03/09/2004

Tirador de cortiça

«Conversa com António Pacheco Rodrigues, 37 anos, tirador de cortiça.
(...) A cortiça que se chama brava ou virgem é aquela que é extraída pela primeira vez. Há-de, a de sobreira ou sobreiro, como lhe queiram chamar, ter à roda de 25 anos e, mesmo assim, a cortiça da primeira tiragem vale menos, não é tão boa...
Por lei, o tronco tem que ter setenta centímetros de perímetro e um metro e trinta de altura até aos galhos, para se tirar a primeira vez. Nos anos seguintes vai-se tirando um bocadinho mais para cima... é a amandia. Só de nove em nove anos é que é permitido extrair cortiça da mesma sobreira. Conhece-se na folha da cortiça os anos que ela tem. Cada ano apresenta um veio. Faz pensar como a natureza da árvore anda tão certa como a natureza do tempo, sim, do calendário...
Agora com os terrenos pouco tratados, menos sementeiras, tudo mais abandonado falam em passar as tiradas para de dez em dez anos. Não será mau. Fica a cortiça mais espessa mais unida, melhor. Vai no valor, ganhar o tempo que está a mais na "mãe".
(...) Muita gente pensa que as sobreiras não requerem outro tratamento que não seja de nove em nove anos chegar ali e tirar umas carradas de cortiça que valem uma mão-cheia de dinheiro mas não é bem assim, porque de Novembro a Fevereiro há a poda, retirar os troncos velhos para evitar que os rebentos venham comer a força da cortiça e esse serviço também tem os seus quês, não é chegar ali com o podão e cortar, pois não é permitido tirar pernadas com mais de seis centímetros de diâmetro. Quem sabe já tem a medida nos olhos não é preciso andar com o metro atrás....
Os antigos, à cortiça chamavam corcha e àquelas vasilhas redondas que se fazem para beber água chamavam cocharros, aos mais pequenos por onde há também quem beba aguardente de medronho, chama-se cocharrinho. Em muitas casas na serrra havia ao pé da infusa da água fresca, um cocharro e as pessoas em vez de pedir um copo de água pediam uma cocharrada.
(...) O meu acompanhante que tem no seu curriculum, comprador de cortiça, participa animadamente na conversa e termina com esta adivinha:
Qual é a coisa, qual é ela?
Que se cada ano contar um mês
Nove meses anda a mãe dentro da filha?»


In Um Algarve Outro --contado de boca em boca (estórias, ditos, mezinhas, adivinhas e o mais...) , de Glória Marreiros (Livros Horizonte, 1991)